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29/12/2005 | Jornal do Brasil

No Rio, PFL e PSDB em litígio

Oposição de vereadores tucanos a projetos de Cesar Maia criam tensão na articulação política no Estado

Semanas depois de declarar que abriria mão da candidatura própria caso o prefeito de São Paulo, José Serra, fosse o escolhido do PSDB para a candidatura à Presidência da República, o prefeito Cesar Maia (PFL) demonstrou que, no Rio, o casamento do PSDB com o PFL não anda tão bem. O prefeito afirmou que não desejaria deixar a cidade nas mãos dos tucanos – partido do vice Otavio Leite –, que lhe têm feito oposição na Câmara Municipal.

Nos bastidores, vereadores dos PSDB fazem pressão a legenda deixar a administração da cidade. Otavio, porém, permaneceria no cargo. Tentativa dos vereadores de arquivar o Orçamento, na sexta-feira, contribuiu para estourar a crise.

– Fiquei imobilizado na prefeitura. Não poderia entregá-la a quem faz intensa oposição à execução do programa que nos elegeu – explicou o prefeito.

O vereador tucano Luiz Guaraná afirmou que “ninguém foi eleito para ser cordeirinho do prefeito”. Ele, no entanto, nega a briga política de seu partido com o PFL de Cesar.

– Às vezes, não tem como ficar quieto. Fazemos críticas pontuais que é nossa obrigação. Não há nenhuma oposição sistemática – justificou Guaraná.

A declaração do prefeito não chegou a preocupar os tucanos que apostam em sua candidatura, não à Presidência – para a qual pesquisas apontariam baixos índices de votos –, mas como candidato ao governo estadual, onde lidera os números.

Um acordo já teria sido firmado: quando Cesar saísse da prefeitura, o PSDB o apoiaria e se comprometeria a manter secretários e integrantes do núcleo duro do governo.

O projeto do PSDB é o Planalto. O indispensável para a sigla é uma aliança para o governo do estado que ofereça ao candidato tucano a presidente um palanque forte. O nome de Cesar é o ideal, apesar de o prefeito ter dito que não pretende se lançar e ter anunciado seu secretário de Obras, Eider Dantas, como o candidato do PFL.

A decisão sobre a saída de Cesar, acreditam os tucanos, deve sair apenas no dia 31 de março – data limite para a desincompatibilização. Em recente reunião com seu secretariado, Cesar teria dito que não poderia antecipar o anúncio de sua candidatura para que não houvesse uma quebra de hierarquia no município.

Leite tenta pôr panos quentes na briga com sua expectativa de assumir a prefeitura:

– A decisão de sair cabe exclusivamente ao prefeito. O PSDB não pode interferir, mas o fim de março promete ser de emoções dignas de um Fla-Flu.