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22/07/2010 | Jornal Valor Econômico

Indio volta a desafiar Dilma a responder sobre as Farc

Por Paola de Moura e Rafael Rosas

Em campanha no Rio, ontem, o candidato à Presidência do PSDB, José Serra, virou coadjuvante do seu candidato a vice, o deputado federal Índio da Costa (DEM). Novamente Índio atacou a candidata do PT, Dilma Rousseff, desta vez com mais ênfase. Visivelmente alterado por conta das acusações feitas pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, de que era despreparado, Indio disse que entrou na campanha para falar o que pensa e que Dilma é quem tinha que responder se o governo teria ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Em meio a uma caminhada no centro da Taquara, bairro da Zona Oeste do Rio, Indio reuniu a imprensa para falar do assunto. "Tem mais algum repórter aí? Chama todo mundo que eu vou falar só uma vez", pediu o candidato. "A pergunta que até agora não foi respondida e que a Dilma tem que responder é se o PT tem ou não ligações com as Farc", frisou Indio, acrescentando que a adversária também deveria dizer se há ligações das Farc com o narcotráfico. "O que eu vejo é que infelizmente a gente mora no meio de uma guerrilha urbana alucinada por causa do narcotráfico. Qual a opinião da Dilma sobre isso?", completou, referindo-se ao Rio.

O deputado ainda lembrou o caso da quebra de sigilo bancário o vice-presidente do PSDB Eduardo Jorge Caldas Pereira. "Chega a ser ridículo eles falarem em processo e em baixar o nível da campanha. Será que ela acha legal e que merece respeito quebrar o sigilo bancário e fiscal de um cidadão brasileiro? Será que isso é baixar o nível da campanha?", indagou Indio.

Inicialmente o corpo-a-corpo na Taquara era só mais uma forma de gerar um fato político para Serra, que foi ao Rio dar entrevista fechada à TV Brasil e depois participar de um evento de apresentação do projeto das Olimpíadas de 2016 no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), na Barra da Tijuca.

No entanto, percebendo que o evento no COB não tinha gerado muita notícia, já que Serra se negou a falar de outro assunto a não ser esporte, os assessores, liderados pelo deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ), providenciaram a caminhada na Taquara, bairro próximo à Barra, onde há um comitê de campanha. Além disso, Serra havia passado por constrangimentos, já que o presidente do comitê, Carlos Arthur Nuzman, exibiu imagens da vitória da campanha olímpica, com várias cenas do presidente Lula, do governador e do prefeito do Rio, Sérgio Cabral e Eduardo Paes, todos opositores do candidato do PSDB. Rapidamente cabos eleitorais foram mandados para região levando mais de 20 faixas e galhardetes.

Antes de sair para a caminhada, Índio já havia falado sobre a reação do PT as suas declarações. "O PT é que está nervoso. Tem que ver com eles lá", disse o candidato, acrescentando que já colocou os documentos que comprovariam as ligações do partido com as Farc no Twitter. Segundo Indio da Costa, mais de 1,5 milhão de pessoas já teriam acesso a esses documentos via microblog. "Isso é público, é conhecido", se referindo aos links sobre reportagens feitas pelos jornais "Gazeta do Povo", de Curitiba, e da revista "Cambio", que publicou no site.

No entanto, entre o COB e a Taquara, Indio da Costa foi informado de que o PT protocolou ontem no Tribunal de Justiça do Distrito Federal uma ação civil por danos morais contra ele e o PSDB. O partido também já havia protocolado uma ação criminal por difamação e injúria no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Procuradoria Geral da República contra Índio e uma ação eleitoral contra o PSDB, exigindo direito de resposta no site do partido.

De qualquer forma, para a campanha de Serra, falar sobre segurança no Rio é providencial já que o tema continua sendo a principal preocupação da população. As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) estão em apenas algumas favelas da Zona Sul e Tijuca e a população tem mostrado seu temor nas pesquisas qualitativas.