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13/05/2015 | Jornal O Globo

Duras críticas

BRASÍLIA- Em sessão da comissão mista (formada por deputados e senadores), realizada ontem no Senado, representantes dos principais clubes de futebol se juntaram em discurso uníssono contra a MP do Futebol. A medida estende em até 20 anos o prazo para pagamento das dívidas dos clubes desde que se comprometam com as contrapartidas: terão que dar transparência aos seus balanços, criar departamento de futebol feminino, além de acabar com as reeleições seguidas dos mesmos dirigentes. O ministro do Esporte, George Hilton, já afirmou que o texto da MP é inegociável. Mas deputados do próprio PT admitem que o texto só será aprovado no Congresso após muitas modificações.

O fato de que nenhum clube aderiu à proposta, passados 30 dias da edição da MP, é um indicador de que as regras impostas não foram aceitas.

— É próprio do Congresso fazer alterações em propostas enviadas pelo governo. Está dentro das nossas prerrogativas. A tendência é ter mudanças significativas na MP — disse o deputado Vicente Cândido (PT-SP).

A audiência reuniu os dirigentes dos principais times da Série A e até da Série D. Deputados e senadores da chamada bancada da bola acompanharam os depoimentos, entre eles, o senador Zezé Perrela (PDT-MG), vinculado ao Cruzeiro, e os deputados Silvio Torres (PSDB-SP), Jovair Arantes ( PTB- GO) e José Rocha ( PR- BA). A reclamação geral dos dirigentes é em relação ao que consideram intervenção do estado prevista na MP. Daniel Diniz Nepomuceno, presidente do Atlético-MG, defendeu o “enxugamento” da MP e criticou o “intervencionismo”.

O deputado José Rocha (PRBA) cobrou que Nepomuceno e dirigentes apresentassem sugestões de alterações no texto enviado pelo governo. O dirigente do Atlético respondeu que defende anistia de novas multas, maior número de meses para o pagamento da dívida renegociadas ( a MP fala em 20 anos) e que não haja qualquer tipo de intervenção, citando o exemplo do investimento no futebol feminino.
O senador Zezé Perrela também fez duras críticas à obrigatoriedade dos clubes terem futebol feminino:

— Se a gente conseguir patrocinador, perfeito. Mas investir só porque a dona Dilma quer? Não sou mais presidente do Cruzeiro, mas, se fosse, jamais iríamos entrar nisso.

O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, disse que, tirando a parte que trata do refinanciamento das dívidas dos clubes, todo o restante da MP é “inadequado e extemporâneo”:

— Do jeito que está na MP, não atende aos clubes.

DENOMINADOR COMUM

Para o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, há correções a serem feitas na MP:

— Uma MP que é feita para parcelar as dívidas e ter contrapartidas entrou em outros campos que são inaceitáveis: futebol feminino, futebol de base, 70% apenas para pagar os jogadores, os trabalhadores, a questão da intervenção e centralização no sistema financeiro, a perspectiva de criação de liga, o envolvimento de toda a estrutura de organização do futebol. Ou seja, através dessa MP, em vez de fazer o que fez com os outros setores, que é acertar as dívidas com contrapartidas e pagamento, o governo entrou para reformular o futebol brasileiro, que não é uma função do estado brasileiro.

Relator da MP, o deputado Otavio Leite ( PSDB- RJ) disse que a renegociação das dívidas tem que ter contrapartidas para evitar novas dívidas. Para Otavio Leite, a gestão temerária tem que ser punida porque provoca o acúmulo dos déficits:

— É preciso encontrar um denominador comum. Os clubes precisam entender que os benefícios têm que ser acompanhados de exigências.

Otavio Leite pretende entregar seu parecer em duas ou três semanas. Como relator, ele cobra da CBF colaboração para que as regras de contrapartidas a serem impostas aos clubes que decidirem parcelar suas dívidas sejam eficazes.