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30/11/2010 | Jornal O Globo

Ninho tucano enfrenta crise no Rio

Por Marcelo Remígio

RIO - A reunião promovida nesta segunda-feira pelo diretório regional do PSDB no Rio para discutir o desempenho tucano nas eleições de outubro terminou em crise. O ex-governador Marcello Alencar propôs ao prefeito de Duque Caxias, José Camilo Zito, que deixe a presidência estadual. Ele reclamou que Zito não se empenhou para eleger José Serra presidente e Fernando Gabeira (PV) governador. O prefeito também teria estreitado relações com o governador reeleito Sérgio Cabral (PMDB). Após as críticas, Zito afirmou que dificilmente permanecerá no cargo e não descarta deixar o partido.

" Será difícil eu permanecer na presidência e ficarei no partido até o prazo que a legislação determinar "

Zito afirmou que entregaria sua carta de renúncia nesta segunda-feira. Mas voltou atrás após pedido do vice-presidente regional, Márcio Fortes. A decisão será tomada em 15 dias. Marcello afirmou estar decepcionado com Zito, que tem mandato de presidente até abril. O ex-governador foi o maior defensor da entrada do prefeito no partido e de sua permanência no comando.

- Estou surpreso. Estive empenhado em eleger Serra. Não podem me culpar de seu desempenho pífio. Sugeri tirar dois meses de licença para a campanha e não quiseram. Respeito o Marcello, mas o tempo dele passou. Será difícil eu permanecer na presidência e ficarei no partido até o prazo que a legislação determinar - sentenciou Zito.

O mal estar tomou conta do ninho após a executiva regional decidir apoiar Gabeira. Zito defendeu Serra, mas foi contra o verde, a quem acusou de discriminá-lo. Serra obteve no segundo turno pouco mais de 25% dos votos em Duque de Caxias. Já Gabeira não chegou a 14% no primeiro turno na cidade.

Após a reunião, os tucanos reagiram à crise defendendo mudanças no partido, como a formação de novos quadros.

- O PSDB tem que parar de ficar só discutindo e falando de nomes. Precisa é repensar sua ideologia - disse a vereadora Andrea Gouvêa Vieira.

- O PSDB tem agora é que fazer frente à política de um partido único que domina o Rio - acrescentou o deputado Otavio Leite.