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16/07/2014 | Rádio CBN

Há 13 anos, o atual ministro do Esporte, Aldo Rebelo, denunciava a falência do futebol brasileiro

por Brunno Melo

"Existe consenso de que sem uma modificação profunda em sua estrutura o futebol brasileiro estará fadado a conhecer crescentes dificuldades e descrédito."

A frase bem que poderia ter sido dita depois da derrota de 7 a 1 do Brasil para a Alemanha, mas é apenas um trecho do relatório final da CPI da CBF/Nike, comandada em 2001 pelo atual ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Ou seja, há 13 anos já havia o prognóstico de fracasso do nosso futebol e nada foi feito para mudar a realidade. E não foi por falta de ideias.

Além da previsão catastrófica e denúncias de corrupção contra as entidades investigadas, como a CBF, o documento assinado pelo relator da comissão, Silvio Torres do PSDB, endossado pelo então deputado Aldo Rebelo, fez uma série de recomendações com o objetivo de evitar o vexame.

Propostas agora defendidas pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro do Esporte Aldo Rebelo, como sendo a salvação, já estavam no texto. Dilma, em entrevista recente à rede de TV americana CNN, defendeu uma renovação do futebol brasileiro que, segundo ela, deveria parar de ser apenas um exportador de jogadores para times estrangeiros. O relatório da CPI já sugeria uma lei para que os novos atletas sejam obrigados a fazer o primeiro registro profissional no Brasil. Durante a Copa, no entanto, Aldo e Dilma, ajustaram o discurso conforme o desempenho da seleção. Enquanto o Brasil estava ganhando e avançava, o ministro esqueceu as críticas. Depois, com a derrota, resgatou o discurso de mudança. Aldo defendeu uma intervenção indireta do governo no futebol e mudanças nas entidades que administram o esporte. A opinião também não é nova, apesar de não ter saído do papel durante todo o tempo em que o ministro esteve à frente da pasta. No relatório, a CPI sugere a criação de uma nova Lei do Desporto. Segundo o texto: "a legislação acabaria de vez e de forma radical com a ideia de que o esporte profissional é uma área reservada à competência exclusiva de confederações, federações e clubes e de que cabe ao estado cuidar apenas das sobras, da periferia".

Outro exemplo do pouco empenho do governo para reformar o futebol é o posicionamento em relação a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. A proposta que tramita no Congresso estabelece regras para a renegociação das dívidas dos clubes. Os times se comprometeriam a honrar os compromissos e divulgar balanços anuais e, em caso de atrasos, poderiam até ser punidos com rebaixamento nas competições. O relator do texto, Otavio Leite do PSDB, afirma que a norma não avança por culpa do executivo.

Por pressão dos cartolas, a CPI da CBF/Nike foi encerrada sem a votação do relatório final. O texto pedia o indiciamento de 12 pessoas, entre elas o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Aldo Rebelo e Silvio Torres acabaram lançando um livro com os textos da comissão. A publicação, no entanto, foi censurada pela Justiça, que determinou o recolhimento do material em circulação a pedido de Teixeira.

Ouça a reportagem: http://goo.gl/HrAvkJ