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28/01/2016 | PSDB na Câmara

Olimpíadas 2016: poluição da Baía de Guanabara volta a ser debatida após acusações de ex-diretor da vela

A despoluição da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, era uma das principais promessas do Brasil para a realização das Olimpíadas 2016, mas não avançou e o país pode passar vexame pela falta de preparação para recepcionar atletas do mundo inteiro. De acordo com matéria do jornal Correio Braziliense desta quinta-feira (28), acusações do ex-diretor-executivo da Federação Internacional de Vela Peter Sowrey reacenderam o debate sobre a qualidade da água na Guanabara e repercutiram no exterior.

O dirigente deixou o cargo no último mês de dezembro e alega ter sido demitido porque concentrou esforços para levar as provas para Búzios devido à contaminação do mar. Procurada pelo jornal, a Assessoria de Comunicação do Comitê Rio-2016 disse que não há ninguém designado para falar sobre a poluição da Guanabara e se limitou a responder que a posição oficial é de que a raia não será alterada e a competição vai ocorrer no local previsto.

Segundo o deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ), esse é um drama crônico no Rio de Janeiro, uma região metropolitana que tem uma convergência dos rejeitos e dos esgotos para a Baía de Guanabara. “Há muito tempo vem se tentando enfrentar esse problema. No entanto, o que me causa surpresa foi a irresponsabilidade do governo de apregoar para o Comitê Olímpico Internacional que conseguiria [a despoluição]”, destacou.

O tucano afirma que, ao contrário do que se alardeou, houve quase uma paralisação do programa de despoluição da Baía de Guanabara. “O governo federal deveria, ao lado do governo do estado, ter sido mais honesto em relação ao problema que não para na Baía de Guanabara. A região [da zona Oeste] onde os jogos vão ser realizados, tem três lagoas, exatamente no Parque Olímpico e a despoluição das lagoas da Baixada de Jacarepaguá, que era muito mais factível, praticamente não andou. É muito ruim para o país e o governo federal deveria ter aportado mais recursos para as obras de despoluição no complexo de Jacarepaguá”.

Depois de uma investigação que encontrou dejetos, vírus e bactérias na água da Baía, a capacidade do local começou a ser questionada e o compromisso das autoridades era reduzir o despejo de esgoto em pelo menos 80%. No entanto, foi confirmado, em 2015, que não será possível alcançar a meta a tempo dos Jogos Olímpicos, apesar da insistência no discurso de que as águas estarão em boas condições. Segundo o jornal, com o que foi atestado nos dois eventos prévios, realizados no ano passado, o comitê disse que se responsabiliza pela qualidade da água e pela preservação da saúde dos atletas em competição.

Nova repercussão

A história da poluição das águas da Baía de Guanabara voltou a ganhar força na Internet, após o apresentador Mike Greenberg, da ESPN americana, se manifestar sobre o assunto nesta quarta-feira (27). Em vídeo postado em uma rede social, Greeny, como é conhecido, desafiou as autoridades do Comitê Olímpico Internacional a levarem membros da família para nadar nas águas poluídas do Rio de Janeiro. O link já foi compartilhado mais de 4 mil vezes pelos internautas.

O apresentador afirmou ainda, no programa Mike & Mike, que o COI força competidores a escolherem entre a integridade física e o sonho olímpico ao marcar competições para locais poluídos. Conforme O Globo, durante a provocação, a tela de Greeny foi coberta por imagens de águas extremamente poluídas, sem especificar quais seriam os locais de partida da prova ou o circuito percorrido pelos atletas. O Comitê Olímpico Internacional não se manifestou.

Para o deputado Otavio Leite, lamentavelmente as notícias sobre o Brasil no contexto internacional e na imprensa são as piores, como se não bastassem as revelações de esquemas de corrupção e de outros problemas econômicos recorrentes. “Esperava-se das Olimpíadas um momento para que o país pudesse respirar um pouco. No entanto, nesse contexto pré-olímpico, as notícias também prosseguem ruim nesse aspecto que diz respeito a problemas ambientais que o país havia adotado como missão para enfrentá-los para valer e prosseguem, gerando, inclusive, alguns constrangimentos e humilhações para o nosso país na imprensa internacional. Isso é próprio da desgovernança do PT no governo”, critica o parlamentar.

Alerta contra zika

De acordo com O Globo, o Comitê Olímpico Australiano alertou seus atletas sobre os riscos de contrair o vírus zika durante os Jogos Olímpicos Rio-2016. Além de orientar os competidores a tomarem precauções, mulheres em idade reprodutiva foram aconselhadas a não viajarem ao Brasil, devido aos casos de bebês com microcefalia no país – segundo boletim divulgado nesta quarta pelo Ministério da Saúde, foram notificados, até 23 de janeiro, 4.180 casos suspeitos da má formação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o nível de preocupação com o vírus zika é extremamente alto e a epidemia deve se espalhar pelo continente americano, com exceção de Chile e Canadá. O alerta foi publicado nos principais jornais do mundo nesta quinta. Durante reunião do comitê executivo da OMS, a diretora-geral da organização, Margaret Chan, defendeu a troca de informações sobre o surto da doença, que já atinge 23 países. Um reunião de emergência foi convocada para a próxima segunda-feira (1°), em Genebra (Suíça), para discutir a propagação do vírus.