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18/03/2012 | Correio Braziliense

Disputa para ficar na vitrine do país

Por Guilherme Amado

A disputa pelo comando da cidade que estará no centro das atenções nos próximos quatro anos já começou. Além do prefeito Eduardo Paes (PMDB), outros três pré-candidatos já se movimentam na formação de alianças e alfinetadas mútuas. Em jogo, fora a briga para ser o prefeito que vai estar à frente de eventos como a final da Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016 e a discussão sobre os royalties do petróleo, a eleição carioca também pode interferir na aliança nacional entre PT e PMDB. Sem adesão plena dos petistas à campanha de reeleição de Paes, a dobradinha que começou em 2006, com o apoio recíproco do governador Sérgio Cabral (PMDB) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), corre o risco de ruir.

Os quatro principais candidatos são o prefeito Eduardo Paes, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e os deputados federais Rodrigo Maia (DEM) e Otavio Leite (PSDB). O primeiro lance inesperado da eleição foi o anúncio da contraditória aliança entre os filhos dos inimigos históricos Cesar Maia (DEM) e Anthony Garotinho (PR), para lançar Rodrigo Maia na cabeça da chapa que terá Clarissa Garotinho como vice.

A novidade de esta ser a primeira eleição em uma década sem um candidato evangélico também não passou despercebida. A expectativa de Maia é que o eleitorado evangélico e parte da Zona Oeste da cidade, que costumam acompanhar Garotinho, votem na chapa deles. "A probabilidade de ter segundo turno é 100%. Se a imagem do Garotinho tem problemas na Zona Sul, a fuga do voto vai para o Freixo. Por outro lado, o Garotinho agrega muito entre os evangélicos", formula Cesar Maia, que governou a cidade por três mandatos.

Aliança

Mas não faltou quem ficasse chocado ao ver a foto de Garotinho e Maia de mãos dadas, no dia em que anunciaram a coligação. O ex-prefeito, que chegou a dizer que uma aliança com o rival seria como um "beijo da morte", vai longe na justificativa. "Não há nenhum constrangimento. Fizemos coligação por oposição a um terceiro que está no governo. É como a Inglaterra, os Estados Unidos e a União Soviética contra a Alemanha, na Segunda Guerra." Talvez a analogia não seja sem propósito, tamanha a artilharia. "Temos um prefeito que é um síndico, incapaz de opinar sobre qualquer questão nacional. O Eduardo passa um perfil meio autoritário, grita, não sabe reagir. Humilha os pobres. Lei e ordem, todos queremos, mas não precisa expor a pessoa na televisão", criticou Cesar Maia, referindo-se ao Choque de Ordem, principal ação da prefeitura para acabar como irregularidades nas ruas.

Presidente do partido e um dos caciques peemedebistas do Rio, Jorge Picciani diz que Eduardo Paes já tem na ponta da língua as respostas para as críticas. "O pobre gosta de coisa organizada, porque ele sabe que aquilo é a favor dele", justifica. Outro ponto considerado frágil para a campanha de Paes, a falta de obras prontas, também é tratado com naturalidade pelo prefeito. "Teremos algumas obras prontas até outubro, e todas as outras estão rigorosamente dentro do calendário."

Tentando a terceira via, está o deputado estadual Marcelo Freixo. Após se destacar no comando da CPI das Milícias — ele chegou a inspirar o personagem do deputado idealista de Tropa de Elite 2 —, Freixo pode herdar a votação maciça que quase elegeu Fernando Gabeira no segundo turno de 2008. Sem medo de ser rotulado como o candidato antimilícia, também já partiu para o ataque. "O Rio tem uma máfia estebelecida e o poder público finge que isso não está acontecendo. Mas nosso debate não será restrito à situação das milícias. O fio condutor é discutir o papel do poder público, que não existe e virou um balcão de negócios para o investimento", ataca. O candidato do PSol também pretende brigar pelo eleitor religioso. "Tento o apoio da Marina Silva, que é evangélica e freia esta transferência de votos para a chapa do Rodrigo e da Clarissa."

Colaborou Paulo de Tarso Lyra

4,6 milhões

Total de eleitores da cidade do Rio de Janeiro, segundo o TSE

Concorrentes

Confira os principais nomes que devem disputar a eleição para o comando da capital fluminense

Eduardo Paes (PMDB)

Com boa aprovação, o prefeito tentará a reeleição, mas terá que responder a críticas sobre a falta de obras prontas e a situação da saúde pública.

Marcelo Freixo (PSol)

O deputado estadual que se tornou famoso por comandar a CPI das Milícias está em segundo lugar e deve herdar os votos que quase elegeram Fernando Gabeira (PV) em 2008.

Rodrigo Maia (DEM)

O deputado federal, que é filho do ex-prefeito Cesar Maia, convidou Clarissa Garotinho (PR), filha do ex-governador e antigo inimigo de Maia, para ser sua vice.

Otavio Leite (PSDB)

O deputado federal será o candidato tucano, apesar de não ser unanimidade nem mesmo em seu partido.