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08/12/2009 | Tudo global (O portal dos blogs)

Os efeitos do escândalo

Por Pedro Oliveira

O Escândalo da propina envolvendo o governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, fez com que tucanos e democratas suspendessem temporariamente as conversas sobre a indicação do vice na chapa da oposição para a sucessão presidencial de 2010 e o primeiro reflexo foi o PSDB, conforme apresentado no programa do partido na TV, tentar averiguar se há uma aceitação de dupla José Serra e Aécio Neves em chapa pura.

No DEM, a ordem é só retomar as conversas quando houver clareza sobre a extensão do escândalo que implodiu os projetos do DEM no Distrito Federal. “Não é o momento de tratar da aliança. Em meio à crise, o melhor é resolver a crise primeiro. Acho engraçado que estejam falando de vice agora se não escolheram nem o candidato”, diz o presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ).

Embora ninguém duvide de que os dois partidos estarão juntos em 2010, os tucanos consideram que a crise no Distrito Federal pode alterar os interlocutores dessa aliança. A sensação do PSDB é a de que o cenário hoje é de enfraquecimento da posição de Rodrigo Maia como principal ator do processo de união entre os dois partidos. Por isso, enquanto Maia cuida da crise interna, as relações do DEM com o PSDB se deslocam para os personagens que comandaram a aliança com Fernando Henrique Cardoso em 1994, o ex-vice-presidente da República Marco Maciel o ex-presidente do antigo PFL Jorge Bornhausen e o ministro aposentado do TCU Guilherme Palmeira. Como novidade no grupo, a estrela do DEM em ascensão, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Essa nova configuração é favorável ao governador de São Paulo, José Serra, uma vez que Maia desde outubro declara sua preferência pela candidatura do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, por considerar o mineiro mais hábil para implodir a aliança que Lula tenta montar em torno da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT.

Da parte dos tucanos, sem a certeza do que o futuro reserva aos democratas, a ordem inicial do programa de TV do partido, exibido na última quinta-feira, foi apostar numa união entre Serra e Aécio. Para muitos soou como um indício de que, se o estrago no DEM não ficar restrito ao Distrito Federal, a saída será mesmo a chapa pura, com Aécio na posição de vice. Essa configuração, no entanto, tem um problema: Aécio não aceita ser candidato a vice. “O jogo eleitoral será pesado e temos que usar todo o nosso potencial. Acho que a idéia da chapa pura, olhando no contexto de hoje, é a solução. E, sobretudo, nos dá mais chance de vitória”, comenta o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ).

Nos últimos 30 dias, a relação entre Aécio e Serra estremeceu. Em conversas reservadas, os tucanos comentam a respeito de um diálogo onde Aécio teria dito a Serra que se o paulista “amarelasse agora”, daria tempo para que ele (Aécio) viabilizasse uma candidatura de janeiro a abril. “Se você amarelar em março, inviabiliza o partido”, teria dito o governador mineiro, segundo relato dos próprios tucanos. Serra não disse nem sim, nem não. Apenas afirmou que estava cedo para tratar disso, já que os dois tinham estados para governar.

Texto base: abcpolitiko.com.br