Seu browser não suporta JavaScript!

09/03/2012 | Revista Veja.com

Linha 4 do metrô vira tema de campanha eleitoral no Rio

Por Cecília Ritto

Considerado vital para desafogar o trânsito no Rio de Janeiro, o projeto de expansão do metrô é tocado pelo governo do estado. Mas, em ano eleitoral, a discussão sobre o traçado da Linha 4 se anuncia como um dos embates dos postulantes à prefeitura. E o primeiro sinal público de que este será um tema da campanha deve ser percebido no domingo, às 10h, em um protesto na Praia de Copacabana. Para azar do prefeito Eduardo Paes – que formalmente não tem relação com o metrô –, os principais candidatos de oposição resolveram aderir ao movimento que rejeita o projeto proposto para o traçado.

Os candidatos Marcelo Freixo, do PSOL, e Otavio Leite, do PSDB, aderiram ao movimento “O metrô Linha 4 que o Rio Precisa”. No domingo, às 10h, um protesto no posto 6 de Copacabana promete ampliar a discussão e atrair a atenção de quem passar pela orla. Fazem parte do grupo cerca de 23 associações de moradores e pessoas contrárias a forma como o metrô está sendo ampliado na cidade.

Uma das principais criticas é a mudança no projeto original. Antes, o metrô ligaria Barra a Botafogo. Agora, será uma extensão da Linha 1, passando por Ipanema e Leblon. Com as transformações, outro Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) tem que ser feito. O Ministério Público Estadual pediu que a licença não seja concedida. Essa é uma das esperanças do movimento. “Para ir da Barra ao Centro, o passageiro terá de passar por 12 estações. No planejamento anterior, eram seis. Agora haverá uma linha única e o metrô chegará lotado nos bairros do Leblon e de Ipanema”, argumenta a vereadora tucana Andrea Gouveia Vieira, que tem acompanhado de perto a discussão.

A vereadora alerta para a quantidade de manobras que os trens terão de fazer nas estações. Na General Osório, em Ipanema, por exemplo, haverá um cruzamento em X no mesmo nível. O argumento usado pelos integrantes do protesto, do qual Andrea faz parte, chamam atenção para a insegurança que poderá ser gerada. “Os trens vão se cruzar na mesma linha. O risco de acidente aumenta de maneira imensa, e os sistemas de funcionamento- de freio e de direcionamento do metrô- são distintos”, explica a vereadora.

William Hossell, um dos líderes do movimento e também integrante da associação de moradores Anima Leblon, ressalta outro ponto problemático. Segundo ele, a construção de uma nova estação na General Osório usa o licenciamento referente às outras obras feitas no local, que não é especifico para o novo quebra-quebra. “Pegaram a licença antiga e estão usando novamente”, diz.

Querer entender os porquês dessa mudança no traçado original será um dos questionamentos a ser feito pelos postulantes a prefeito. Se a associação da imagem de Paes a de Cabral pode ser lucrativa no que se referir às Unidades de Polícia Pacificadora e à Unidade de Pronto-Atendimento, terá de enfrentar outros ‘abacaxis’. O metrô será um desses. Dependendo da proporção do protesto no domingo, é Paes começar a ensaiar sua resposta.