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13/03/2003 | Jornal O Globo

Obra do emissário da Barra atrasa de novo

O governo do estado divulga hoje à tarde o novo cronograma para a conclusão das obras de construção do emissário submarino da Barra da Tijuca. Embora o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Luiz Paulo Conde, tenha decidido ontem não informar datas, é pouco provável que as obras terminem antes do fim do verão do ano que vem — um ano depois do prazo previsto pelo cronograma original, que vence no dia 29.

Por falta de verbas, devido à crise financeira do estado, as obras para a construção da rede de troncos coletores e da estação de tratamento estão paradas há cinco meses. Já a instalação no fundo do oceano dos três quilômetros de tubos para transportar até o alto-mar o esgoto tratado nem sequer começou. Neste caso, o provável é que o trabalho não comece antes do fim do ano. Isso porque foi perdido aquilo que os especialistas chamam de “janela” para que o trabalho seja feito em segurança.

— A partir de abril, as condições do mar se tornam desfavoráveis — explica o geólogo e ambientalista Elmo Amador, ex-presidente da Feema. — A chegada de frentes frias é cada vez mais constante e, quando entram ressacas, as ondas chegam a quatro metros de altura. Instalar tubos nessas condições é possível, mas o risco de acidentes com tubulações e barcos é muito grande. E o serviço, mais caro.

Conde responsabilizou ontem a equipe da ex-governadora Benedita da Silva por não ter cumprido o cronograma e disse que hoje divulgará os novos prazos. O atraso nos trabalhos levou a Assembléia Legislativa (Alerj) a criar na terça-feira uma comissão para acompanhar a execução das obras da Barra.

O presidente da comissão, deputado Otavio Leite (PSDB), pedirá hoje ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) que indique técnicos para que se faça uma auditoria no projeto. Em reuniões na Alerj e na Barra, também serão ouvidos, entre outros, Conde e representantes das empreiteiras.

— É preciso ficar claro se o estado tem condições de levar o projeto à frente. Caso contrário, a prefeitura poderia ajudar, investindo nas obras — sugeriu Otavio Leite, relançando uma idéia que nos últimos anos provocou disputas políticas e brigas judiciais entre estado e o município pelo saneamento da Barra.

Otávio lembra que a lei orçamentária de 2003 do município prevê o uso de recursos no projeto, mediante um acordo com o estado. Um dos artigos autoriza a prefeitura a ser ressarcida, com dinheiro do pagamento das contas de água e esgoto da região.