Seu browser não suporta JavaScript!

14/12/2012 | Jornal O Globo

Iphan dará até o fim do ano parecer sobre píer em Y

Por Isabel Braga

BRASÍLIA — O Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) deverá apresentar, até o fim do ano, um parecer sobre o impacto da construção do píer em Y, no porto do Rio, sobre bens tombados, como o Mosteiro de São Bento. A informação foi dada nesta quinta-feira pelo diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do instituto, Andrey Rosenthal Schlee. O órgão poderá embargar a obra se considerar que o paredão de navios que será formado no local atrapalha a visão do mosteiro, do Edifício de Docas Dom Pedro II ou do Morro da Conceição. A polêmica sobre a construção do píer em Y foi debatida ontem em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Vista da ponte será levada em conta

Segundo Schlee, a obra da base do píer em Y, em si, não causa impacto, mas sim os navios que irão atracar no local. O parecer levará em conta, por exemplo, o tamanho e o número de embarcações que ficariam no local, entre outros itens.

— Os navios não devem ultrapassar a altura do Museu do Amanhã (que ficará a 500 metros do píer). A base do píer em Y não causa impacto. Certamente o que pode causar impacto é a presença dos navios — disse Schlee.

O diretor do Iphan explicou que a visão que será levada em conta não é a das janelas do mosteiro, mas como o bem é visto do píer, de navios, de ilhas no mar ou mesmo por quem está dirigindo na Ponte Rio-Niterói.

Jorge Luiz de Mello, diretor-presidente da Companhia Docas, que pretende construir o polêmico píer, defendeu o projeto e afirmou que o impacto visual será menor com a nova obra do que o existente hoje, com os navios atracando mais próximos da região da Praça Mauá. Segundo Mello, a licitação para a construção do píer já foi feita, mas Docas resolveu esperar o parecer do Iphan para assinar o contrato com o consórcio vencedor da licitação.

— Quem estiver no Mosteiro de São Bento terá, sim, a visão da ponte Rio-Niterói afetada, mas a área de influência é pequena. É necessário relativizar esse impacto do entorno, levar em conta que o navio fica ali temporariamente — disse Mello.

O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que propôs o debate na Câmara, questionou o presidente de Docas sobre a real necessidade de construção do píer. Navios atracados no local serviriam de hospedagem para as Olimpíadas de 2016. O deputado também indagou se não seria possível construir o píer em um local mais afastado, que não fique na área que está sendo revitalizada.

Jorge de Mello afirmou que a obra está orçada em R$ 250 milhões, e que o deslocamento do píer para uma outra área implicaria fazer um novo canal de navegação, que custaria pelo menos R$ 400 mil. Para Otavio Leite, ainda é preciso maior debate sobre a questão. Órgãos ligados ao patrimônio têm feito críticas ao projeto de Docas.