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17/07/2008 | Agência Tucana

Homenagens marcam um ano após morte de Redecker

Uma das 199 vítimas do acidente com o airbus da TAM ocorrido há exatamente um ano em Congonhas, o deputado Júlio Redecker (RS) será homenageado hoje em São Paulo e no Rio Grande do Sul, sua terra natal. Até domingo, a Associação dos Familiares das Vítimas da TAM - JJ 3054 (Afavitam) promoverá uma série de atividades em memória dos que morreram no maior acidente da aviação civil brasileira.

MISSA

Os parentes das vítimas se reunirão hoje, às 18h30, mesmo horário do acidente, no terreno onde estava o galpão da TAM Express, que foi destruído pelo avião. O terreno foi doado à Prefeitura de São Paulo para a construção de uma praça ou de um memorial. Nesse horário, será feito um minuto de silêncio. Após o ato, haverá um culto ecumênico com o padre Juarez de Castro, o pastor luterano Hermman Wille e o capelão da Aeronáutica Marcelo Coelho. Além desses, o tenor Rinaldo Viana e a soprana Giovanna Maira também irão homenagear as vítimas. Em Porto Alegre, cidade de origem do vôo, haverá missa na Catedral Metropolitana, também às 18h30.

Familiares de Redecker acompanharão a cerimônia na capital paulista. Em Taquari (RS), cidade onde ele nasceu, haverá uma sessão solene na Câmara de Vereadores. Lucas, filho do deputado, representará a família.

As homenagens se estendem durante todo o fim de semana. Amanhã os familiares das vítimas se reunirão com autoridades para serem informadas sobre os andamentos do inquérito da Polícia Civil de São Paulo e do laudo do Instituto de Criminalística a respeito da tragédia. O arquiteto Ruy Ohtake também discutirá com os parentes um projeto de memorial para as vítimas a ser construído no local do acidente.

Às 11h de sábado, haverá um ato cívico na praça da Sé, no qual os familiares levarão arranjos de flores ao altar. Após o gesto, o cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, celebrará uma missa. No domingo, na Sala São Paulo, ocorrerá uma apresentação de um coral seguida de um ato de agradecimento às pessoas que se solidarizaram e ajudaram os familiares da vítimas.

PERDA IRREPARÁVEL

Nesta quinta-feira, parlamentares do PSDB lembraram do então líder da Minoria e lamentaram a falta que ele faz no Congresso. ´O Rio Grande do Sul perdeu um grande filho e o Brasil, um grande homem público. Tive o privilégio de contar com Redecker em muitas lutas. Entre elas, a que permitiu a instalação da CPI do Apagão Aéreo. Era um homem firme, transparente, sem meias palavras e muito preocupado com o desenvolvimento econômico do Brasil´, afirmou o deputado Otavio Leite (RJ).

´As vidas perdidas, inclusive do amigo e deputado Júlio Redecker, são irreparáveis. É difícil até de comentar. Mas considero importante repensar o setor aéreo´, alertou o deputado Gustavo Fruet (PR). O deputado apontou uma série de problemas no setor, como a indefinição sobre o papel da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a falta de investimentos de médio e longo prazo. ´É como se o governo estivesse armando uma bomba relógio, prestes a explodir. Algumas soluções passam obrigatoriamente pelo descontingenciamento do Fundo Aeronáutico e mais investimentos pela Infraero. Caso contrário, estaremos sempre lamentando as tragédias e lidando com o irreparável´, reiterou o tucano.

MEMÓRIA

Júlio César Redecker morreu aos 51 anos. Gaúcho de Taquari (RS), ele exercia seu quarto mandato como deputado federal. Foi líder da Minoria na Câmara e era um dos políticos mais influentes da Casa e uma voz de oposição firme e constante ao governo Lula. Sempre bem humorado e cordial, era um dos parlamentares mais queridos no parlamento e no meio político. Advogado e empresário do setor coureiro-calçadista, foi um dos deputados mais atuantes na luta travada contra o governo petista para instalar a CPI do Apagão Aéreo, criada somente após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em março último.

O deputado filiou-se ao PSDB em 2003, após dar sustentação ao governo Fernando Henrique durante seus oito anos de mandato e também por acreditar que a social-democracia ainda faria muito pelo Brasil e pelo Rio Grande do Sul. Foi presidente da Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, além de vice-líder do partido em 2003 e em 2006. Naquele ano, teve votação destacada ao receber o apoio de mais de 157 mil eleitores. Foi o deputado federal mais votado da coligação ´Rio Grande Afirmativo´, que elegeu a também tucana Yeda Crusius a primeira governadora do estado.