Seu browser não suporta JavaScript!

21/09/2012 | Portal G1

Otavio Leite é entrevistado pelo RJTV

O candidato do PSDB à Prefeitura do Rio de Janeiro, Otavio Leite, foi entrevistado ao vivo nesta sexta-feira (21), no RJTV, pelos apresentadores Ana Paula Araújo e Edmilson Ávila. Até o fim desta semana, o telejornal vai entrevistar os cinco candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha do dia 12 e cujos partidos têm representação na Câmara dos Deputados. Ele encerra o ciclo de entrevistas no RJTV.

A ordem foi definida por sorteio com a participação de representantes dos partidos. O tempo da entrevista é de 12 minutos, com uma tolerância de 30 segundos.

Ana Paula Araújo: Candidato, o senhor foi vice-prefeito do Cesar Maia, entre 2005 e 2006, e costuma dizer que ele lhe deu uma caneta sem tinta pra justificar o fato de o senhor não ter tido uma atuação muito destacada durante esse período como vice-prefeito. Agora queria lembrar aqui outros casos de vices que tiveram um papel importante, ainda que às vezes um papel político importante, por exemplo, o ex-vice-presidente José Alencar, o ex-vice-governador Luiz Paulo Corrêa da Rocha, até Eider Dantas, que foi vice-prefeito com Cesar Maia também. O fato do senhor usar isso, dizer que recebeu uma caneta sem tinta, isso não é um sinal de que lhe falta força política?

Otavio Leite: Bom, meu muito boa tarde a todos. Eu queria primeiro registrar minha satisfação e nessa feliz coincidência de hoje ser o dia 21, que é o dia nacional de luta das pessoas com deficiência. Essa é uma bandeira que eu abraço desde o meu primeiro mandato como vereador e eu queria homenagear todos que lutam, se dedicam e vem ao longos dos anos batalhando por essa causa, inclusive meu vice. E eu pego desse gancho pra entrar no Cesar Maia. De fato eu não tive maiores poderes, eu pouco decidi. A rigor, uma proposta ele acolheu, que foi criar a primeira secretaria no Brasil em prol das pessoas com deficiência. Então, aquela fase foi uma fase de dificuldade do ponto de vista daquilo que eu queria fazer e não conseguia, mas ao vice é dado um espaço que depende das conexões que ele tem com o titular. No caso, ali não tive...

Ana Paula Araújo: Mas isso não significa ali uma falta de força política, então, pro senhor? O senhor sente que foi enganado pelo prefeito Cesar Maia? Porque os senhores negociaram ali, aliança, programa de governo e, no final, depois, se viu com uma caneta sem tinta...

Otavio Leite: Bom, de fato as coisas não aconteceram como eu imaginava. Tanto é que no meio do mandato eu segui a minha estrada para deputado federal. Mas foram experiências válidas, eu amadureci, eu aprendi mais sobre a cidade, eu mergulhei nos assuntos do Rio de Janeiro e consegui dar esse passo que tem uma significância toda especial. Imaginei até que o atual prefeito pudesse melhorar a secretaria e não avançou. E nós agora é que vamos realmente voltar a colocar no estágio de prioridade absoluta as políticas em prol das pessoas com deficiência.

Edmilson Ávila: Candidato, o senhor é um radical opositor do projeto da Prefeitura da derrubada da Perimetral, do Elevado da Perimetral. O senhor chegou a dizer aqui, vou, me permita ler uma declaração do senhor: "Eu enveloparia e encheria de cores e luzes, praquilo sair em revista do exterior de tão psicodélico", foi o que o senhor declarou. Mas como é que o senhor pretende aí convencer o empresário a abrir um restaurante, um bar de frente pro Elevado, mesmo cheio de cores?

Otavio Leite: Ué, a cidade tem um bom espaço, aonde tem edifícios cujo metro quadrado é caríssimo e está colado na Perimetral, você abre a janela e está na Perimetral, aonde era a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro é um belo exemplo, nem por isso aquilo deixou de ser erguido. Nós vamos incorporar a Perimetral no projeto do Porto Maravilha. E é evidente, precisa de um tratamento paisagístico. Isso se faz com alegria, se faz com arte, se faz com criatividade. Nós vamos fazer um concurso público e evidente que vamos daí tirar uma saída. Eu imagino aí - é uma proposição minha - envelopar com muito plástico, luzes, e isso vai ser algo importante, que fundamental.

Edmilson Ávila: Candidato, se eleito, perdão...

Otavio Leite: Vamos lá, pode falar...

Edmilson Ávila: Se eleito, o senhor vai pegar o Binário, que é a opção pro trânsito já em construção, é uma obra cara; o senhor vai interromper essa obra?

Otavio Leite: Não, essa obra vai prosseguir porque aquela região vai crescer muito do ponto de vista do adensamento, mais pessoas vão passar por lá todos os dias. Hoje já passam pela Perimetral 100 mil veículos. A solução de tráfego oferecida pelo atual prefeito, ela é inconsistente. Nós vamos permanecer a Perimetral e isso vai ser muito bom porque...

Edmilson Ávila: Mas, candidato, perdão, mas o caro é o túnel, não só a derrubada do Elevado... O senhor vai gastar duas vezes então?

Otavio Leite: Não, o caro já começa a jogar fora R$ 600 milhões que seria o valor atual que custou em 74, o que o país investiu naquele elevado em 5,5 km, que hoje é fundamental para milhares de pessoas passarem por lá. A solução viária proposta, ela é inconsistente. Nós vamos incorporar o Elevado da Perimetral, sem dúvida nenhuma, ao projeto Porto Maravilha. E é a sensatez: R$ 1,5 bilhão para derrubar é um absurdo. O Rio tem outras prioridades, como saúde e educação.

Ana Paula Araújo: Pois é, candidato, falando exatamente de uma dessas prioridades - saúde - hoje um médico contratado de uma Clínica da Família por uma Organização Social (OS) ganha em média R$ 6 mil por mês. Agora, o senhor tem dito aí que num possível governo do senhor as OSs não teriam papel predominante. Como então atrair médicos pra lugares como a Zona Oeste que sofre com a carência de médicos? Pelo salário do estatutário - no último foi um salário de R$ 1,5 mil...

Otavio Leite: R$ 1,5 mil, pediatra, 479 vagas oferecidas e apenas 28 toparam entrar. Um absurdo isso. Isso mostra o caminho errado. Nós vamos voltar a dignidade do médico, do salário melhor. Esses R$ 1 bilhão que se gasta hoje com OS, nós vamos trazer para o viés específico do servidor público, do concurso público, ali funcionando diretamente. Mas, pra lotar médicos nós precisamos ir mais adiante, nós vamos integrar as faculdades de medicina, nós vamos fazer um concurso específico para médicos residentes, fazer do Rio de Janeiro - nas mais variadas especialidades - um exemplo nacional de residência médica. E na Zona Oeste, aonde tem R$ 1,7 milhão de cariocas, nós vamos implantar a primeira faculdade de medicina, num modelo totalmente moderno, muito interessante.

Ana Paula Araújo: Mas, candidato, ainda que o senhor corra muito e consiga já no ano que vem botar essa faculdade pra funcionar, nós só teremos médicos formados por ela daqui a seis, sete anos. E, até lá, como é que fica?

Otavio Leite: Por isso que eu falei: primeiro vamos fazer concurso público, necessários serão pelo menos uns 2 mil nesse instante.

Ana Paula Araújo: Mas, mesmo no último concurso foram oferecidas 1,7 mil vagas e só 554 foram preenchidas. É um salário de R$ 1,5 mil...

Otavio Leite: Por uma razão muito simples: o salário aviltante. É o que está acontecendo também na educação. Muitos professores do Rio de Janeiro acabam indo dar aula em outros municípios porque estão ganhando mais. Então, o que se paga na OS tem que se pagar para o médico estatutário, para o médico concursado. O que eu não contra é que outros insumos para fazer o hospital funcionar sejam terceirizados. Aí sim você pode ter exames, organização do hospital, mas o médico, ele está ali, atendendo a população, ele tem que ser prestigiado, ele tem que ter um bom salário.

Edmilson Ávila: Ô, candidato, a saúde está diretamente ligada ao saneamento básico. Mas lendo o seu programa de governo, o senhor não apresenta nenhuma proposta concreta sobre saneamento básico. Segundo o IBGE, censo de 2010, quase 200 mil domicílios ainda não têm ligação com a rede de esgoto ou a rede pluvial. O senhor não considerou importante esse assunto?

Otavio Leite: Não, o contrário, o que é isso! Eu falo da urbanização das comunidades, eu falo muito das praias, cujo problema, e dos rios, exatamente vem da ausência do esgotamento sanitário. Essa é uma confusão que existe entre estado e a prefeitura, há muito tempo...

Edmilson Ávila: Mas, candidato, o esgoto...

Otavio Leite: Me permita concluir. Eu falava o seguinte: é uma dupla atividade entre a prefeitura e o estado do Rio de Janeiro. Eu sou totalmente a favor de que a prefeitura avance nas áreas populares em termos de saneamento básico. Eu falei de urbanização de comunidades, que é fundamental. Eu tratei especificamente o caso como exemplo da Rocinha, que a prefeitura assumiu, disse que ia fazer e não fez. Ali está tudo poluído. Então, o meu programa, evidentemente, trata do saneamento básico, embora a Cedae seja mais responsável por isso.

Edmilson Ávila: O senhor me permita, olha, item 26, página 27, o senhor diz apenas: "promover parcerias para reduzir fortemente a carência de saneamento ambiental". "Promover parcerias" não é um termo muito vago?

Otavio Leite: Não. A prefeitura tem que estar permanentemente de forma a...

Edmilson Ávila: Não tem proposta concreta, candidato...

Otavio Leite: Não, tem. A prefeitura não pode andar sozinha nessa questão. A Cedae tem que estar sempre ligada porque tem a água e tem o esgoto ao mesmo tempo. Então, esse programa de saneamento básico é algo que está incorporado. Eu fiz um programa de televisão especificamente sobre isso, Edmilson. Essa proposta, esteja certo, faz parte e é uma das minhas prioridades.

Ana Paula Araújo: Candidato, falando um pouquinho da sua atuação como parlamentar, dos 46 deputados federais do Rio de Janeiro, o senhor foi o quinto com a maior proporção de faltas não justificadas nas comissões esse ano, segundo um levantamento da própria Câmara: foram 18 ausências sem justificativa num total de 51 reuniões. Por que tantas faltas?

Otavio Leite: Você está se referindo a várias comissões. O meu partido me indicou para muitas comissões. E muitas delas eu não tinha tempo especificamente de tratar e outro suplente que ia. Então, o que importa é o que efetivamente eu fiz. Eu sou o deputado com o maior número de projetos, eu tenho leis importantes, eu formulo... emendas, medidas provisórias são múltiplas. Então a minha atuação parlamentar, ela me dá dignidade. Me permita a licenciosidade, mas fui escolhido, foram pouquíssimos, entre os 100 parlamentares mais atuantes do Congresso Nacional. Eu defendo muito o Rio de Janeiro no Congresso Nacional.

Ana Paula Araújo: Mas, candidato...

Otavio Leite: Eu quero agora no Rio de Janeiro defender aqui.

Ana Paula Araújo: Só uma comissão, a comissão de Turismo e Desporto, foram 37 sessões e 15 faltas.

Otavio Leite: Havia muitas sessões fora do Rio de Janeiro, inclusive, que foram visitas externas a questões de Copa do Mundo, que eu julgava que não era necessário ir. Não há o menor problema e não afetou o mínimo a minha atuação parlamentar que foi reconhecida pela imprensa brasileira.

Ana Paula Araújo: Nem nessa comissão? Não era melhor ter passado pra outro deputado?

Otavio Leite: Não.

Ana Paula Araújo: Até porque, segundo o regimento da Câmara, com 25% de faltas, que foi o caso, o senhor já pode até ser excluído da comissão...

Otavio Leite: É, mas olha, havia sempre um suplente do meu partido. O partido sempre indica dois, dois titulares e dois suplentes. Não houve nenhum prejuízo para representação do partido naquela atuação. E se eu não estava ali, eu estava em outro lugar fazendo alguma coisa. A minha vida é muito aberta, transparente, e a minha atuação parlamentar, reconhecida. Desde os idos de vereador. Nessa cidade, eu sou autor de mais 120 leis, que revelam a minha posição, a minha opinião sobre vários temas. Hoje, o Dia do Deficiente, de luta, o que há de lei na cidade do Rio de Janeiro em prol dos deficientes, eu me orgulho muito de ter sido em boa parte o autor.

Edmilson Ávila: Vamos falar um poquinho então da posição do senhor. O senhor é rompido com o Cesar Maia, o senhor critica a aliança entre o DEM e o PR; aqui no Rio de Janeiro, o senhor é oposição ao PMDB; em nível federal, o senhor é oposição ao PT. Que partidos sobraram pro senhor aí, se eleito, formar uma coalizão na Câmara?

Otavio Leite: Eu acredito na força das boas ideias. E é com ela que eu estou apresentando a minha campanha. A campanha agora está aquecendo pra valer. As minhas propostas estão dando muito frutos, reconhecido na rua a cada instante. Eu, quando ganhar a eleição, eu facilmente conseguirei um apoio em função de propostas concretas nos partidos que nós vamos dialogar. Isso não será nenhuma dificuldade.

Edmilson Ávila: Mas, mas, candidato, normalmente quando as alianças não são feitas em torno de um projeto maior, depois elas se fazem em torno do "toma lá dá cá". Aí que surgem os mensalões, do PT, do PSDB mineiro. Isso não pode acontecer com o senhor?

Otavio Leite: Não, é completamente diferente. O Supremo Tribunal Federal está julgando o mensalão do PT. Essa questão de Minas é uma outra história que não tem nenhuma vinculação a esse aspecto. No caso do Rio de Janeiro, na minha vitória pra prefeito, será facilmente resolvida. Eu fui vereador, eu discuto os assuntos com transparência, e tenho certeza que farei um governo com maioria em prol do Rio de Janeiro, sem problema nenhum.

Ana Paula Araújo: Candidato, já que o senhor está falando aí em vitória, quero lembrar aqui os dados das pesquisas. O senhor começou com 4%, agora está ali entre 2% e 3%. O senhor esperava mais?

Otavio Leite: Não, agora que eu espero mais. É agora que as pessoas estão refletindo sobre o momento, as propostas, cada um apresentando as suas propostas. Eu estou fazendo uma campanha propositiva, em cada setor eu tenho algo concreto pra resolver. A questão da educação, nós vamos fazer algo muito importante, dois professores em cada sala de aula. A alfabetização tem que acontecer. É um absurdo, é inadmissível o aluno chegar, passar da alfabetização sem estar alfabetizado, chegar no terceiro, quarto ano sem dominar o conteúdo pedagógico, ali pertinente aquela série. Então nós vamos trabalhar a educação como um todo: creche pra todo mundo, pré-escola. Há recursos pra isso. A prefeitura tem recursos. Nós vamos voltar os R$ 400 milhões, R$ 500 milhões pra educação que foram desviados. Há muita possibilidade de realizar em função dos recursos que nós temos e da nossa capacidade.