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06/07/2012 | Jornal O Globo

No Rio, candidatos miram eleitor evangélico e áreas das UPPs

Por Cássio Bruno

Discursos, abraços, beijos, apertos de mãos e sorrisos, muitos sorrisos para fotografias. Os candidatos a prefeito do Rio dão a largada nesta sexta-feira na campanha em busca dos votos de 4,7 milhões de eleitores da capital. Na tentativa de levar a disputa para o segundo turno, os adversários do prefeito Eduardo Paes (PMDB), que tentará a reeleição e dará o pontapé inicial ao lado da presidente Dilma Rousseff, vão travar uma batalha em regiões onde há comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) — novidade em eleições municipais —, além de bairros da Zona Oeste e no seguimento evangélico.

Sem restrições impostas pelo tráfico e pelas milícias, a aposta nesses locais com UPPs é alta. Só no Complexo do Alemão há três unidades. Segundo o IBGE, moram no conjunto de favelas 69.143 pessoas. A estimativa das associações de moradores, no entanto, é que este número seja de pelo menos 120 mil, sendo 80 mil aptos a comparecer às urnas.

— As UPPs são uma vitória. Falta agora um ingrediente importante: atividade econômica. Vou pedir votos dizendo aos moradores que vamos implantar programas para estimular os empreendedores e as microempresas — afirmou o deputado federal Otavio Leite, candidato pelo PSDB.

Ao todo, são 25 UPPs que atendem 150 comunidades, com um efetivo de 5.500 policiais. Na Cidade de Deus, por exemplo, 37.375 eleitores votaram nas eleições de 2010. No Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, foram 17.668. No Morro do Borel, 18.087. Há dois anos, candidatos a presidente, a governador, a senador e a deputado tiveram à disposição apenas nove unidades.

— Trabalho há 25 anos com direitos humanos no Rio. Vou entrar (nas áreas com UPPs) legitimado pela minha história — ressaltou o deputado estadual Marcelo Freixo, que concorre pelo PSOL.

A deputada estadual Aspásia Camargo, candidata pelo PV, levará o discurso da legalização de imóveis e do desenvolvimento sustentável:

— Não vou fazer promessas clientelistas.

Um dos coordenadores da campanha de Eduardo Paes, Jorge Picciani disse que a estratégia será lembrar aos eleitores que as UPPs foram implantadas no governo Sérgio Cabral (PMDB), fiador político do atual prefeito.

— Se haverá paz e tranquilidade para todos os candidatos irem pedir votos, vamos mostrar aos eleitores que tudo isso se deve ao nosso governo — afirmou Picciani.

— Nunca deixei de fazer campanha nas comunidades, mesmo com ou sem UPPs. Mas, agora, vai facilitar. A minha vontade é que tivesse UPPs na cidade inteira. É o sonho do carioca — disse o deputado federal Rodrigo Maia, candidato pelo DEM.

Nos bairros da Zona Oeste, onde há 1,7 milhão de eleitores, incluindo Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, a maioria dos candidatos vai pedir votos na região já a partir deste fim de semana. Nesta sexta, depois de entregar apartamentos com Dilma, em Triagem, Paes vai à Barra iniciar as obras do Parque Olímpico Rio 2016. Já Rodrigo Maia seguirá para Campo Grande. No sábado, Aspásia estará em Realengo. E Freixo, no calçadão de Campo Grande.

— Enviei um ofício ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), com cópia para a Secretaria estadual de Segurança Pública, informando que eu vou para a Zona Oeste. O estado tem que garantir segurança de todos os candidatos — ressaltou Freixo, que anda com escolta e carro blindado desde que começou a receber ameaças após presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias.

O eleitorado evangélico também terá atenção especial. Paes leva ampla vantagem. Além do apoio do ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, o prefeito contará com outros líderes religiosos, como os pastores Manoel Ferreira (Assembleia de Deus), Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo) e Valdemiro Santiago (Igreja Mundial do Poder de Deus).

— O prefeito Eduardo Paes, pelas pesquisas, está muito bem no meio evangélico. A minha participação na campanha dele será apenas por meio do tempo de TV — disse Crivella, por sua assessoria de imprensa.

Segundo o Censo do IBGE, em 2010, os evangélicos, na capital, chegaram a 1.477.021 (23,3%), enquanto os católicos atingiram 3.229.192 (51%) fiéis. Em 2000, os evangélicos eram 1.034.009 (17%) e os católicos, 3.556.096 (60%).

— Pedirei ajuda a lideranças evangélicas que deram apoio à Marina Silva (candidata à Presidência em 2010) no Rio — revelou Aspásia.

Otavio Leite usará outra estratégia:

— Farei uma cruzada contra o crack dentro dos templos. Além disso, é minha a lei municipal que isenta de impostos construções sociais anexas às igrejas, como creches.