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02/08/2012 | Revista Veja.com

'Não vou me conter, vou dar uma palavrinha sobre o mensalão'

Freixo e Otavio Leite avisam: vão usar mensalão contra Paes

Por Cecília Ritto

O deputado federal Otavio Leite (PSDB) e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) chegaram ao estúdio da Band afinados com a temática do mensalão. A aposta da oposição é que o julgamento, iniciado nesta quinta-feira, prejudique a performance do prefeito Eduardo Paes (PMDB), favorito para permanecer por mais quatro anos no Palácio da Cidade. “Não vou me conter, vou dar uma palavrinha sobre o mensalão. É uma referência necessária porque se trata de um momento histórico”, afirmou o tucano.

Freixo pretende usar o debate para avançar sobre os 50% dos eleitores que declararam não o conhecer, segundo pesquisa DataFolha. Apesar de afirmar que fará um debate propositivo, alfinetou o prefeito: “Quem tem de responder sobre o mensalão é quem participou da CPI dos Correios, quem disse que a família do Lula era uma gangue. E hoje está do lado do Lula”, relembrou o candidato.

Em 2005, quando Paes era deputado federal pelo PSDB e integrava a CPI dos Correios, chamou o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “chefe da quadrilha”, em referência ao esquema de corrupção. Ele foi duro no combate, partiu para cima de Lula, usou sua voz da oposição para apontar malfeitos do governo petista. “O relatório comprova que, ao contrário do que afirma o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as provas de corrupção no governo existem para dar e vender”, afirmou o então deputado sobre o relatório parcial da CPI dos Correios. Em 2008, já no PMDB, Paes tentou se retratar com Lula, movimento coordenado pelo governador Sérgio Cabral, aliado de primeira hora do ex-presidente.

Manifestação - Ao contrário dos seus rivais, o candidato do DEM, Rodrigo Maia, disse que não pretende abordar o assunto mensalão. No entanto, uma claque montada na porta da emissora para ele e sua vice, Clarissa Garotinho (PR) gritava: “Ão ão ão o 15 (número de Paes) é mensalão”. Cerca de 50 militantes se aglomeraram em frente à Band para gritar frases de apoio a Rodrigo, um candidato que, nitidamente, não se sente à vontade em situações de exposição junto à população. Ele chegou a entrar pela lateral da emissora, mas desceu rapidamente para cumprimentar os eleitores.

A claque repete a cena do primeiro debate ao governo do estado em 2010. O então candidato pelo PR, Fernando Peregrino, também apoiado por Anthony Garotinho, chegou acompanhado de uma audiência barulhenta. Nesta quinta, as bandeiras de Rodrigo e Clarissa tomaram conta de parte da rua onde fica o estúdio. Os eleitores sabiam de cor gritos de guerra e coreografia. “É a turma do vale tudo. Barulho não conquista voto. Chegaram com o slogan já ensaiadinho”, disse o deputado federal e coordenador de campanha de Freixo, Chico Alencar, do PSOL, levantando a suspeita de pagamento por parte da campanha dos candidatos do DEM e do PR aos militantes.

Rodrigo, bem mais discreto do que as pessoas que empunhavam a sua bandeira, não deverá citar o seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia, atual candidato a vereador, no debate. Isso só será feito caso seja perguntado. “Cesar Maia não é candidato a prefeito. O candidato é Rodrigo Maia. Não fugirei de nenhum tema, mas o que está em jogo não é a gestão de Cesar Maia, mas o futuro do Rio”, afirmou.