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25/03/2011 | Blog da Bancada do PSDB na Câmara e no Senado

Leite alerta para prejuízos que interferência do governo pode trazer à Vale

Otavio Leite alerta para prejuízos que interferência do governo pode trazer à Vale

Na avaliação do deputado Otavio Leite (RJ), a postura do governo federal na troca da presidência da Vale pode trazer muitos prejuízos para a empresa e para o Brasil. Para o tucano, o processo de “reestatização” da mineradora é preocupante. Efeitos colaterais da investida do Planalto para trocar o principal executivo da companhia, Roger Agnelli, já podem ser observados: na quinta-feira, por exemplo, os papéis preferenciais da mineradora sofreram nova queda.

Empresários, executivos do setor e analistas de investimentos já alertaram que a ingerência estatal sobre a Vale pode comprometer a capacidade de competição da segunda maior mineradora do mundo e afetar até mesmo a percepção do Brasil no exterior. Diante deste cenário, Otavio Leite criticou a tentativa de manipulação política no comando da empresa. “É uma interferência em um assunto que deve obedecer a critérios técnicos e administrativos. Essa postura é muito preocupante porque pode diminuir o valor das ações e trazer mais prejuízos para a empresa e o Brasil. Não estamos falando de uma companhia qualquer, mas da segunda mineradora do mundo”, declarou nesta sexta-feira (25).

O senador Cyro Miranda (GO) apresentou requerimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) convidando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para esclarecer os fatos. “Precisamos entender essa ingerência em uma empresa privada. Eu pergunto se o governo aceitaria que a iniciativa privada trocasse o presidente da Petrobras”, comparou. Segundo o tucano, essa postura não é saudável, até porque a Vale do Rio Doce, depois que foi privatizada, tem sido eficiente em sua atuação. “Hoje é uma companhia extremamente sadia, com suas ações valorizadas. Vemos o oposto na Petrobras”, completou.

O senador Aécio Neves (MG) defendeu o direito de os demais sócios da Vale escolherem o presidente da companhia. “Isso deve ser feito, como ocorre em qualquer outra empresa privada, à luz do dia, na discussão do Conselho de Administração, no qual as razões para essas substituições sejam discutidas, até para que outros acionistas que tenham opiniões divergentes possam manifestar sua posição”, disse ao jornal “Correio Braziliense”.

Apesar de acionistas e funcionários se manifestarem contrariamente à saída de Agnelli e ameaçarem demissão, os acionistas controladores da Vale começaram a definir hoje a substituição do executivo, segundo o “Valor Econômico”. O presidente do Conselho do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Ricardo Flores, tinham reunião prevista, na sede do BB em São Paulo, para acertar os detalhes da demissão do executivo e da escolha de seu substituto.

O desempenho da Vale nos últimos anos, sob o comando Agnelli, permitiu que a companhia saísse da 10ª posição no ranking mundial das maiores mineradoras para o segundo lugar. De 2001 a 2010, a empresa criou R$ 194 bilhões em valor para os seus acionistas e distribuiu, no período, R$ 17,4 bilhões em dividendos. “Não me consta que a Vale esteja sendo mal administrada. Ao contrário, ela tem ganhado cada vez mais mercado. No fundo o governo está imaginando uma reestatização de uma empresa muito grande e de importância vital para a economia brasileira”, afirmou Otavio Leite.