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24/04/2002 | Jornal Extra

Feriado começou mais cedo

Maioria dos vereadores aproveita homenagem a São Jorge e emenda a folga com o fim de semana

O feriado de São Jorge é hoje, mas para 31 dos 42 vereadores do Rio o dia de descanso e devoção começou no sábado. Até mesmo o vereador Jorge Babu, autor da lei que criou o feriado, decidiu esticar o fim de semana. Nem ele, nem os funcionários de seu gabinete apareceram para trabalhar.

Assim como o de Babu, outros gabinetes estavam com as portas trancadas desde cedo. Nos corredores vazios, um cartaz colado na porta do gabinete do vereador Luís Carlos Aguiar chamava a atenção. O papel informava que todos estavam em atividades externas.

Em outros 14 gabinetes, poucos funcionários se revezavam para atender o telefone e repetir “só na quarta-feira” quando o vereador era solicitado. Dos 11 que foram trabalhar, o mais indignado com a falta de profissionalismo dos colegas era justamente o vereador que recebeu menos votos (8.995) na eleição: Ricardo Maranhão.

— Os vereadores são pagos para trabalhar, mas cada um sabe a responsabilidade que tem. Eu respondo a todas as cartas e dou atenção aos que me procuram. Este é o papel do vereador — disse Maranhão que criticou o sistema de presença.

— O sistema deveria ser semelhante ao da Assembléia Legislativa. Lá, quando há votações, o controle de freqüência é feito por um painel eletrônico. Se o deputado estiver presente e não votar, ele leva falta e é descontado na folha de pagamento. Aqui, os vereadores assinam um livro de presença. Muitas vezes o livro tem 36 assinaturas e na hora da votação o plenário está vazio.

A petista Jurema Batista também lamentou a má sorte dos eleitores e criticou os vereadores faltosos.

— Coitado do povo. Somos pagos para trabalhar. Todos deveriam estar aqui hoje. Isso é uma vergonha, mas cada um sabe o que faz.

Sem discutir o mérito do feriado ou mesmo os poderes do santo guerreiro, o vereador Otavio Leite fez coro:

— Hoje (ontem) é um dia normal para mim. Aproveitei para resolver uns problemas.

QUEM TRABALHOU:

Alexandre Cerruti (PFL), Edson Santos (PT), Eliomar Coelho (PT), Fernando Gusmão (PCdo B), Gerson Bergher (PFL), Jurema Batista (PT), Marcelino D´Almeida (PFL), Otavio Leite (PSDB), Pedro Porfírio (PDT), Ricardo Maranhão (PSB), Rodrigo Bethlen (PV)