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24/05/2011 | Jornal Valor Econômico

Guerra e Aécio cortejam deputados candidatos

Com o objetivo de nacionalizar a legenda para o projeto presidencial de 2014, o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), em articulação com o senador Aécio Neves (MG), sinalizou o apoio à candidatura a prefeito de 15 deputados federais fora do eixo São Paulo-Minas nas eleições de 2012. Também assegurou que um parlamentar de fora desses dois Estados terá lugar na executiva nacional a ser escolhida no fim de semana.

Com isso, Guerra conseguiu garantir o apoio maciço da bancada federal do PSDB na convenção de sábado, principalmente entre os que reivindicam maior espaço na legenda e maior foco nas eleições municipais do ano que vem. Dos 15 municípios de onde esses deputados são oriundos, houve candidatura própria em apenas quatro deles nas eleições de 2008.

"Essa possível disputa entre paulistas e mineiros não soma, só nos enfraquece. O PSDB não é só Minas e São Paulo. Tem o resto do país com voz, mandato e pessoas. Muitas vezes ficamos nessa discussão São Paulo e Minas, quando o foco, ao nosso ver, tem quer primeiro na eleição municipal. A eleição de 2014 passa pela de 2012", disse o deputado Reinaldo Azambuja (MS), pré-candidato a prefeito de Campo Grande.

Ele afirma que, nesse sentido, é relevante que a bancada federal tenha algum integrante na executiva que ajude a pensar o partido a partir da visão dos outros Estados. "A executiva tem que ser plural e coerente e deve ser composta também por quem tenha um pensamento mais nacional". Azambuja disse que esse grupo de deputados que defende maior participação não é "nem pró-Serra nem pró-Aécio", embora avalie que o partido não possa aceitar vetos a nomes: "Não se constrói unidade vetando alguém."

Nessa mesma linha, o pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro, deputado Otavio Leite (RJ), avalia que a legenda precisa "gastar mais tempo com o Brasil" e que isso passa por 2012. "O partido tem que ser muito maior do que o "café-com-leite". É necessária uma estratégia clara de crescimento e isso passa pelas candidaturas a prefeito no maior número possível de cidades. Não tem cabimento o PSDB não ter feito deputados em alguns Estados. Precisamos criar novos espaços e crescer em outros", disse.

Para conseguir isso, um desafio de Guerra para sua próxima gestão - se for reeleito - é forçar a candidatura própria sobre os tradicionais aliados. Em alguns municípios, isso já está certo. Caso de Campo Grande, onde Azambuja trabalha para se descolar do PMDB, com o qual se aliou e venceu em 2004 e 2008, com Nelsinho Trad. Para tanto, já há conversas com o DEM e o PPS, partidos de oposição a Dilma Rousseff. No Rio de Otavio Leite, a última candidatura própria foi de Ronaldo Cezar Coelho, em 2000, e a tentativa para 2012 é atrair o DEM, que se articula com o PR de Anthony Garotinho.

Há Estados, contudo, em que existe forte pressão por alianças com outros partidos, como em Salvador, onde os pré-candidatos ACM Neto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB) querem compor com os tucanos e Recife, onde os pemedebistas sonham em reeditar a aliança de 2008.