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29/11/2009 | Diário do Grande ABC

O melhor da música em 2009

Por Dojival Filho

Qual é o balanço de 2009 no quesito musical? Quais foram os principais lançamentos e os artistas brasileiros que devem consolidar a carreira em 2010? As perspectivas são boas para o mercado fonográfico?

Para responder a essas e outras questões, o Diário ouviu três profissionais da área: o jornalista, produtor e jurado de programa de TV Carlos Eduardo Miranda; o presidente da ABMI (Associação Brasileira da Música Independente), Roberto de Carvalho; e o diretor artístico e também produtor Wagner Paco Henrique.

O resultado das entrevistas não foi uma lista definitiva, mas um apanhado de nomes e temas relevantes. Durante o ano, não faltaram bons discos de roqueiros veteranos, como Erasmo Carlos e Arnaldo Antunes; surpresas agradáveis de artistas ascendentes da MPB, como As Chicas; e inspirada safra de documentários, como Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Calvito Leal, Claudio Manoel e Micael Langer, que resgata a polêmica trajetória do cantor Wilson Simonal.

A LISTA DO MIRANDA

Entre os melhores CDs do ano, Miranda citou Uhuuu!, gravado pelo Cidadão Instigado, banda do guitarrista cearense Fernando Catatau, que combinou psicodelia e canções mais acessíveis em relação a trabalhos anteriores. O produtor mencionou ainda os discos Cristalina, composto por melodias suaves da pernambucana Lulina, e C-mpl-te, segundo álbum dos brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju, que fundem rock, ska e MPB, entre outros ritmos.

"Em 2010, acredito que vão conquistar mais espaço duas bandas curitibanas, a Copacabana Club (que mistura indie rock, música eletrônica e new wave), e a Milocovik, que toca um rock muito bem feito. Também aposto nos novos discos do Cordel do Fogo Encantado, Nina Becker e Mallu Magalhães".

Sobre o mercado, Miranda, que tem no currículo produções de nomes consagrados como Skank e Raimundos, não demonstra pessimismo. "O formato CD ainda vai durar muito tempo e, cada vez mais, as gravadoras tentarão ser agenciadoras de shows", diz

Diretor artístico ligado à música eletrônica, Wagner Paco Henrique aposta no trabalho da dupla Sweetmad, formada por Carlo Dall'' Anese, de São Caetano, e Fábio Castro. "Carlo é considerado um dos maiores DJs do País e Fábio é um produtor premiado, que se apresenta também como DJ. O Sweetmad vem aí como uma bomba", aposta.

INDÚSTRIA

Ainda não há balanço oficial sobre a indústria fonográfica em 2009. Mas, conforme a ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos), a venda de CDs, DVDs e ringtones movimentou, em 2008, R$ 559, 9 milhões - aumento de 6,5% no faturamento das gravadoras em relação a 2007 (R$ 337 milhões).

"A perspectiva para 2010 é de estabilização, após anos de queda vertiginosa", afirma o presidente da ABMI, Roberto de Carvalho. Ele destaca a necessidade de aprovação da PEC 98/07 (Proposta de Emenda à Constituição), conhecida como PEC da Música.

Elaborada pelo deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ), a proposta tramita há cerca de dois anos na Câmara e estabelece imunidade tributária para gravações de artistas brasileiros. Caso entre em vigor, pode reduzir em até 25% o preço de CDs e DVDs.

O principal obstáculo ainda é a bancada da Zona Franca de Manaus (atualmente, Amazonas é o único Estado que conta com isenção de impostos para o setor).