Seu browser não suporta JavaScript!

02/07/2015 | Globo Online

MP do futebol pode perder reforma política nas federações

Por Carlos Eduardo Mansur

Às vésperas da votação no Congresso da Medida Provisória que trata do refinanciamento das dívidas dos clubes, um novo impasse surgiu. O deputado federal Marcelo Aro (PHS/MG) questionou o artigo que alterava o sistema eleitoral nas Federações Estaduais, criando um modelo que ampliaria o peso dos votos dos clubes grandes. O objetivo era retirar o artigo do texto que irá a votação na terça-feira, o que não foi aceito pelo relator da comissão que estudou o tema, o deputado federal Otavio Leite (PSDB/RJ).

Com o impasse criado, Otavio Leite chegou a se retirar de uma reunião que tentava costurar um acordo. Agora, a chamada "bancada da bola", que reúne parlamentares ligados à CBF e às Federações locais, pode tentar obstruir a votação na terça-feira. Ou, ainda, tentar voltar o artigo separadamente, em um destaque.

A reforma política nas Federações era um desejo de dirigentes de clubes grandes e de parlamentares que defendem contrapartidas duras para conceder o parcelamento das dívidas. O objetivo seria reduzir a margem de manipulação política dos atuais presidentes das entidades. Pelo sistema vigente, em Federações como a do Rio, as ligas do interior, os clubes amadores e de divisões de acesso têm, juntos, maioria dos votos.

A mudança no colégio eleitoral é parte do texto que fora alvo de acordo, na semana passada, para formatação do texto final que vai a votação no Congresso Nacional. Curiosamente, o encontro que conduzira ao consenso incluíra até representantes da CBF, como o deputado federal Vicente Cândido (PT/SP), que é diretor de assuntos internacionais da entidade. Nesta quinta-feira, para surpresa dos parlamentares e dirigentes de clubes que defendiam contrapartidas duras para a concessão do parcelamento das dívidas, o questionamento ao artigo que altera o panorama político das federações veio de Marcelo Aro, que também é diretor da CBF. Ele é o responsável pela diretoria de ética e transparência da entidade. 

Há o temor de que a "Bancada da Bola" consiga retardar a votação até que o texto "caduque", ou seja, extrapole o prazo limite de vigência da Medida Provisória. Agora, a votação segue prevista para terça-feira. Dirigentes e o relator Otavio Leite tentam novamente incluir a reforma política nas federações. 

- Seria um grande avanço, um dos mais importantes. A saída deste artigo é uma grande perda - lamentou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.