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14/10/2007 | Jornal Extra

Eleições 2008: Revoada abre crise no PSDB

Um grupo de tucanos dissidentes abatido em pleno vôo abriu uma crise no PSDB do Rio. As acusações são de traição e de tentativa de destruição da sigla na capital. O pivô da brigalhada é o secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes, que concorreu ao governo pelo partido e se mudou na semana passada para o PMDB, convidado pelo governador Sérgio Cabral para ser seu candidato a prefeito.

Com ele, iriam o deputado estadual Pedro Paulo e os vereadores Luiz Antônio Guaraná, Luiz Carlos Ramos e Patrícia Amorim — que teriam prometido levar uma penca de pré-candidatos a vereador, deixando o PSDB à míngua. Mas os quatro desistiram da revoada após o Supremo Tribunal Federal decidir que os mandatos parlamentares pertencem ao partido e não ao candidato.

Vôo abortado

Assim, com medo da expulsão do partido e sem poder mudar de sigla, já que o prazo para isso se encerrou no dia 4, restou aos tucanos retornarem ao ninho para — no caso dos vereadores — poder disputar a reeleição em 2008.

— Eles tentaram aliciar muita gente às vésperas de se encerrar o prazo para filiação partidária. O que eles fizeram é inadmissível. Se esse plano desse certo, o partido seria desestruturado — ataca o presidente regional do PSDB, o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha.

O quarteto será submetido ao conselho de ética do partido, podendo ser expulso ou ter a legenda negada para reeleição. Além disso, o STF ainda pode determinar a perda de mandato para os fujões.

Vereador rebate acusações

A crise tucana resultou na intervenção do diretório carioca, onde os três vereadores dissidentes ocupam cargos de direção. Do grupo na berlinda, só Luiz Antônio Guaraná falou sobre a crise. Presente à festa de filiação de Eduardo Paes no PMDB, no dia 3, Guaraná confirma o convite para mudar de partido, mas nega tê-lo aceitado.

— Não tentei cooptar ninguém nem assinei ficha de filiação. Isso não é ofensa. Fui à festa porque o Eduardo é meu companheiro de trajetória há 15 anos. Sempre estive muito confortável no PSDB, que é uma legenda bem vista pelos eleitores — defendeu-se.

Na noite de segunda-feira, o diretório regional do partido se reuniu para tratar do assunto. Guaraná e os outros três não foram chamados.

— Eles nem convocaram o Pedro Paulo, que é o secretário-geral. É como se resolvêssemos algo na Câmara sem convocar todos os vereadores — reclama Guaraná, que não descarta ir à Justiça, caso seja expulso ou não possa disputar a reeleição pelo partido.

Debandada irrita cúpula nacional

A debandada do quarteto, carregando pré-candidatos, ecoou em Brasília e irritou o presidente nacional do partido, o senador Tasso Jereissati, que considerou a saída de Eduardo Paes como um caso de alta traição. Paes também era secretário-geral do PSDB.

— A direção do partido está indignada. Ninguém teve tantas oportunidades como ele em tão pouco tempo. Esse aliciamento em massa deixaria o PSDB sem ninguém para concorrer, e isso só não aconteceu devido à decisão do STF — conta um cacique tucano.

Procurado, Paes não quis comentar o assunto. O secretário, no entanto, nunca fez segredo que pretendia vôos mais longos. Cria do prefeito Cesar Maia, de quem foi subprefeito da Barra, o secretário deixou o PFL em 2002 rumo ao PSDB. E sua ida para a equipe de Sérgio Cabral pareceu um prenúncio do que viria.

Cabral o derrotou nas urnas e o chamou para o secretariado. O convite, porém, não foi feito ao PSDB, mas ao próprio Eduardo Paes. Pré-candidato tucano à prefeitura, ele ganhou a visibilidade dada pelos Jogos Pan-Americanos contra postulantes como Corrêa da Rocha e o deputado federal Otavio Leite.