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02/02/2011 | Portal Bol Notícias

Meirelles-2016 depende da eleição de 2014

Por Daniel Brito

A permanência de Henrique Meirelles no cargo de chefe da APO (Autoridade Pública Olímpica) até a Olimpíada-2016, caso o ex-presidente do Banco Central aceite o convite da presidente Dilma, está sujeito à sucessão da petista, em 2014.

Na medida provisória enviada ao congresso que cria a APO, fica estabelecido que o chefe do consórcio será indicado pelo presidente e terá mandato de quatro anos, a partir da aprovação do nome do escolhido pelo Senado.

Assim, caso Meirelles tenha seu nome aprovado, por exemplo, em maio, ele precisará ser indicado para um segundo mandato em maio de 2015, quando um novo presidente pode estar no Planalto.

A contar pelo quadro atual, PSDB e PT devem polarizar a disputa mais uma vez. Uma vitória dos tucanos nas urnas pode significar mudança de nomes e de rumos.

Assim, a permanência do chefe da APO até a realização da Olimpíada não é certa.

"O ideal é o critério de respeitar a prerrogativa do presidente da República de indicar e nomear o chefe da APO", concordou o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), integrante da comissão de desporto e turismo da Câmara.

Se em um eventual governo de oposição ao PT Meirelles não ter seu mandato renovado, ele perderia a chance de associar seu nome justamente no momento em que as bilionárias obras previstas para o Rio ficarão prontas.

Henrique Meirelles tem a seu favor o fato de ser um raro caso de político que circula com liberdade nos governos do PT. Foi o mais longevo presidente do Banco Central, de 2003 a 2010, durante os anos Lula, apesar de ter sido eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás em 2002.

Hoje, é filiado ao PMDB, o mesmo partido do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, que ontem elogiou sua indicação para o cargo.

Mesmo depois de quase um ano após ser criada pelo governo Lula, a APO, uma exigência do Comitê Olímpico Internacional, ainda não saiu do papel. Depende do andamento das votações na Câmara dos Deputados, que somente ontem deu início às atividades com a nova legislatura, eleita em outubro.

A medida provisória que a cria é a terceira a ser apreciada no plenário pela ordem enviada por Lula antes de deixar o Palácio do Planalto.

O Congresso Nacional tem até o dia 1º de março para colocar o assunto em pauta.

A APO terá a prerrogativa de coordenar as ações para a realização da Olimpíada no Rio, com poderes para tocar os projetos que o Estado, o município e o governo federal não consigam realizar.

Já está na previsão orçamentária do Ministério do Esporte para 2011 um montante de R$ 123 milhões para a APO. Em 2010, a autoridade tinha R$ 48 milhões do orçamento, mas não os utilizou.