Seu browser não suporta JavaScript!

09/06/2009 | Jornal Valor Econômico

Lula vai interferir na escolha de cargos da CPI

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve intervir na definição do comando da CPI da Petrobras e negociar os rumos da investigação com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). A falta de entendimento entre PT e PMDB adiou o início das investigações por duas vezes. A previsão é que a CPI seja instalada amanhã.

Preocupado com os rumos que a CPI da Petrobras poderá tomar no Senado, o presidente Lula deverá reunir-se novamente com Renan nos próximos dias, para conversar sobre a escolha do relator e do presidente da comissão, responsáveis pela condução dos trabalhos da CPI. Depois da reunião do conselho político do governo, ontem de manhã, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse que o presidente tomará a iniciativa de procurar o PMDB.

" É uma CPI importantíssima. A um ano das próximas eleições nós não vamos conseguir fugir de ter um tom político. Isso é do próprio sentimento da Casa, seja lá de que lado for " , disse o ministro.

O comando da BR Distribuidora e o espaço ocupado pelo PMDB na Petrobras deverão ser temas das conversas do presidente Lula com os líderes pemedebistas. José Eduardo Dutra, presidente da BR Distribuidora, deve sair do cargo em julho e poderá disputar a presidência do PT. Seu cargo é almejado por pemedebistas, que já possuem na Petrobras a diretoria Internacional e o comando da Transpetro, com Sérgio Machado, indicado por Renan.

O presidente Lula falará também com o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), para tentar resolver o impasse gerado entre o petista e o líder do PMDB. Mas, segundo o ministro de Relações Institucionais, Lula não entrará no embate direto dos dois senadores.

Antes mesmo do início dos trabalhos da CPI da Petrobras, a oposição promete investigar, a partir de hoje, na CPI das ONGs, os contratos da estatal com organizações não governamentais, movimentos sociais e municípios governados pelo PT e por aliados. O presidente da CPI das ONGs, Heráclito Fortes (DEM-PI), indicou e manterá o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), no cargo de relator da comissão, em substituição ao deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE), que se afastou por ter sido indicado, como titular, para a CPI da Petrobras. Os dois postos são incompatíveis. O novo relator ali permanecerá até que o presidente do Senado ou a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), consultados, se manifestem.

Com a confusão criada na relatoria das ONGs e a tentativa do governo de só instalar a CPI da Petrobras quando a relatoria das ONGs for resolvida, a oposição articula com senadores da base, como Fernando Collor de Mello (PTB-AL) e Jefferson Praia (PDT-AM), para que a sessão de instalação da CPI da Petrobras tenha quórum e que a comissão comece a funcionar.

O ministro de Relações Institucionais minimizou o impacto de possíveis denúncias contra a Petrobras sobre o governo federal e disse que a oposição não fará " pirotecnia " . " Acho que algumas coisas vão ser esclarecidas e o esclarecimento interessa também ao governo " , comentou, depois da reunião de coordenação política com o presidente Lula. Segundo Múcio, a Petrobras está fazendo um esforço na divulgação de dados sobre a estatal, para evitar os ataques da oposição. " A Petrobras montou um blog. Algumas questões que poderiam ser colocadas na CPI já estão colocadas na internet, todas estão tendo respostas " , comentou Múcio.

Como forma de pressionar pela instalação da CPI da Petrobras, a oposição decidiu obstruir a sessão de hoje do Congresso (Câmara e Senado juntos), marcada para às 12h, na qual seriam votados sete projetos de lei abrindo créditos especiais ao Orçamento Fiscal da União. O maior crédito da pauta é de R$ 6 bilhões e destina-se ao Ministério das Cidades, para complementar os recursos do programa de moradia popular chamado de Minha Casa, Minha Vida.

" Queremos que o governo cumpra o acordo de instalar na quarta-feira a CPI " , afirmou o líder da minoria no Congresso, deputado Otavio Leite (PSDB-RJ). O líder afirma que há suspeitas de que não passam de " teatro " as divergências entre os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e do PMDB, Renan Calheiros, usadas como desculpa pelos governistas para adiar a instalação da CPI.

Segundo Leite, a obstrução também é uma reação à tentativa do governo de destituir o líder do PSDB do Senado, Arthur Virgílio (AM), da relatoria da CPI das ONGs. A obstrução impede as votações, porque é exigido quorum mínimo para abrir a sessão (84 deputados e 16 senadores) e para votar (257 deputados e 41 senadores).

(Cristiane Agostine e Raquel Ulhôa | Valor Econômico)