Seu browser não suporta JavaScript!

03/03/2010 | Jornal da Câmara

Governo e oposição discordam sobre fortalecimento da estatal

Para o governo, avanço. A Petrobras será fortalecida e capacitada a cumprir papel estratégico na construção de um futuro melhor para o povo brasileiro.

Para a oposição, retrocesso. A estatização da economia e o poder financeiro da União vão aumentar, em detrimento de estados, municípios, empresas privadas e pequenos investidores.

Assim, as forças políticas se dividiram ontem durante a votação do projeto de capitalização da Petrobras.

Líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP) lembrou que a Petrobras descobriu o pré-sal, é líder mundial em tecnologia de extração de petróleo em águas profundas, atua sob controle público e, portanto, tem todas as condições, a partir da capitalização, de tornar o Brasil grande produtor de energia.

Já o líder do PSDB, João Almeida (BA), criticou o projeto classificando-o como “mais um passo na política do PT para ampliar a estatização da economia”. Segundo ele, a nova lei já está produzindo efeitos negativos: as licitações de áreas de exploração de petróleo, disse, estão paralisadas há mais de dois anos.

Para João Almeida, a capitalização poderia ser feita de outra forma, com chamadas de capital, nacional e estrangeiro, em tranches de menor valor, para o mercado ir absorvendo aos poucos. “Como é uma megacapitalização, feita de uma só vez, ela pode sugar todo o potencial de investimento do mercado brasileiro de capitais, impossibilitando a capitalização de empresas de outros setores”, previu.

Novo momento - O líder do PT, Fernando Ferro (PE), qualificou a votação de histórica. “Estamos criando condições para que o petróleo descoberto pela competência da Petrobras se transforme em riqueza de todo o povo brasileiro e contribua para um novo momento do desenvolvimento do País”, comemorou.

Segundo Ferro, no governo Lula a Petrobras atringiu patamar de responsabilidade que a coloca entre as empresas mais capazes do mundo. “A matriz do discurso contra a Petrobras vem dos que queriam privatizá-la em passado recente, dos que acham que ela é uma empresa como qualquer outra, que pode ser entregue ao mercado”, analisou.

Para José Carlos Aleluia (DEM-BA), além de retrocesso, o projeto ameaça a democracia. “A centralização aumenta o poder de corrupção da União, é um modelo escravizador, que limita a liberdade das pessoas”, sustentou Aleluia, acusando o governo de estar imitando Venezuela, Cuba e Irã.

Otavio Leite (PSDB-RJ) detectou no projeto “duas gravissimas injustiças”: o cerceamento do trabalhador, impedido de usar o FGTS para adquirir ações, e o “estupro inaceitável” do Rio de Janeiro, que, pelas contas dele, vai perder R$ 22 bilhões por não receber participação especial.

Já a líder do PCdoB, Vanessa Grazziottin (AM), disse que o governo federal acertou na proposta, “que traz uma expectativa extraordinária para a população brasileira”, enquanto Miro Teixeira (PDT-RJ) lembrou que a Petrobras desmentiu os prognósticos de que não haveria petróleo no Brasil. “Nenhum brasileiro pode ser contra uma política governamental de apoio à Petrobras”, destacou.