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11/07/2012 | Revista Veja.com

Ministério Público monitora uso de robôs do Twitter por candidatos no Rio

Por João Marcello Erthal e Cecília Ritto

O crescimento das redes sociais transforma os perfis de candidatos em sites como Facebook e Twitter em poderosas ferramentas de campanha eleitoral. E, justamente por seu poder de influenciar eleitores, esses sites são um campo a ser vigiado pelos promotores eleitorais. Uma das preocupações deste ano para o Ministério Público Eleitoral no Rio é a proliferação de perfis falsos e o uso de ‘robôs’ – os programas capazes de replicar mensagens em larga escala, em múltiplas contas de uma rede social. O uso desses dispositivos altera indicadores importantes, como os tópicos mais populares do Twitter, e o volume de seguidores de um determinado candidato. Ou seja: os robôs são aliados estratégicos de quem tenta propagar mentiras com jeito de verdade.

“Monitoramos o Twitter dos principais candidatos. Se percebermos um aumento rápido e desproporcional no número de seguidores, há ali um indício de uso de robôs. Isso cria uma distorção para a percepção do eleitor, e isso é uma interferência ilegal no período eleitoral”, explica o procurador eleitoral do Rio, Maurício da Rocha Ribeiro.

O trunfo das redes sociais é a transferência da responsabilidade para indivíduos, o que isenta partidos ou candidatos da responsabilidade. E, como alcançam o eleitor na mesa de trabalho, no sofá de casa e até no ônibus, pelo celular, a rapidez é incomparável. O Twitter e o Facebook serão estratégicos na campanha dos postulantes ao Palácio da Cidade, que tentam levar para o segundo turno o favorito Eduardo Paes (PMDB), que tenta a reeleição. Como terão cerca de um minuto apenas, contra os mais de 14 do peemedebista, os candidatos de oposição dependem da internet para aparecer.

Com 43.600 seguidores no Twitter até a tarde de terça-feira, Marcelo Freixo, do PSOL, começou a divulgar pelo microblog um de seus trunfos de campanha: o jingle na voz de Caetano Veloso. Um dos lemas da campanha é “a rua e a rede”, de olho no público jovem – onde se concentra o eleitorado do deputado estadual do PSOL.

Bem antes do início da campanha, em 6 de julho, um movimento espontâneo de eleitores pôs Marcelo Freixo em evidência no Facebook. No Rio, eleitores e simpatizantes acrescentaram “Freixo” ao sobrenome e criaram a página “Nada deve parecer impossível de mudar”, com mais de 10 mil seguidores. “Nada substitui a militância na rua, na porta de escola, em praça pública, na saída de igrejas. Ao mesmo tempo, haverá muita internet na campanha. Cerca de 70% dos eleitores do Rio estão conectados. Isso valendo, temos capacidade muito grande de falar com a cidade através da internet”, diz Freixo.

Perfis – O candidato do DEM à prefeitura do Rio, Rodrigo Maia, quem tem 10.400 seguidores no Twitter, já teve problemas com redes sociais. O candidato do DEM à prefeitura do Rio exibiu, em uma propaganda de TV, perfis que criticavam o governo de Eduardo Paes. Os perfis, no entanto, eram falsos, e renderam um processo do PMDB contra o candidato.

O DEM pretende criar uma rede interna que, segundo Maia, é algo inédito em eleições. Trata-se de uma estrutura que funcionará como uma rede social para o candidato, sua vice, a deputada estadual Clarissa Garotinho, do PR, vereadores e representantes de bairros. “Mapearemos toda a cidade através dessas lideranças. Poderemos aproximar nosso discurso e alavancar ações de mobilização”, diz o candidato.

Entre os concorrentes do Rio, Paes é o campeão, com 97.700 seguidores. Freixo é o segundo (43.600), seguido por Rodrigo Maia (10.400), Otavio Leite, do PSDB, com 3.000, Aspásia Camargo, do PV, com 1.900, e Cyro Garcia, do PSTU, com pouco mais de 1.000.

O candidato tucano também promete dedicar seu tempo à comunicação com eleitores pela web. “Na internet, se permite a ampla discussão e pesquisa sobre candidatos, sua história e proposta”, aposta Otávio, para quem esta eleição ocorre “no ápice da internet” no Brasil.

Regras – O capítulo IV da resolução 23370 do Tribunal Superior Eleitoral determina as regras para o uso da internet na campanha. Basicamente, os partidos devem informar à Justiça Eleitoral os endereços eletrônicos de sites necessariamente hospedados no Brasil. É permitido o uso de listas de e-mail, desde que não haja comercialização de listas de endereços (algo que dificilmente se controla). Valem também regras que o mercado já adota: os e-mails precisam ter a opção “descadastrar”, para quem se sentir incomodado com o envio de mensagens.

A veiculação de propaganda em sites de empresas ou instituições, ainda que de forma gratuita, é proibida, assim como referências a candidatos a reeleição em sites do poder público.