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25/01/2016 | Jornal O Globo

Eleições 2016: Crise dá fôlego para palanques de oposição

Por Maria Lima

BRASÍLIA — Estratégica para a disputa presidencial de 2018, quando os principais partidos fora da base governista acham que têm chance de ocupar o espaço do PT, a eleição municipal deste ano se tornou o foco da oposição. Essas siglas já iniciaram as articulações para tentar ter candidaturas competitivas nas principais cidades e na maioria das capitais.

Onde não há candidatos competitivos, PSDB, Democratas, PSB, PPS e SD buscam dobradinhas em palanques fortes. As convenções ainda não aconteceram, mas os pré-candidatos da oposição já começam a ser trabalhados.

Os partidos mais à esquerda, como a Rede da ex-senadora Marina Silva — que se diz independente —, também tentarão lançar candidatos próprios ou coligações nos grandes centros para dar palanque às suas apostas para governador e presidente em 2018.

Principal partido de oposição, o PSDB espera ser o grande beneficiado com a derrocada petista. O presidente tucano e provável candidato presidencial em 2018, Aécio Neves (MG), cogita montar um estúdio em Brasília, onde gravará mensagens para as campanhas de mil candidatos a prefeito em todo país. Hoje, mesmo candidatos de cidades que não têm propaganda eleitoral gratuita fazem vídeos para suas campanhas on-line.

— A crise econômica e social vai repercutir em cheio na vida das pessoas nos municípios. O povo não vai querer ver nem pintados os candidatos do PT ou de partidos que sustentam o governo da presidente Dilma. Nós vamos aumentar o número de prefeitos nas capitais e nos grandes centros com candidatos próprios ou em coligação com outros partidos da oposição — afirma Aécio.

Mapa mostra as candidaturas dos partidos de oposição nas capitais brasileiras - Editoria de Arte
As conversas sobre alianças já começaram e, como sempre, a grande dificuldade de composição acontece em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, grandes colégios eleitorais. Em São Paulo, centro do antipetismo, o PSDB não tem um candidato natural e decidiu fazer prévias em dois turnos, nos dias 28 de fevereiro e 28 de março. Até agora, estão na disputa o vereador Andrea Matarazzo, o apresentador João Dória Jr. e o deputado Ricardo Trípoli. O governador Geraldo Alckmin, maior cabo eleitoral do estado, promete apoiar o candidato que vencer:

— O governador reafirmou que irá respeitar o resultado das prévias — disse o secretário-geral do PSDB, deputado Silvio Torres (SP).

No Rio de Janeiro os partidos de oposição buscam uma frente de legendas anti-PMDB com um candidato próprio, e avaliam um grande leque de nomes: o deputado Indio da Costa (PSD), o senador Romário (PSB), o secretário estadual de Transportes, Carlos Osório, que está no PMDB, o economista Sérgio Besserman, o ativista José Júnior, o humorista Marcelo Madureira e o deputado Otavio Leite.

— Há uma predisposição nossa de fazer uma frente de forças para ter uma chapa competitiva e fazer um contraponto forte com o PMDB de Eduardo e Pezão, que é hoje o mais “dilmista” do país, de fazer inveja aos quadros do PT tamanha a paparicação da presidente — diz Otavio Leite.

REDE CONVERSA COM PPS E PV

A ex-senadora Marina Silva reuniu no fim de semana passado o comando de sua Rede Sustentabilidade, em Brasília, para começar a estruturar uma comissão eleitoral. Ela precisa ter palanques fortes nas capitais, mas, por enquanto, tem apenas um nome competitivo, o do deputado Alessandro Molon, para a prefeitura do Rio. O candidato abriu conversas em busca de apoio com PPS e PV.

Líder do partido no Senado, Randolfe Rodrigues (AP) pode ter problemas com Marina, já que defende alianças com quase todo o arco partidário, menos com o PMDB e outros partidos “muito enrolados” na Operação Lava-Jato. Isso pode contrariar o discurso da nova política da ex-ministra.

— Um partido que quer ter uma candidata a presidente da República em 2018 não pode se dar ao luxo de não ter candidatos próprios ou coligados em todas as capitais e grandes cidades. Temos que buscar identidade programática, mas a princípio não tem restrição. Veto só ao PMDB. O PT, por exemplo, não será um aliado preferencial, mas não podemos descartar — diz Randolfe.

EM BH, REEDIÇÃO DE ALIANÇA

Em Belo Horizonte, a única certeza é que o PSDB de Aécio e o PSB do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, reeditarão a aliança que garantiu as duas eleições do atual prefeito. Com a derrota de seu candidato a governador em 2014, o ex-ministro Pimenta da Veiga, Aécio quer usar a disputa em Belo Horizonte para recompor suas forças em sua base eleitoral. E sabe que não pode errar na escolha do candidato.

Embora Lacerda tenha preferência pelo nome técnico do seu secretário de Obras e Infraestrutura, Josué Valadão, o PSDB desta vez quer indicar a cabeça de chapa. Até este momento, o deputado estadual João Leite (PSDB), que é bem quisto por Márcio Lacerda, desponta como favorito.

Parceiros preferenciais, Democratas e PSDB podem disputar entre si em algumas capitais, como Porto Alegre e Goiânia. Na capital gaúcha, o DEM lançará o deputado Onyx Lorenzoni e o PSDB, o deputado Nélson Marchezan Jr.

— Manuela, do PCdoB, está liderando as pesquisas. Mas temos certeza de que, em Porto Alegre, vai vencer um candidato da oposição e Onyx Lorenzoni está bem colocado. Vou lutar para ter uma composição com o PSDB. No país inteiro vamos fazer um jogo de toma lá, dá cá para alcançar candidaturas mais competitivas na oposição — diz o presidente do DEM, senador José Agripino (RN).

Em Goiânia, assim como em São Paulo, o PSDB realizará prévias para escolher entre os deputados Delegado Valdir e Giusepe Vechi. Será difícil uma composição com o Democratas, já que o líder Ronaldo Caiado (DEM) e o governador Marconi Perillo estão rompidos.

— Em Goiânia, o Democratas vai de Íris Rezende, do PMDB. Ele tem idade, mas também muita disposição para mais uma disputa. O Paulo Garcia, do PT, destruiu Goiânia — diz Caiado.

De olho em 2018 quando disputará com candidato próprio, o PSB do ex-governador Eduardo Campos quer aumentar os três prefeitos de capitais que já tem hoje.

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, disse que o partido já tem pré-candidatos próprios em pelo menos 14 capitais.

— Todas competitivas! Em sua grande maioria bastante competitivo. Claro que um ou outro poderá compor, mas a grande maioria confirmará candidatura. As alianças serão as mais variadas. No entanto, penso que é cedo para falar em coligação neste momento.

— Faremos muita questão de disputar várias cidades grandes e capitais contra o PT. 2016 é estratégico. Vamos entrar firmes nas eleições de capitais grandes e médias cidades. No Nordeste, disputaremos todas as capitais — diz Beto Albuquerque, ex-vice de Marina e um dos nomes do PSB para 2018.