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03/08/2012 | Jornal O Globo on line

Otavio Leite critica a atual administração da cidade

Paes vira alvo de críticas dos rivais no primeiro debate (0h58)

Por Cássio Bruno, Cristina Tardáguila, Juliana Castro, Renato Onofre e Gustavo Schmitt

RIO - No primeiro debate entre os cinco principais candidatos à prefeitura do Rio, na Band, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi alvo de ataques dos seus adversários, que criticaram a política de transportes do município, a ação das milícias em comunidades carentes e a política de saúde no Rio. O prefeito, favorito nas pesquisas, evitou responder diretamente aos ataques e aproveitou suas intervenções para citar realizações de sua gestão, como a implantação do bilhete único, o fechamento do aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, e a parceria com o governo estadual nas UPPs sociais nas comunidades pacificadas.

No segundo bloco, dedicado a perguntas de candidato para candidato, Marcelo Freixo (PSOL) e Rodrigo Maia (DEM) fizeram uma dobradinha para criticar “a política de segurança do PMDB”, partido de Paes. Os candidatos procuraram associar soluções para melhorar a segurança pública, de responsabilidade do governo estadual, com medidas sociais de competência da prefeitura. Maia prometeu retomar os programas Favela-Bairro e o Remédio em Casa, criados por seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia, que não foi citado nominalmente. Em sua pergunta a Freixo, Maia disse que, nos últimos quatros anos, o número de milícias triplicou:

— E, 2008, eram mais de cem, agora mais de 300. É o fracasso da segurança pública do PMDB.

Críticas à política de transportes

Em seguida, Freixo, que presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa, vinculou o problema das vans da cidade à ação desses grupos, que chamou de máfias. Disse que entregou a Paes, em 2008, um relatório pedindo que a licitação desse tipo de transporte fosse feita individualmente, sugestão que, segundo ele, não foi aceita:

— Em 2009 você se reuniu com indiciados ( na CPI das Milícias) e fez licitação com cooperativas — disse Freixo.

O candidato do PSOL também cobrou de Paes explicações sobre o que chamou de seu “silêncio” em relação à linha 4 do Metrô e ao relatório do Tribunal de Contas do Município que citou indícios de formação de cartel na licitação para linhas de ônibus.

Paes, novamente evitando provocações, listou suas ações em transporte:

— Meu governo fez processos licitatórios em ônibus e quatro consórcios assumiram, com regras claras. Fizemos o bilhete único, que atende 350 mil pessoas, depois o BRT, que diminuiu o trajeto de quem mora em Campo Grande e queremos passar a ter mais de 60% da população utilizando o transporte de alta capacidade.

Antes, no primeiro bloco, os candidatos responderam a perguntas de moradores sobre temas da cidade. Mesmo assim, o candidato do PSDB, Otavio Leite, aproveitou sua resposta sobre buracos na calçada para lembrar do julgamento do mensalão, que começou ontem no Supremo Tribunal Federal:

— Foi uma violência contra democracia, uma máfia instalada dentro do Palácio do Planalto — afirmou Leite.

Seguindo a estratégia de direcionar suas críticas a Paes, Leite e Maia trocaram elogios sobre seus projetos para a saúde pública. O tucano prometeu criar uma parceria entre as seis faculdades de Medicina do Rio e os hospitais da cidade. Já Maia disse que criará um plano de cargos e salários para os servidores, sem citar de onde virão os recursos. Mas atacou o atual modelo de gestão da prefeitura, que utiliza as organizações sociais (OS) para administrar a rede de saúde:

— Essa prefeitura vai gastar com OS R$ 2,4 bilhões. Tem dinheiro, ele está sendo mal aplicado — afirmou o candidato do DEM, que, no final, prometeu, no seu primeiro dia de governo, abrir um concurso público para médicos e enfermeiros.

Reciclagem no centro do debate

A candidata do PV, Aspásia Camargo, aproveitou a pergunta que Paes lhe fez sobre as metas assumidas pelo C-40 (grupo das maiores cidades do mundo), durante a Rio 20, para criticar a Comlurb que, segundo ela, é uma empresa que não prioriza a reciclagem:

— A Comlurb é uma empresa com uma filosofia velha e ultrapassada, que acha que sua obrigação é limpeza pública, e não redução de lixo — afirmou Aspásia.

Paes lembrou que promoveu o fechamento do lixão de Gramacho, onde eram jogados os dejetos da cidade:

— Fizemos em Seropédica um centro de tratamento de resíduos adequado que segue parâmetros ambientais.

Ao debater sobre educação, Leite prometeu contratar dois mil professores para a rede municipal de ensino e colocar dois deles em cada classe de alfabetização. Maia disse que criará um programa para que as professoras possam ir aos bairros dos alunos para conhecer suas famílias. Na réplica, o prefeito lembrou que uma de suas primeiras providências foi acabar com a aprovação automática, adotada na gestão de Cesar Maia:

— Era uma cidade que não acreditava no seu futuro. Quem aprendia passava, quem não aprendia passava também —afirmou Paes.

Em debate morno, gastos com publicidade são questionados (às 23h51)

RIO - Em um debate morno, sem ataques pessoais entre os candidatos, o julgamento do mensalão, prometido antes do início do evento, não foi citado até o fim do terceiro bloco. Ao começar o terceiro bloco, Rodrigo Maia (DEM) escolheu novamente perguntar ao candidato Marcelo Freixo (PSOL). O tema foi o gasto de quase R$ 100 milhões em publicidade.

- A verba de publicidade chega a R$ 90 milhões, com o pior atendimento da saúde pública do país, e a pior educação do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Por que essa verba não é usada em campanha de coleta seletiva? Por que não usa na campanha da dengue, da tuberculose? Nada justifica uma verba de R$ 90 milhões - criticou Freixo.

Maia concordou com Freixo e reclamou do fato de a atual secretária de Educação, ser paulista.

Freixo mais uma vez perguntou ao prefeito Eduardo Paes. Desta vez, sobre educação.

- O Rio tem o 5º ou 6º melhor Ideb do país, e temos muito orgulho de ter uma secretária como Claudia Costin. A situação da educação a que chegamos era da aprovação automática. A criança que aprendia passava de ano, e a que não estudava também. Fizemos o projeto escola do amanhã, de reforço escolar, e dobramos o número de vagas em creches. Todos os prefeitos que me antecederam não fizeram o que eu fiz. Ainda há um longo caminho a percorrer - afirmou Paes.

Na réplica, ao pedir mais valorização dos professores, Freixo ressaltou que “a nota nas escolas do Ideb é de 3,6 , e é uma nota péssima”.

Já o prefeito questionou o tucano Otavio Leite sobre propostas na área de cultura.

- O Rio tem uma dinâmica cultural própria. O poder público tem que atrair, fortificar, aumentar a cultura, mas a cidade está muito sozinha, e precisa de muito para crescer. Não adianta avançar se eu não estiver ligado a ela. As atividades na Zona Oeste não podem se limitar a shows, bem como na Zona Sul - explicou o candidato ao citar que está lutando pela aprovação da PEC da Música, que vai acabar com os impostos da música.

Ao perguntar para a candidata do PV, Aspásia Camargo, sobre a revitalização do porto, Otavio Leite disse ser contrário à demolição da perimetral e perguntou a posição da candidata:

- A primeira questão é que a recuperação da área portuária é complicada, passamos 40 anos tentando fazer uma coisa, por conta das nossas dependências do governo federal, não conseguimos a libertação deste espaço. Isso significa que o planejamento é fundamental. A sua pergunta tem relação com planejamento. Sobre a demolição da Perimetral, acho aquela solução bem desastrosa, mas não acho que temos que demolir tudo - apontou Aspásia.

Na réplica, Otávio falou que faltou diálogo e considerou a iniciativa “uma insensatez e um absurdo”.

Debate teve polêmicas sem agressividade, dizem analistas (0h58m)

Por Alessandra Duarte e Carolina Benevides

RIO - A união dos candidatos contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, foi o que mais chamou atenção no primeiro debate da campanha municipal no Rio, ontem na Rede Bandeirantes, para cientistas políticos ouvidos pelo GLOBO. Uma das principais características desse 1º embate, dizem os analistas, foi a união de Marcelo Freixo (PSOL) e Rodrigo Maia (DEM), que, ao responderem ou fazerem perguntas entre si, aproveitaram para, em áreas como educação e transportes, atacar Paes, favorito nas pesquisas de intenção de voto.

Uma “combinação" entre Freixo e Maia começou já no primeiro bloco, diz o cientista político Paulo Baía, da UFRJ:

— Freixo e Maia foram os melhores no debate na polarização contra Paes, apesar de Maia não ter tido um bom desempenho televisivo — diz Baía, para quem o debate “não esquentou na polêmica, mas deixou pontas polêmicas”: — Por exemplo, as OS na saúde e a verba para publicidade.

Marcelo Simas, cientista político do Iuperj, citou uma “troca de passes” de Freixo e Maia:

— Acredito que isso já seja uma tentativa de fazer com que um dos dois chegue ao segundo turno. Imagino que vejam que o segundo turno fica menos distante se a intenção de votos em um deles aumentar, daí não terem feito críticas um ao outro — diz Simas. — A campanha eleitoral é o momento de reavivar os feitos de cada um. Maia, ao perguntar sobre as milícias, fez com que as pessoas pudessem relembrar que Freixo esteve à frente da CPI das Milícias.

Já Paes, segundo Paulo Baía, ficou numa “zona confortável”: a de, por ser o prefeito, responder com o que já teria feito em seu governo:

— Ele adotou a estratégia de responder numa linha de “já fiz, não é promessa”.

— Paes é o único com experiência executiva — acrescenta Simas. — Então, ele fala sobre suas realizações como prefeito. Os outros falam de propostas, de promessas.

Aspásia Camargo (PV), segundo Simas, começou o debate dizendo que o PV não fala apenas sobre meio ambiente, mas logo fez uma pergunta ligada a saneamento. Para Baía, ela se mostrou “nervosa” e, por exemplo, acabou servindo de “escada” para Paes ao falar da reestruturação da Cedae. Outro destaque, diz Baía, foi a tentativa de Otavio Leite (PSDB) de nacionalizar o debate, ao lembrar que ontem também foi o primeiro dia de julgamento do mensalão.

Segundo Simas, os candidatos tomaram cuidado, em todos os blocos, de não parecerem agressivos:

— O eleitor brasileiro gosta de assertividade, não de agressividade.