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08/05/2011 | Jornal O Globo

Máfia dos táxis continua livre para agir

Por Selma Schmidt

Na tarde de terça-feira da semana passada, no saguão de desembarque internacional do Terminal 1, um indiano, que acabara de chegar ao Rio, foi abordado por um “jóquei” — como é chamado o aliciador de passageiros — que pediu a ele R$72 por uma corrida de táxi comum até um hostel, em Copacabana. Preço muito superior aos R$47 fixados em tabela pela prefeitura.

— Esse é o preço. Se for num táxi especial, vai pagar R$99 — disse o “jóquei”, conseguindo enganar o passageiro.

Já o jornalista Júlio Cabral, que desembarcou de Minas no Terminal 2, fugiu dos “amarelinhos”, táxis comuns. Foi para a Ilha do Governador num especial:

— O especial cobrou R$35. Em fevereiro, um motorista de táxi comum queria que eu pagasse R$38. Na ocasião, chamei um taxista amigo e paguei R$17, pelo taxímetro.

Durante dois dias da semana passada, repórteres do GLOBO acompanharam a atuação de “jóqueis” e taxistas, e conversaram com passageiros. Uma corrida para Copacabana num táxi comum pode sair entre R$70 e R$80. Ir até o Catete durante o dia pode custar R$55 ( R$41, pela tabela). Para Freguesia, em Jacarepaguá, o preço da tabela ( R$45,50 e R$55, conforme o horário), sobe para R$80 , como conta o webdesigner Leandro Monteiro:

— Em janeiro, quando cheguei de Buenos Aires, fui abordado por um taxista. No caminho para pegar dinheiro de um caixa eletrônico, perguntei se seria com o taxímetro ligado. Disse que não e deu a desculpa de ter que compensar custos do estacionamento. O táxi dele estava numa vaga para passageiros. Dispensei os serviços dele e liguei para uma cooperativa. Uma atendente retornou informando que não tinha conseguido carro. O taxista, que continuava atrás de mim, disse que me levaria pelo taxímetro. Acabei aceitando.

A Infraero alegou que cabe aos órgãos de segurança coibir a atuação de “jóqueis” e motoristas que tentam extorquir dinheiro dos passageiros. Afirmou ainda que, a exemplo dos especiais, duas cooperativas de táxis comuns, que venceram licitação, terão balcões dentro do aeroporto, a partir da segunda quinzena de julho. Membro da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, o deputado Otavio Leite entende, porém, que a solução passa pela unificação do controle policial no aeroporto, com a criação de uma autoridade aeroportuária.