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11/07/2003 | Jornal do Commercio

Moradores da Barra protestarão para exigir retomada das obras

Moradores da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá farão uma caminhada no dia 9 de agosto, em protesto pela paralisação das obras de construção do Emissário Submarino da Barra e do sistema de tratamento de esgoto de Jacarepaguá. A manifestação está sendo organizada pela Câmara Comunitária da Barra, que já está confeccionando duas mil camisetas com mensagens como "Emissário Já" e "Salvem as lagoas". Os moradores partirão às 10 horas do condomínio Golden Green em passeata até o Píer da Barra.

O presidente da Câmara Comunitária, Delair Dumbrodsk, disse que os manifestantes também colherão assinaturas contra o projeto de lei enviado pela governadora Rosinha Garotinho (PSB) à Assembléia Legislativa (Alerj), determinando a redução do percentual de repasse dos royalties do petróleo para o Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) de 20% para 5%. O abaixo-assinado será enviado a Rosinha e ao presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB).

- Vamos caminhar com apitos e pregadores de roupa no nariz para protestar contra a poluição das lagoas da Barra de de Jacarepaguá - disse Dumbrodsk.

A idéia da manifestação surgiu em audiência pública, após vistoria realizada na manhã de ontem pela Comissão Pró-Emissário Submarino da Alerj, que percorreu as lagoas da Barra de barco, em companhia de moradores e síndicos de condomínios do bairro e do biólogo Mário Moscatelli. O deputado Otavio Leite (PSDB), presidente da Comissão, garantiu que os recursos do Fecam seriam suficientes para concluir as obras.

- Até maio deste ano, o Fundo dispunha de pouco mais de R$ 297 milhões em recursos não empenhados. Mantida a arrecadação mensal, até o final deste exercício, este total chegaria a, no mínimo, R$ 600 milhões - calcula.

De acordo com Moscatelli, somente a Lagoa da Tijuca recebe 1,8 toneladas de esgoto por segundo, cujas águas estão poluídas por 16 milhões de coliformes fecais por cada 100 mililitros.

- Nas marés baixas, 80% da superfície da Lagoa fica seca. A Lagoa da Tijuca está virando um canal raso - alertou.

Saneamento é necessário para o pan e a olimpíada

Para o biólogo, a escolha do Rio como sede dos Jogos Panamericanos de 2007 e como candidata a sediar os Jogos Olímpicos de 2012 torna as obras de saneamento da Barra e de Jacarepaguá ainda mais urgentes.

- A questão ambiental é um "calcanhar de Aquiles" contra a candidatura do Rio. É fundamental que a baixada de Jacarepaguá, que vai concentrar grande número de modalidades esportivas, seja saneada - disse Moscatelli.

Otavio Leite reafirmou durante a audiência pública que, caso as obras sejam interrompidas, a estrutura do Píer só resistirá mais um ano. Segundo Leite, somente a construção do Píer consumiu R$ 30 milhões.

Ao todo, foram investidos R$ 80 milhões na primeira fase das obras, que se divide em emissário submarino, rede coletora de esgotos de Jacarepaguá e Estação de Tratamento. Mais R$ 70 milhões deverão ser necessários para a conclusão das obras, o que deve ocorrer em abril do ano que vem, embora estivesse prevista para fevereiro último. A segunda fase está orçada em mais R$ 190 milhões.