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18/10/2014 | Jornal O Globo

Disputa pelo Rio ganha força na última semana de campanha presidencial

RIO - Terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, o Rio vai se tornar o centro da disputa pela Presidência na última semana do segundo turno. A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, virá ao estado na segunda-feira e voltará na quarta. Já o candidato do PSDB, Aécio Neves, chega neste sábado e vai embora domingo à tarde. A investida tem uma razão: a divisão do eleitorado no estado. As pesquisas de intenção de voto mostram uma situação equilibrada, com leve vantagem para a petista na briga pelos 12,1 milhões de eleitores — 8,5% do eleitorado nacional, índice inferior apenas aos de São Paulo e Minas Gerais.

No primeiro turno, Dilma venceu no estado com 35,6% dos votos, contra 31% de Marina Silva (PSB) e 26,9% de Aécio. Agora, de acordo com o Datafolha, a presidente tem 43% das intenções de voto, contra 41% de Aécio. A situação configura empate técnico, já que a margem de erro é de três pontos percentuais. Dos entrevistados, 9% declararam votar em branco ou nulo, enquanto 6% não souberam responder. Já o Ibope aponta vantagem de Dilma: 46% a 40%, com 10% de votos em branco e nulos e 5% de indecisos. A margem de erro, neste caso, é de dois pontos.

Os recortes pelos estratos de renda e escolaridade apresentam um cenário igual ao nacional, com uma oposição clara entre Dilma e Aécio nas faixas de renda e níveis de escolaridade. A presidente é mais forte na parcela do eleitorado menos escolarizada e com renda mais baixa. Já o tucano alcança seus níveis mais altos entre os eleitores mais ricos e com ensino superior completo.

Os dois institutos analisaram também a migração dos eleitores de Marina Silva e ambos apontam que Aécio consegue 56% dos votos da candidata derrotada. Já Dilma consegue 25% dos votos de Marina, segundo o Ibope, e 23% de acordo com o Datafolha. Para o cientista político Eurico Figueiredo, professor da UFF, o apoio formal de Marina a Aécio não foi determinante:

— Os eleitores da Marina se anteciparam à decisão dela. O que motiva é o desejo de mudança e a convicção de que a oposição se materializa no Aécio.

Dilma tem o apoio dos candidatos que estão no segundo turno no Rio: o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o senador Marcelo Crivella (PRB). O eleitorado, no entanto, está dividido. Dos eleitores de Crivella, 42% votam em Dilma e 46%, em Aécio, segundo o Datafolha. Já Pezão transfere 49% dos seus votos para a presidente e 42% para Aécio.

Comício com Lula na Cinelândia

As agendas de Dilma e Aécio no Rio são estratégicas para que a presidente conquiste os votos de Marina Silva. No estado, a ex-senadora ficou em segundo lugar com quase 2,6 milhões de votos. Dilma chegou em primeiro, com 2,9 milhões. O tucano conquistou 2,2 milhões.

Na manhã de segunda, Dilma fará caminhada com Crivella no Jardim Catarina, em São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do estado. Depois, fará carreata com Pezão em Padre Miguel e Bangu, bairros da Zona Oeste. Já na quarta, a petista vai participar da caminhada “Mulheres de coração valente com Dilma”, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em seguida, pedirá votos na Feira de São Cristóvão. Às 18h, ela marcará presença em um comício na Cinelândia. A expectativa é de que o ex-presidente Lula compareça.

Os petistas vão convidar integrantes do PSOL do Rio a participarem dos compromissos de Dilma no estado. O deputado federal Jean Wyllys e o deputado estadual Marcelo Freixo declararam votos na candidata.

— Já gravei um vídeo, mas participar de ato na rua, não. Meu apoio a ela é crítico. É um veto ao Aécio — disse Freixo.

Hoje, Aécio vai ao Morro da Mangueira e, amanhã, faz uma caminhada na orla de Copacabana. Desde que souberam que Dilma fará um comício na Cinelândia, os aliados do tucano tentam encorpar o ato na praia para fazer frente ao evento petista. Nos bastidores, os integrantes do movimento “Aezão”, de apoio a Aécio e a Pezão, falam até na presença do governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), no ato.

Alguns integrantes do “Aezão” relataram ao GLOBO que há uma “bateção de cabeça” na campanha e que uma nova remessa de material só chegou na semana passada. Parlamentares reeleitos transformaram seus comitês eleitorais em comitês de Aécio. Os aliados do tucano têm investido em panfletagens para tentar converter eleitores da presidente.

— O eleitor da Marina já está cristalizado em Aécio; o objetivo agora é virar o voto em Dilma. Por isso, deflagramos ação de panfletar nas áreas populares — diz o deputado federal Otavio Leite (PSDB).