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03/12/2004 | Jornal Commercio

FHC pede menos marketing

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diminuiu a intensidade das críticas que fez nesta semana ao Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas não deixou de cobrar, sem citar nomes, mais eficiência das políticas sociais.

- Estamos começando a enfrentar a questão social, mas com um conjunto de políticas que precisam ser vistas de maneira menos de marketing e mais de eficiência - disse FHC, que rejeitou a sugestão do ex-governador Marcello Alencar de se candidatar novamente à Presidência.

O ex-presidente foi homenageado ontem com a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O local escolhido para a cerimônia foi um dos pontos turísticos mais famosos do Rio: o Pão de Açúcar. O responsável pelo evento que levou parte da cúpula tucana ao principal cartão postal do Rio e autor do projeto que colocou o ex-presidente na lista dos agraciados com a comenda mais importante da cidade foi o vice-prefeito eleito Otavio Leite. Ele defendeu a gestão de Fernando Henrique e criticou promessas de campanha não-cumpridas pelo PT.

Ex-presidente cobra as convicções do PT

Apesar de ter afirmado que decepcionaria a imprensa por ´não falar mal de governo nenhum´, Fernando Henrique minimizou o papel do Governo federal na situação macroeconômica do País e acusou adversários políticos de esquecerem suas convicções .

- Se alguma coisa posso dizer que fiz cumprir é que não me afastei das minhas convicções. Quando mostrava minhas convicções, me criticavam. E outros que atribuíam a mim convicções que nunca foram minhas, quando chegam ao poder, cadê as convicções? Evaporam, eram inconsistentes, não tinham - analisou.

Para o ex-presidente, o principal desafio de um governo é implementar um conjunto de políticas capaz de melhorar as condições de vida da população. A outra parte seria o estabelecimento de regras que permitam o desenvolvimento econômico a partir da iniciativa da classe empresarial, cujo sucesso está relacionado com a situação da economia global:

- Aí, o que o político tem que fazer é não atrapalhar. É criar condições que sejam favoráveis para que as pessoas possam avançar. A capacidade que se tem hoje efetivamente de tomar decisões que impliquem em um certo caminho é muito limitada. Depende do mundo.

Em um discurso rápido e emocionado, o ex-governador Marcello Alencar - que ainda se recupera de um derrame cerebral sofrido em 2002 - elogiou as realizações do Governo FHC e sugeriu que ele disputasse novamente o cargo que ocupou durante oito anos. O ex-presidente respondeu à proposta, em sua fala:

- Temos muita gente que poderá carregar essa bandeira, com o meu apoio.

Vice eleito faz duras críticas ao Governo

Diferentemente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o vice-prefeito eleito Otavio Leite usou um tom agressivo para criticar a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Leite, deputado estadual pelo PSDB, a administração petista está demonstrando a diferença entre o ´discurso eleitoral e a prática governamental´.

- O Governo se jacta de um horizonte promissor na economia, que todos queremos, mas cujos fundamentos foram alicerçados no Governo de Fernando Henrique Cardoso - disparou.

O vice-prefeito eleito afirmou que as promessas de geração de dez milhões de empregos e o aumento de 100% do salário dependeriam de um nível de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na faixa de 22% - quase quatro vezes maior do que o registrado este ano. Também criticou duramente o programa Fome Zero.

Leite destacou o papel do ex-presidente na ´consolidação da democracia, na discussão da função e do tamanho do Estado, e na implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal

(LRF)´. Ele lembrou ainda que tentou em outras duas oportunidades marcar a homenagem, mas problemas de agenda impediram que o evento fosse realizado.

- Na terceira vez, quando conseguimos, tinha que ser um lugar que representasse a importância de Fernando Henrique para a população brasileira - explicou.

Também estiveram presentes à cerimônia os deputados estaduais tucanos Luiz Paulo Corrêa da Rocha e Alberto Paes, o secretário de Relações Internacionais do partido, Márcio Fortes, o membro da executiva nacional Artur da Távola, o ex-ministro da Cultura, Francisco Weffort, o presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Marcílio Marques Moreira, e o presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz.