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17/10/2011 | Jornal O Globo

'Não aceito chantagem de farsante', rebate ministro

Por Gerson Camarotti

gcamarotti@bsb.oglobo.com.br

BRASÍLIA. Diante das novas ameaças feitas ontem pelo policial militar e ex-militante do PCdoB João Dias Ferreira, o ministro do Esporte, Orlando Silva, foi para o ataque e disse que não aceita chantagem. O policial aumentou as acusações e, em seu blog, escreveu que “era bom o PCdoB nacional ficar calado antes de sair em defesa do Orlando sumariamente”. Em resposta ao ministro, disse que aguardava “ansiosamente ser chamado para apresentar as verdades materializadas”.

Segundo o ministro, a partir de agora, Dias Ferreira terá que provar suas acusações à Polícia Federal.

— Não aceitamos chantagem desse farsante! Desde que começamos a cobrar a execução dos convênios, esse sujeito fazia ameaças. A relação com esse farsante será por meio do inquérito da PF. Não imaginava que alguém levasse a sério esse sujeito com ficha corrida. Não haverá provas do que ele disse porque os fatos não existem. Isso é uma farsa que pode ter objetivos políticos e interesses contrariados — disse ao GLOBO o ministro, que chegou ontem ao Brasil, de Guadalajara.

No blog, Dias Ferreira diz que foi procurado na sexta-feira, véspera da publicação de sua entrevista na revista “Veja”, pelo secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, por ordem do ministro Orlando Silva. “E se tu não deves nada, por que mandou seu secretário nacional Ricardo Leyser tentar me localizar na sexta-feira, quando soube da matéria? O que ele queria comigo? Fazer mais um daqueles acordos não cumpridos?”, escreveu ele. Em seguida, afirmou que não era bandido e acusou o ministro e a equipe de refazer “qualquer processo do ministério de acordo com sua conveniência”.

Pelo Twitter, o próprio secretário Leyser rebateu a acusação de Dias Ferreira e afirmou que estava no México com o ministro Orlando Silva na sexta-feira. “Mais uma mentira esdrúxula do policial militar João Dias contra o Ministério do Esporte! Estou no México desde a quinta, dia 13/10, cumprindo agenda relacionada ao Pan. Qualquer atividade atribuída a mim no Brasil é improcedente”, escreveu Leyser.

Diante das novas denúncias, o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), informou que vai apresentar requerimento de audiência para ouvir Dias Ferreira. Em entrevista à “Veja” deste fim de semana, ele acusou a existência de um esquema no ministério para desviar recursos do programa Segundo Tempo. O PSDB também quer ouvir o ex-militante do PCdoB.

— O ministro já propôs a ir ao Congresso se explicar. Mas não podemos ficar só com a defesa, temos que ouvir o ataque — disse o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ).

Ontem, Orlando Silva afirmou que desde setembro não há mais convênios entre ONGs e o Segundo Tempo, programa de inclusão de jovens de baixa renda à prática esportiva.

— Reconhecemos que há ONGs sérias, mas tinham muitas denúncias. Cortamos o item alimentação do programa e, para o material esportivo, fizemos um pregão eletrônico.