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23/04/2012 | Jornal Brasil Econômico

No Rio, serão todos contra o prefeito

Por Pedro Venceslau e Rafael Abrantes

Candidato a reeleição, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), tem evitado falar com a imprensa sobre assuntos eleitorais. Ao contrário de seus adversários, ele não precisa de mídia espontânea nessa altura do campeonato. Muito pelo contrário. Mas assim que a campanha começar de fato, ele terá intermináveis 15 minutos diários na televisão em horário nobre e terá apoios de peso, como da presidente Dilma Rousseff, do governador Sérgio Cabral e do ex-presidente Lula.

Em nenhuma outra capital brasileira um candidato conta com o apoio de praticamente todos os partidos da base aliada de Dilma Rousseff no Congresso Nacional. A lista é eclética e inclue siglas que vão do PT ao PDT, passando pelo PSD de Gilberto Kassab, pelo PP e até mesmo o oposicionista PPS. Eduardo Paes conta, ainda com a aprovação de 68% dos eleitores. A reportagem do BRASIL ECONÔMICO ouviu todos os adversários do prefeito e constatou que a estratégia no primeiro turno será um pacto de não agressão.

Filhos de peixe

"O alvo de todos no primeiro turno será a política do Eduardo Paes. Sua gestão não deixou marcas e as pesquisas mostram isso", afirma a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), candidata a vice-prefeita na chapa de Rodrigo Maia (DEM).

A dupla de filhos de políticos famosos (Antony Garotinho e César Maia) terá cinco minutos na propaganda de televisão.

"Tenho certeza que o Rio terá segundo turno. Estou em um patamar de intenção de votos muito parecido com o do Marcelo Freixo. E o Otavio Leite (PSDB) está um pouco abaixo", completa Rodrigo Maia. Em tempo: ele afirma que ainda não sabe quando (e se), o deputado federal e ex-governador do Rio, Antony Garotinho (PR) e o ex-prefeito César Maia (DEM) entrarão na campanha. "Se em alguns segmentos eles podem nos tirar votos, em outros eles somam. O uso da imagem deles nos programas de televisão ocorrerá no limite da necessidade". Vale lembrar que César Maia e Antony Garotinho foram rivais ferozes na política fluminense. "Nossos pais eram adversários, mas os candidatos agora somos o Rodrigo e eu", ressalta Clarissa.

Tucano solitário

Outra particularidade da eleição no Rio de Janeiro é o papel de coadjuvantes dos dois partidos que polarizam a política nacional: PT e PSDB. O primeiro acatou a ordem de Lula e abriu mão de ter candidato próprio para apoiar Paes. O segundo lançou na disputa o deputado federal Otavio Leite, que formalizou seu palanque solitário no último fim de semana. O tucano, que terá cerca de 3 minutos na televisão, está com dificuldade de atrair aliados para sua chapa. E seu partido é, hoje, uma sombra dos tempos em que governou o Rio com Marcelo Alencar.

Como se não bastassem as dificuldades, Leite ainda enfrenta um fogo amigo pesado da vereadora tucana Andrea Gouveia Vieira, que decidiu apoiar Marcelo Freixo (Psol). "O PSDB no Rio está minguando e não sabe nem quantos filiados têm. A única coisa que o partido tem para oferecer é tempo na TV", diz a vereadora. Ela vai além. A candidatura do Otávio é frágil e não tem futuro. Ele é um político muito pontual e não tem propostas para a cidade".

Leite prefere não alimentar a polêmica com a colega de partido e foca seu discurso no segundo turno. "Não é só o Marcelo Freixo que tem o apoio dos artistas. Sou o autor da PEC da Música, que acaba com o imposto das produções musicais", diz. Assim como a dupla Rodrigo Clarissa, o tucano afirma que no primeiro turno "todos vão apresentar críticas ao Eduardo Paes".

Uma terceira candidatura ainda pode surgir no tabuleiro carioca: a vereadora Aspásia Camargo, do PV. Mas por enquanto a sigla ainda não oficializou seu nome. "Nós estamos dialogando com o Partido Verde. Não temos pressa", diz Otavio Leite.