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21/10/2004 | Jornal de Turismo

Maior vocação da cidade

O turismo é, indiscutivelmente, no setor de serviços, a maior vocação da cidade, bem como do Estado do Rio de Janeiro. Com um receptivo de mais de dois milhões de turistas estrangeiros, esses números dão ao Rio 36,9 por cento do movimento turístico do país. Somado a esse número, os 6 por cento de turismo da cidade de Búzios, esse total se eleva para 42 por cento de estrangeiros que visitam a nossa terra.

Esse é o cenário que legitima e credencia o Rio de Janeiro a sediar o maior evento turístico das Américas, a ABAV 2004. No complexo do Riocentro, em especial o Pavilhão 4, a Feira das Américas contará com a participação de 35 países, através de suas entidades governamentais de divulgação e por centenas de entidades privadas do trade.

Para a cidade isso significa, a grosso modo, a presença de dez mil agentes de viagens durante uma semana. E para o país, é a garantia de que essa feira de turismo passa a ganhar sólidos contornos internacionais, figurando no calendário internacional como um dos eventos importantes tal qual a feira da Espanha, a da França, a dos Estados Unidos e a de Portugal.

O Poder Legislativo do Rio de Janeiro não poderia se furtar em reconhecer a importância deste grande evento, e houve por bem aprovar a minha sugestão (lei n.° 4.366/04), sancionada pela governadora, que elevou o Congresso da ABAV ao status de evento oficial do Rio de Janeiro. Essa iniciativa fortalece o Congresso da ABAV e a Feira das Américas, tornando-os grandes eventos do calendário de turismo receptivo brasileiro, nos moldes das grandes feiras mundiais.

O aperfeiçoamento é constante, o que permite, em especial, promover a vinda de mais operadores de outros países, resultando numa crescente visibilidade internacional.

Ao mesmo tempo em que se reverencia a ABAV, a lei possibilita o apoio do Poder Público Estadual, independentemente de quem esteja no governo. O evento é a reafirmação do cosmopolitismo histórico do Rio de Janeiro, que tem como atributo a característica de congregar e sintetizar o Brasil de Norte a Sul. Também é um importante estímulo para a economia local, através do fomento ao turismo que é um grande vetor de desenvolvimento.

Além dessa conquista, possuo outras leis no setor de turismo: a lei n.° 3.000/00 institui o Programa de Apoio ao Turismo Receptivo - PROTUR - nos aeroportos, rodoviárias e portos da cidade, para aproveitamento de mão-de-obra qualificada de alunos de turismo, para atuação nos pontos de desembarque, embarque e de visitação turística no município. A lei n.° 2.761/99 fixou em 30 de junho o prazo máximo para divulgação de preços dos ingressos dos desfiles no Sambódromo. A lei n.° 2.631/98 instituiu o Programa de Divulgação da Cidade do Rio de Janeiro em grandes eventos em países estrangeiros.

O turismo é vital para o enfrentamento do grande mal do início do século: o desemprego. O ideal seria que todos os homens públicos cariocas tivessem uma sólida consciência de defesa intransigente do turismo como fator de desenvolvimento da economia que, ao mesmo tempo, e generosamente, atende a uma vocação natural do Rio. Todas as forças políticas precisam acordar para a importância que tem o turismo para a evolução sócio-econômica do Brasil.

O fato é que a presença do turista alimenta uma vasta e concatenada rede serviços e de oportunidades de trabalho. É simples. Senão, vejamos. Ao desembarcar, o turista já contribuiu para o emprego do aeroviário e, concomitantemente, o mesmo para todo um conjunto de empresas que fornecem insumos à aviação. Ao se dirigir ao hotel, participou da féria do taxista.

No que se hospeda, não fora a sua presença não existiriam camareiras, front desk´s, copeiros, especialistas em manutenção e conservação predial, concierges, cozinheiros, contadores, mensageiros etc. Esse mesmo turista, ao se dirigir ao shopping e lá adquirir um presente para um familiar, terá com isso movimentado aquele comércio, ajudando no emprego do comerciário e no recolhimento de tributos. Ainda, e da mesma forma positiva, quando o turista cumpre uma programação de entretenimento cultural, gastronômico ou passeia num ponto de destaque da cidade, um conjunto expressivo de pessoas e empresas, em conseqüência, se beneficia diretamente. Ou seja, com turistas até o pipoqueiro tem mais mercado. Isso sem falar dos guias de turismo, agentes de viagens, operadores e hoteleiros, que, em geral, exercem um verdadeiro papel de vanguarda no processo de desenvolvimento desta formidável área da economia.

Dentro do setor do turismo há uma atividade que é pouco visível mas, ao mesmo tempo, é tão positivamente estratégica que merece, no meu entendimento, um tratamento especial. Refiro-me às empresas que organizam congressos, seminários, simpósios.

Em geral, são profissionais que procuram atrair eventos para o Rio de Janeiro, indo a outros Estados ou a outros países. Precisamos espalhar pessoas que representem a cidade em eventos de outros países para defender a nossa candidatura no futuro. Essa é uma das formas de fortalecer a imagem do Rio, que tem um potencial mágico e é uma cidade charmosa.

A realização de qualquer encontro dessa natureza traz uma repercussão formidável, um efeito econômico multiplicador para muitas outras atividades nossas. Apenas para citar: as empresas de limpeza, os serviços de informática, as empresas de segurança, montadoras de estandes, locadoras de veículos, locadoras de equipamentos audiovisuais, casas de espetáculos, instituições de cultura ou de lazer, locadoras do espaço de convenções, de hospedagem - enfim, toda uma ampla rede de negócios e trabalho é aquecida pelo simples fato de se realizar um congresso (ou algo que o valha) na cidade.

Não basta construir centro de convenções, a prefeitura tem que ter estratégia eficaz de captação de turistas de eventos para a Cidade Maravilhosa. A partir dessa premissa, coloquei recursos no orçamento para a Riotur elaborar projetos de captação de mais congressos, seminários e eventos a serem realizados no município do Rio. É comprovado que este tipo de turista gasta o dobro do visitante comum, em qualquer país do mundo. Já foram iniciadas as obras do Centro de Convenções do Teleporto numa área de 17 mil metros quadrados na Cidade Nova.

Desde vereador sempre lutei para que o orçamento da cidade reservasse mais recursos para o setor de turismo. Os frutos do Plano Maravilha (promoção e divulgação do produto Rio nos mercados nacional e internacional) trouxeram para o Rio importantes investimentos em construção, ampliação e reformas de hotéis. Durante este período, garantimos no Orçamento carioca cerca de R$ 48 milhões para a execução do plano de atração de turistas. Na Alerj, como deputado estadual, obtivemos uma importante vitória.

Em parceria com os colegas Glauco Lopes e Cidinha Campos aprovamos a redução da alíquota do ICMS (de 21% para 15%), incidente sobre o querosene de aviação. Esta medida, certamente, constituiu-se num incentivo fundamental para atrair mais vôos para o Rio de Janeiro, contribuindo decisivamente para o soerguimento do aeroporto Tom Jobim.

Outro fator que precisa ser muito trabalhado no turismo é a conscientização da população sobre a importância que tem o turismo para a economia de nossa cidade. E mais, é necessário qualificar melhor e aumentar o quantitativo, também, dos guardas que trabalham nos corredores turísticos pois, turismo sem segurança é uma ficção.

A verdade é que, embora o nosso Rio padeça de problemas notórios (como segurança e notícias ruins), sazonalmente agudos, o fato é que vimos sobrevivendo. É o que denomino ´potencial mágico´ do Rio. Logo, há muito mercado por explorar. A prioridade deve ser a obssessiva e profissional busca pela captação de turistas, eventos e congressos. Sejam nacionais ou internacionais.

Tenho absoluta certeza de que o setor do turismo é tão fundamental quanto estratégico para o desenvolvimento sócio-econômico da nossa cidade. E é por isso que elegi esta bandeira e a ela venho me dedicando através de iniciativas concretas. Aliás, sustento a tese de que a defesa do turismo é tão necessária que chega estar acima de divergências político-partidárias.

Como vice-prefeito vou me empenhar para implementar uma parceria entre a Prefeitura e o Trade, no sentido de empreender programas contínuos que coloquem o Rio em evidência no Brasil e no exterior, captando, cada vez mais, eventos, congressos e turistas.

E, dentro de uma perspectiva nacional, faço dessas minhas ponderações um brado maior em defesa do fortalecimento do turismo interno do país. Pois, no fundo, o Rio é um especial, dentre centenas e centenas de especiais destinos brasileiros, que abundam de Norte a Sul.

OTAVIO LEITE É DEPUTADO ESTADUAL E VICE-PREFEITO ELEITO NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO