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07/04/2015 | Agência Câmara

Diretor nega superfaturamento em gasoduto da Petrobras; depoimento irrita deputados

O diretor de Gás e Energia da Petrobras, Hugo Repsold Júnior, disse ter sido surpreendido com as notícias de corrupção e pagamento de propinas na estatal. “Nunca soube dessa prática e fiquei indignado”, afirmou, durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras que durou cerca de três horas nesta terça-feira (7).

Ele defendeu a construção do gasoduto Gasene, que liga o Espírito Santo à Bahia, negou superfaturamento na obra e justificou a modalidade adotada pela Petrobras para criar a empresa privada que geriu a construção.

O depoimento foi considerado pouco esclarecedor para as investigações pelos integrantes da CPI. Alguns deputados se irritaram com as respostas de Repsold Júnior.

“Vossa excelência está achando que tem algum palhaço aqui?”, perguntou o deputado André Moura (PSC-SE), um dos sub-relatores da CPI. “Nós temos que focar em quem pode efetivamente colaborar com as investigações. Parece que um ou outro depoimento está sendo escalado apenas para nos fazer perder tempo. Estamos perdendo tempo com esse cidadão aqui”, disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

As afirmações de Repsold Júnior de que desconhecia o esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato levaram os deputados da comissão a questionar os rumos da comissão.

“Acho que o relator errou ao convocar o senhor Repsold”, disse a deputada Eliziane Gama (PPS-MA). “Temos que rever as convocações e trazer quem possa ajudar a avançar nas investigações”, disse o deputado Izalci (PSDB-DF). “Isso aqui está mais para um seminário que para uma sessão de CPI”, disse o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ).

O deputado Ivan Valente (Psol-SP) propôs uma reunião de emergência para redefinir os próximos depoimentos e questionou o fato de nenhum empresário ter sido convocado. O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), negou o pedido. “As convocações estão sendo feitas com toda a transparência”, disse, destacando que os requerimentos foram votados e as decisões sobre o plano de trabalho foram tomadas em acordo com o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), os sub-relatores e os líderes dos partidos na comissão.

Valente questionou o fato de a CPI da Petrobras não ter convocado ainda nenhum empreiteiro acusado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal de formação de cartel e pagamento de propina a diretores e funcionários da Petrobras. Ele também questionou a não convocação, ainda, do doleiro Alberto Youssef e dos empresários Júlio Camargo e Augusto Ribeiro, da Toyo Setal, que aceitaram fazer acordo de delação premiada na Justiça Federal.

Gasoduto
Repsold Júnior foi nomeado diretor da Petrobras em janeiro em substituição a José Alcides Santoro, que deixou a diretoria junto com a ex-presidente da empresa, Graça Foster, após renúncia coletiva.

Ele foi convidado pela comissão para falar da construção do gasoduto Gasene, que tem 1.387 km de extensão e interliga os sistemas de gasoduto do Sudeste e Nordeste. O gasoduto tem três trechos, já concluídos: são 130 quilômetros entre Cacimbas (ES) e Vitória (ES); 303 quilômetros entre Cabiúnas (RJ) e Vitória; e 954 quilômetros entre Cacimbas e Catu (BA).

Relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou sobrepreço de até 1.800% em um dos trechos do gasoduto e lançou suspeitas sobre a constituição da empresa. A Petrobras constituiu a Transportadora Gasene S.A. para construir o gasoduto e esta última firmou, em maio de 2005, contrato de prestação de serviços com o escritório de contabilidade Domínio Assessores Ltda., do Rio de Janeiro. As duas empresas declararam o mesmo endereço no contrato.

Repsold Júnior negou superfaturamento de 1.800% apontado em relatório de auditoria do TCU no trecho 3 do gasoduto Gasene. “Foi constatado um superfaturamento de 1.800% na compra de uma manta geotérmica de R$ 30 mil. Ou seja, houve um superfaturamento de R$ 30 mil em um projeto de mais de R$ 6 bilhões”, disse. Segundo o diretor da Petrobras, o custo final do gasoduto foi 20% superior ao estimado no projeto inicial, percentual considerado satisfatório pela Petrobras.