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15/05/2007 | Jornal Tribuna da Imprensa

Muitos querem salvar o Rio

Na tão falada e tão adiada reforma política, um dos pontos mais importantes é o fim da coincidência de mandatos. Não temos tantos quadros que possamos deixar alguns incompatibilizados por terem disputado outra eleição. A eleição de prefeito, principalmente nas capitais, é tão importante que não deveria ficar isolada. Assim, muitos candidatos que poderiam voar mais alto são obrigados a concorrerem a prefeito pelo fato de terem uma rede protetora, federal ou estadual. Como o Brasil e os EUA são os dois mais poderosos presidencialismo do mundo ocidental, não custa ou é até obrigatória a comparação.

50 governadores, apenas 13 datas coincidentes. 100 senadores, 2 por estados, eleição de 3 em 3 anos (o mandato é de 6), datas diferentes em muitos estados. As eleições para prefeitos (condados) têm também datas inteiramente separadas.

Aqui, o cidadão-contribuinte-eleitor é obrigado a votar no mesmo dia. Presidente e vice. Governador e vice. Senador e suplentes. Deputados federais. Deputados estaduais. A única chamada de eleição solteira, a de prefeito.

Como conheço muito a política, seus caminhos e descaminhos, estava cheio de informações, alguns apenas informes. Mas como era muita coisa, em vez de notas, resolvi fazer uma reportagem. E também decidi ouvir os candidatos, concluí que foi muito bom, cada um disse o que bem entendeu. Outros não ´retornaram a ligação´ (como dizem as secretárias), é um direito deles. Pode parecer que é muito cedo, se tomarmos por base a eleição, primeiro domingo de outubro de 2008. Mas existem duas datas intermediárias, seríssimas. 30 de setembro, para pertencer a um partido e confirmar o domicílio eleitoral. 30 de março de 2008, desincompatibilização, lógico, para os que estiverem ocupando cargos de nomeação.

Examinaremos cada um dos 13 candidatos, sem preferência. É lógico que alguns são do mesmo partido, terão que disputar legenda. É natural também que se projetem acordos. Outro fato, hoje mais real do que antigamente, a preponderância de nomes sobre partidos, alguns em total decadência no Estado do Rio e no Rio capital. Haja o que houver, o segundo turno é uma fatalidade ou até mesmo uma segunda chance, não para 11 candidatos (só 2 sobreviverão), mas para o cidadão-contribuinte-eleitor.

Edson Santos - Tem a legenda praticamente garantida (PT-PT) mas vai lutar para consolidá-la. Foi de vereador, eficiente, a deputado federal, competente. Agora volta ao plano municipal, por causa da coincidência de mandatos. ´Nada na minha vida foi fácil´, mais do que afirmação, constatação. O PT-PT está em baixa, o que não é novidade, quase todos estão. Quem sobrou no PT-PT além dele? Dona Benedita? Pretende conquistá-la, declara admiração pela carreira dela. E Carlos Minc, também bom companheiro.

Índio da Costa - Outra ficção de Cesar Maia. O alcaide-factóide-debilóide já enganou Eduardo Paes e Solange Amaral, só que para governador. Seu candidato preferencial seria o filho Rodrigo, na contramão por causa da inelegibilidade. Para Cesar Maia vale a definição do ex-prefeito Conde, que o conhece muito bem: ´Obedece à mulher, gosta da filha, o resto que se dane´. Índio da Costa é até boa figura, devia entrar com mandado de segurança para não ser apoiado por Cesar. Com direito a liminar.

Pezão - Não é bem um candidato e sim uma opção de Sérgio Cabral, que dificilmente se confirmará. A jogada: elegê-lo prefeito, o estado ficaria sem vice. Toda vez que Sérgio Cabral viajasse, assumiria Jorge Picciani, os dois da mesma ´coudelaria´. Não dará certo, por dois motivos.

1 - Cabral não elege ninguém, se está em baixa agora, o que dizer em outubro de 2008? Além do mais, Pezão não conhece o Rio, nem tem votos.

2 - E quando souber que tem que se desincompatibilizar, desistirá, furioso ao descobrir o jogo tortuoso de Sérgio Cabral.

Denise Frossard - Candidatíssima e quase invencível. Mas acha que é muito cedo para se lançar. Não tem problema de legenda, ela e o PPS não se conflitam. Afirmação: ´Acabei de sair de uma eleição duríssima, fui para o segundo turno´. E depois: ´Minha candidatura é serviço público, missão, não preciso disso para nada. Há 25 anos sirvo à comunidade´. Não há dúvida: os bicheiros que estão presos foram condenados antes por ela.

´Bispo´ Crivela - Senador em 2002, disputou a prefeitura em 2004, nem apareceu. Agora perderá novamente, cumpre ordens do ´bispo´ Macedo, que tem um parente como suplente dele. Chico Alencar - Outra vítima da coincidência de mandatos. Não tem problema de legenda, no Rio ele é o PSOL, o PSOL é ele. Cometeu um grande equívoco em 2002. Duas vagas para o Senado, hesitou. Teria ganho de Crivela e de Sérgio Cabral. (Em 2006, Dornelles teve coragem, jogou tudo, ganhou o Senado). Agora, se não se eleger prefeito, Chico Alencar ficará eternamente como deputado ou disputará o governo do Estado do Rio? Com ou sem reeeleição?

Otavio Leite - Foi vice-prefeito, nada mais justo que pretenda ser prefeito inteiro. É do PSDB, o único que cresce num partido que desaba. Eduardo Paes também é do PSDB, os dois disputarão a legenda, com franca vantagem para Otavio Leite. Diferença entre os dois: ontem, segunda-feira, Otavio Leite estava em Brasília, Eduardo em Portugal.

Luiz Paulo Conde - No momento é o candidato mais forte e também inarredável. Mas como a eleição não é no momento, tudo se decidirá na campanha. Falou abertamente com o repórter, não pediu sigilo para coisa alguma. (Alguns me pediram para guardar afirmações, direito absoluto, que respeito).

1 - Vou sair do PMDB até 30 de setembro.

2 - Se eu ficar no PMDB, não me darão a legenda.

3 - Deixarei a Secretaria de Cultura.

4 - Entrarei no PSC, embora tenha convites de outros partidos.

5 - Não preciso de um partido grande, a eleição será disputada por nomes.

6 - Sou arquiteto e urbanista, tudo o que o Rio está precisando.

Eduardo Paes - Está numa situação política e eleitoralmente estranha. É do PSDB, foi facilmente derrotado para governador, me fartei de escrever, antes da eleição, que não ganharia. Não ganhou. Secretário de Esportes de Sérgio Cabral para aproveitar a onda do Pan. passará para a secretaria de Cultura assim que o Pan terminar. Terá que se desincompatibilizar em 30 de março. Mas não tem certeza de obter a legenda. Se obtiver não ganha. Voltará a ser deputado federal em 2010. Outro que andou ´passeando´ eleitoralmente por causa da coincidência de mandatos.

Jandira Feghali - Candidatíssima e quase invencível, dependendo dos acordos e conciliações do segundo turno. Não tem problema de legenda.

O PC do B tem duas prioridades.

1 - A Prefeitura do Rio.

2 - A Prefeitura de Niterói.

No Rio a legenda é dela, em Niterói não têm nem nenhum nome. Terá que resolver uma situação que ainda não percebeu, só agora estará sabendo. Sendo candidata no Rio, e lógico, com domicílio no Rio, a desincompatibilização seria em 30 de setembro e não em 30 de março. Enorme capacidade de coordenação, o que demonstra desde 1982, o primeiro mandato federal.

Carlos Minc e Benedita da Silva - Os dois são do PT-PT, sabem que o partido está muito mais para Edson Santos. O secretário Minc há 1 ano era mais candidato do que é hoje. Está empolgado com o trabalho que vem fazendo em Itaipava e no Rio Piabanha. Benedita, que foi proibida pelo próprio partido de se candidatar a qualquer coisa em 2006, para não ´comprometer as alianças´, não criará caso. Se resguardará para 2010. Pode voltar ao Senado, são duas vagas. E em qualquer circunstância, terá o apoio de Edson Santos e de Minc.

Curiosidade final: os que detêm o Poder, a máquina, ou se julgam poderosos no Rio capital ou mesmo no Estado do Rio, não terão a menor influência na eleição para prefeito. Todos estão jogando e mais nada.

Sérgio Cabral finge que tem candidato, perde de qualquer maneira. Cesar Maia, sem amigos ou correligionários, os possíveis vencedores fogem dele.

Anthony e Rosinha Mateus nem sabem a quem apoiar. Os 5 candidatos mais fortes não têm a menor ligação com eles. Chico, Edson e Jandira disputarão o eleitorado de esquerda, que logicamente não dá para todos.

Denise Frossard tem eleitorado mais conservador, embora seu partido, o PPS, tenha origem esquerdista. Luiz Paulo Conde é um mistério mas não um enigma, pessoal. Pode obter votos na esquerda, no centro ou na direita, o que o transforma num candidato forte.

Finalizando: não há uma possibilidade em 1 milhão de alguém vencer no primeiro turno. Para o segundo turno, terá que haver extraordinário malabarismo entre os dois que se salvarão desse dificílimo primeiro turno.