Seu browser não suporta JavaScript!

18/11/2008 | Panrotas

Eleições 2008 e o turismo

Todo candidato monta seu plano de governo baseado em pesquisas que apontam os principais dramas da população. Os problemas estruturais e sociais saem na frente: segurança, desemprego, saúde, ordenamento urbano. De onde virá o vil metal para resolver tudo isso é que são elas... No caso das prefeituras tanto pior. O caminho da distribuição da arrecadação federal para chegar aos municípios é tortuoso. Uma torneira entreaberta, com um filete de água. Em se tratando dos repasses estaduais, na analogia com a torneira, ela aparece ainda mais fechada, pingando, apenas. No mais o dinheiro vem mesmo do IPTU, ISS, taxas, multas, que são arrecadados diretamente pela municipalidade e o volume é determinado pelo crescimento econômico do município.

Esse é o motivo pelo qual o turismo ganhou importância nas últimas eleições. Se a arrecadação é limitada ao poder econômico da população local, onde buscar dinheiro extra? Do turista, claro. Do que vem a lazer e mais ainda do que vem a negócio, que gasta em dobro. Foi aí que os candidatos às prefeituras das grandes capitais de todo País descobriram a pólvora: turismo é desenvolvimento econômico. E a atividade ganhou espaço nos programas eleitorais deste ano.

Esse é um fato a se comemorar. Mas também traz uma responsabilidade maior para os representantes dos vários segmentos do turismo – entidades empresariais, sindicatos, associações de classe – que nos próximos quatro anos terão a obrigação de acompanhar e cobrar dos eleitos o cumprimento dos compromissos de campanha.

Crise e Oportunidade

É certo que a crise chegou. Que não se tratava de uma "marolinha" como apregoou o Presidente Lula, e sim uma onda formada e robusta, a qual não queremos ver como tsunami.

Eis um momento crítico, mas, ao mesmo tempo, surge uma fértil oportunidade para o desenvolvimento do nosso turismo receptivo. A ameaça de uma possível retração de demanda turística no mundo sugere medidas que favoreçam a ampliação do mercado.

Os americanos (cerca de 65 milhões de turistas/ano , digamos menos 30% em 2009) serão sempre um grande mercado. Sabemos que basta flexibilizar a emissão de vistos para os americanos - permitir ser expedido quando de desembarque em território nacional - , e isso vai automaticamente expandir a procura pelo destino Brasil.

Nesse sentido, está na hora de o governo se abrir para essa discussão e, junto o Congresso Nacional, encontrar um consenso.

Lacunas

A Lei Geral do Turismo desconsiderou segmentos importantes como os turismólogos, os guias de turismo e as faculdades. A Câmara Federal terá agora a oportunidade de preencher esses vazios. Alguns projetos de lei já estão tramitando na Casa e é preciso ter atenção a eles. É o momento para os setores organizados do turismo – que foram afetados ou ignorados pela LGT – se movimentar para aperfeiçoar a legislação. Pós-eleição, as máquinas voltam a se engrenar e o barco segue.