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19/09/2003 | Jornal O Globo

Erro caro em emissário: R$ 6 milhões

Em janeiro do ano passado, depois de o projeto do emissário estar pronto e licitado, a Cedae descobriu as conseqüências da falta de um estudo do solo na região: havia uma pedra no meio do caminho. Mas os técnicos, à época, não perceberam as reais dimensões do obstáculo, na verdade um imenso bloco de arenito.

Ontem, um ano e oito meses depois, o tamanho do erro foi revelado durante audiência pública na Assembléia Legislativa: a rocha tem aproximadamente 500 metros de comprimento e 25 metros de largura contra cerca de 100 metros que se imaginava que tivesse. Resultado: aumento do custo da obra.

Para prosseguir com a instalação do emissário, a Cedae encaminhou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) um pedido de dispensa de licitação de R$ 6 milhões, o que permitirá implodir o obstáculo.

Deputado pede laudo sobre tamanho da rocha de arenito

O pedido despertou suspeitas do deputado Otavio Leite (PSDB), presidente da Comissão Pró-Emissário da Barra. Para o parlamentar, um problema tão grande deveria ter sido detectado anteriormente:

— Pedi à Cedae e ao TCE os laudos dos estudos feitos sobre a rocha de arenito. É no mínimo estranho que o problema, detectado no ano passado, não tenha sido dimensionado de forma correta.

Segundo o parlamentar, a revelação do tamanho do problema foi feita na audiência pelo diretor-técnico da Cedae, Roney Moreira.

— Ele explicou que o bloco de arenito é uma beach rock (rocha de praia) e que, sem a remoção do obstáculo, a conclusão do emissário não poderá ser feita — disse Leite.

De acordo com o técnico, não adiantaria a Cedae ter deslocado a construção do píer para evitar o arenito:

— Segundo o Roney Moreira, esse tipo de formação rochosa se estende por toda a orla da Barra.

Mas não é só a descoberta do real tamanho do bloco de arenito que preocupa os integrantes da comissão. Novos atrasos na obra podem custar ainda muito mais caro, segundo Otavio Leite:

— Tenho um estudo em mãos que atesta a vida útil do píer. E essa vida útil se extingue no próximo verão. Se as obras não forem concluídas logo, será necessário construir um novo píer.

Ainda de acordo com o parlamentar, o atual píer custou R$ 15 milhões aos cofres públicos. Um novo atraso pode representar, na verdade, um gasto adicional de R$ 21 milhões (R$ 6 milhões para destruir a pedra e R$ 15 milhões para um novo píer).

Para o vice-governador e secretário estadual de Meio Ambiente, Luiz Paulo Conde, a rocha não é problema.

— Fizemos os estudos que não foram feitos em nove meses do governo anterior, o TCE já aprovou a dispensa de licitação e o emissário estará concluído em fevereiro de 2004 — assegurou Conde.

Ele afirma que a segurança do píer é garantida até agosto do ano que vem e defende até a sua permanência na paisagem.

— Com um reforço estrutural ele pode durar a vida toda. Seria até melhor, um diferencial na paisagem e que também possibilitaria melhores ondas na região — diz.