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10/09/2012 | Jornal O Globo on line

Otavio Leite abre sabatina do Globo com candidatos a prefeito

Por Renato Onofre

RIO — O tucano Otavio Leite abriu, na tarde desta segunda-feira, a série de entrevistas com os candidatos a prefeito do Rio organizada pelo jornal O GLOBO com críticas ao prefeito Eduardo Paes (PMDB) a quem chamou de autoritário. Ele também justificou os recentes ataques ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) como estratégia para contrapor as ideias da “esquerda” representada por Freixo. Para o candidato do PSDB, a eleição tem que servir para definir campos ideológicos dos candidatos.

Durante esta semana, o GLOBO vai entrevistar os candidatos dos partidos com maior representação na Câmara Municipal. Na terça-feira, será a vez de Aspásia Camargo (PV), seguida de Rodrigo Maia (DEM), na quarta-feira, Marcelo Freiso (PSOL) na quinta, e Eduardo Paes (PMDB) na sexta. Os leitores podem enviar perguntas por meio do Twitter de País e o perfil do Facebook do GLOBO.

— Ele tem uma visão de Estado dinossáurica. Estatizante. Incompatível com a sociedade atual — disse o tucano sobre Freixo.

Sobre qual a diferença para o prefeito Paes, o tucano respondeu que se preocupa mais com as pessoas.

- O prefeito é presidido por uma trilogia. Ele vive sob a égide do “asfalto, tijolo e cimento” e, para mim, as pessoas estão em primeiro lugar. Ele está preocupado com o asfalto liso, em fazer UPAs e clínicas da família, sem a responsabilidade de ter a segurança de que os equipamentos vão funcionar para valer. É impressionante, aonde eu vou, as pessoas dizem que tudo é de fachada.

Leite admitiu que não é conhecido da maioria do eleitorado, apesar de já ter passado mais de um mês do início da campanha. Mas acredita que o momento de mobilização da sociedade com a eleição começa agora, a menos de 30 dias para o pleito de 7 de outubro.

— Não consegui ainda conseguir um nível de mobilização nas esquinas, nas ruas. Estamos no instante de uma decisão mais reflexiva de decidir o voto. Eu tenho certeza que essa reta final vai se prestar muito a isso. É a oportunidade das pessoas reavaliarem e refletirem sobre as propostas. A gente acredita muito nesse momento como um momento de crescimento.

O deputado mais uma vez não quis polemizar com a posição da vereadora do seu partido, Andréa Gouveia Vieira, que apoia o adversário do PSOL.

— Isso agora é problema do Freixo e não comigo.

O primeiro ataque ao prefeito aconteceu aos cinco minutos de entrevista quando, ao defender o cumprimento e validade do registro dos programas de governo junto à Justiça eleitoral, disse que Paes não cumpriu uma das suas promessas em 2008 e aumentou impostos na cidade.

Sobre sua participação na gestão do ex-prefeito Cesar Maia (DEM), Leite mais uma vez disse que não tinha poder e brincou comparando sua atuação ao ex-vice-presidente Marco Maciel, que esteve ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) por oito anos.

— Fui um vice-prefeito de fazer inveja ao Marco Maciel — brincou. - Não cheguei até o fim do mandato. Com um ano e três meses me desincompatibilizei e anunciei que concorreria a deputado federal. Tivemos um entendimento, dentro do partido, de que a aliança não funcionou como deveria e segui a estrada. Não vejo nenhum tipo de possibilidade de associar a mim à gestão do prefeito Cesar Maia. Tive uma relação protocolar com ele, não passou disso.

Candidato responde a perguntas dos leitores

Além das perguntas feitas por jornalistas, Otavio Leite também ouviu questões enviadas por internautas às páginas do GLOBO no Twitter, Facebook e Google . O candidato do PSDB defendeu um 'redesenho do transporte metropolitano' e afirmou que vai negociar com os outros prefeitos ao responder ao internauta Dudu França, que perguntou via Facebook sobre as propostas de Leite para o transporte na cidade.

Já Gabriela Aymoré, que também usou o Facebook para saber do candidato se ele "realmente acha que dois professores por sala iriam solucionar os problemas educacionais", teve como resposta do tucano que 'se não resolve (a situação), melhora muito'. Segundo Leite, serão necessários dois mil professores para viabilizar a proposta, voltada para as turmas de alfabetização, ao custo de R$ 60 milhões por ano.

- Dois professores por sala são uma grande novidade que vai ajudar a corrigir um problema que é estrutural. A solução como um todo depende de outras medidas adicionais - ressaltou.

Otavio Leite (PSDB) participa de sabatina no jornal O GLOBO Foto: O Globo / Marcelo Carnaval