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25/10/2011 | Blog da Bancada do PSDB na Câmara e no Senado

Líder tucano defende afastamento de ministro do Esporte durante investigação de denúncias

Líder defende afastamento de ministro do Esporte durante investigação de denúncias

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), voltou a defender o afastamento do ministro do Esporte, Orlando Silva, durante audiência sobre a Lei Geral da Copa nesta terça-feira (25). O chefe da pasta afirmou aos parlamentares que não responderia perguntas sobre as denúncias de desvio de dinheiro em projetos do órgão.

O deputado classificou como deplorável a presença de Silva na comissão. “Ele não deveria estar sentado nesta cadeira como ministro. Se ele tivesse de fato um sentimento de profunda cidadania e respeito ao seu país, deixaria o cargo enquanto as apurações ocorrem, e, nada sendo provado, voltaria”, declarou o líder.

Nogueira destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito contra o comunista. “Ele deixou de ser suspeito para ser investigado. O ministro não reúne as condições mínimas necessárias para estar à frente do Ministério, gerenciar a Copa, as Olimpíadas ou sequer o programa Segundo Tempo, eivado de irregularidades”, criticou da tribuna.

Para o líder, existem evidências que comprovam a participação do ministro no esquema. “As suspeições deixaram de ser somente em cima das pessoas ligadas a ele, e agora já há a impressão digital do próprio ministro. Ele assinou a redução da contrapartida de 22% para 6% de um convênio com a mesma pessoa que ele chamou de bandido, o PM João Dias”, afirmou.

Na avaliação do deputado, “em nenhum momento Silva apresentou respostas factíveis às acusações que pairam sobre a sua pessoa e os condutores do Ministério do Esporte”. O deputado questionou o ministro sobre os convênios assinados com a ONG do policial João Dias Ferreira, delator do esquema. No entanto, Silva ignorou as perguntas da oposição e começou a falar sobre a Copa.

O líder detalhou o modus operandi do órgão. “O programa Segundo Tempo é implantado, são escolhidas empresas que ficaram autorizadas a prestar serviços aos convênios, um interlocutor do PCdoB ou do ministério apresenta o pedido de propina de 10% e em seguida o convênio é executado. Quem não cumpre com o atendimento é tido como irregular na pasta”, afirmou.

O deputado Otavio Leite (RJ), 1º vice-líder tucano, questionou o comunista sobre sua situação no governo. “O senhor é ministro ou está ministro?”, indagou. Ele afirmou que, apesar de ter pedido a audiência para tratar da lei, era inevitável não falar sobre as irregularidades, já que existe uma “fragilidade institucional” na pasta. Segundo Leite, os indícios da existência de um esquema de desvio de verbas utilizando ONGs são inúmeros. “Se essas entidades tivessem seus sigilos bancários quebrados teríamos o fio da meada completamente descoberto”, afirmou.

Para César Colnago (ES), é dever de Silva se afastar do cargo para permitir isenção nas apurações. Na avaliação do tucano, só uma CPI poderia revelar à sociedade o que ocorria na relação do ministério com as organizações. Colnago também levantou dúvidas sobre os preparativos e investimentos para o mundial. “Quanto vai custar a Copa?”, perguntou, ao lembrar que nem o governo sabe ao certo esse valor. Segundo ele, a realização dos jogos está em risco devido às fraudes.

“Como alguém que perdeu a credibilidade pode tocar uma Copa do Mundo? O melhor seria se afastar e, muito mais do que abrir uma sindicância, dizer o que realmente acontecia no ministério. Podem não haver provas concretas, mas existem indícios muito evidentes de desvios nos mais variados programas. E quem está à frente do evento privado, mas com importância pública, tem que deixar tudo isso muito claro”, cobrou Colnago.

Alberto Mourão (SP) espera pelos resultados das investigações. “Por enquanto ele deveria se afastar do cargo até que se prove ou não as acusações. Agora esperamos que o delator também prove o que disse, já que as denúncias mancharam a imagem do país”, afirmou. O deputado Rui Palmeira (AL) aproveitou a oportunidade para apontar problemas na LGC e disse que, tal como está colocada, a lei trará grandes problemas ao país durante os jogos de 2014.

(Reportagem: Alessandra Galvão e Djan Moreno