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16/05/2012 | Jornal O Globo

Hotéis 3 estrelas cobram diárias de estabelecimentos de luxo

Por Ludmilla de Lima

RIO - O público da Rio +20 que deixou para reservar hotéis na última hora, visando à reunião de cúpula da ONU — de 20 a 22 de junho — terá que abrir a carteira. Em grandes sites de reserva de hospedagem, ontem, as diárias disponíveis em hotéis de três e quatro estrelas na Zona Sul equivaliam às de estabelecimentos de alto padrão. No Booking.com e no Hoteis.com, não havia mais vagas em cinco estrelas, cujo preço estabelecido pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio (ABIH-RJ) para a conferência é de R$ 1.056 o quarto duplo, sem a taxa de administração cobrada pela agência oficial da Rio +20, a Terramar.

O Hotel Bandeirantes, três estrelas, não fica na concorrida orla de Copacabana, nem perto do Riocentro, sede do encontro da ONU. Um dos poucos na cidade com vagas para 20 de junho, o estabelecimento, na Rua Barata Ribeiro, oferece no site Booking.com diárias de R$ 960 (single), R$ 1.050 (duplo) e R$ 1.350 (triplo). Hotéis de quatro estrelas também em Copacabana estão cobrando entre R$ 853 e R$ 1.180, para a mesma noite, no Booking.com. Já o preço da ABIH para a categoria é de R$ 687, sem a comissão da Terramar.

O presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes, disse que durante uma reunião, nesta terça-feira, em Brasília, ficou acertado que um grupo formado por representantes da Terramar e do governo federal, incluindo a Embratur, a Casa Civil, os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, virá nesta quarta-feira ao Rio para negociar os descontos diretamente com os hotéis. A partir das 11h, haverá sucessivos encontros, no Rio Othon, para discutir com os empresários do setor a redução das tarifas, que ocorrerá com o fim da taxa de administração da agência. Ainda não foi divulgado quantos quartos que estavam bloqueados poderão ser liberados.

Nesta terça-feira, no Hoteis.com, o Atlântico Praia, de padrão três estrelas, na Avenida Atlântica, era o único disponível no bairro para o dia 20. O preço saía a R$ 1.254 ou R$ 1.423 (duplo).

Localizado no acesso à favela do Pavão-Pavãozinho, na Ladeira Saint Roman, o hotel-butique Casa Mosquito está lotado há seis meses para as datas da conferência, com uma diária de R$ 1.200. Sócio do estabelecimento, o francês Benjamin Cano explica que o preço é de alta temporada, o mesmo de réveillon e carnaval. O valor é o dobro da diária cobrada em períodos de baixa procura.

A Terramar informou na segunda-feira que vai liberar para os hotéis as vagas que não foram reservadas para o período de 12 a 19 de junho, de preparação da conferência. A pedido do governo brasileiro, a agência havia bloqueado 10 mil quartos de alto padrão no Rio para o evento, que acontecerá de 13 a 22 de junho.

Negociação direta promete baixar diárias

A comercialização direta com os hotéis deve baratear as diárias em até 33%, segundo cálculos da ABIH-RJ, já que a taxa de administração deixará de ser cobrada. A agência diz que pratica a média do mercado, de 25%. Mesmo com a liberação dos quartos, a empresa ainda receberá 10% do valor das diárias. A ABIH-RJ planeja negociar com os estabelecimentos descontos especias para o período da Rio +20.

- A Terramar tem que devolver as diárias que não vendeu, que ninguém sabe quantas são. Isso para que a gente possa avaliar e negociar os descontos, hotel por hotel - diz o presidente da ABIH, Alfredo Lopes.

A licitação do Itamaraty vencida pela Terramar é alvo de um requerimento do deputado federal Otavio Leite (PSDB), que entrou ontem com um pedido de informações do governo federal sobre o contrato. Ele diz estranhar a taxa de administração cobrada sobre o valor das diárias.