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03/10/2012 | Revista Veja Rio

Otavio Leite fala sobre oito temas da cidade

Por Caio Barretto Briso e Sofia Cerqueira

Saúde

O projeto que utiliza Organizações Sociais para gerir unidades públicas de saúde divide opiniões no Rio, apesar de funcionar bem em São Paulo. Caso eleito, o senhor pretende manter o sistema? Paulo Niemeyer, neurocirurgião

Otavio Leite: Não concordo com o programa, inspirado em um projeto semelhante implantado em São Paulo. Há uma clara diferença entre os dois. Lá, as Organizações Sociais tiveram a retaguarda de hospitais como Sírio-Libanês e Albert Einstein e de faculdades de medicina. Aqui, foram feitos arremedos e ajustes na correria, organizados quase numa mesa de botequim. Dados do Tribunal de Contas do Município revelam que, na prestação de contas, a gestão já não tem dado certo. O orçamento da saúde é de 4 bilhões de reais e 1 bilhão está indo para as OS.

Educação

Em dez anos, todas as escolas municipais deverão oferecer ensino integral, segundo lei aprovada na Câmara. A ideia é boa, mas o custo de implantação será alto. Como o senhor pretende fazer isso? Simon Schwatzman, professor do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets/Uerj)

Otavio Leite: O horário integral é uma boa ideia, que deve ser obstinadamente perseguida. As aulas complementares não precisam acontecer necessariamente no prédio da escola. Nós pretendemos firmar parcerias com clubes, associações e instituições culturais. Nesses espaços acontecerá a jornada ampliada, com aulas de esportes, atividades culturais e apoio escolar. Essa é uma solução enquanto não se amplia a rede. Ao mesmo tempo, pretendemos combater o analfabetismo funcional. Vamos pôr duas professoras nas salas de alfabetização.

Impostos

Mais da metade dos imóveis do Rio está isenta do pagamento de IPTU. O senhor pretende reduzir esse número? Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco

Otavio Leite: Não é aceitável impor maior carga tributária ao contribuinte. Acho essa discussão sobre os dados do IPTU válida e não vou me furtar a tê-la. Mas um tributo tem de ser aplicado de acordo com a capacidade de contribuição dos cidadãos. Não vou aumentar o IPTU. Só vou rever casos isolados se ficar provado que há distorção. Por outro lado, poderemos ter alguns benefícios fiscais, em determinados setores, com o objetivo de atrair empresas.

Transporte

Sabe-se que o setor de vans é uma das fontes de renda das milícias. Mas é também um serviço que atende boa parte da população. Como resolver esse dilema? Paulo Storani, especialista em segurança e pesquisador da Universidade Cândido Mendes

Otavio Leite: Pretendo fazer licitação individualizada e com percursos predefinidos. A ideia é que esse transporte se restrinja a lugares afastados, aos quais as linhas convencionais e os BRTs não chegam. As vans devem alimentar os eixos principais, onde já há metrô, trem e ônibus. Para organizar o sistema, pretendo implantar o bilhete único. Mas é inaceitável que as vans continuem a circular em grandes distâncias.

Trânsito

O BRT Transbrasil está orçado em 1,3 bilhão de reais. Não seria melhor investir essa quantia em trens e no metrô, em parceria com o governo estadual? Fernando MacDowell, engenheiro especialista em transportes

Otavio Leite: Boa parte dos recursos necessários ao BRT da Avenida Brasil será destinada a desapropriações. Tenho uma proposta mais sensata. Eu usaria essa verba, em parceria com a Supervia, para ampliar o número de trens. Ou seja, mais oferta de transporte sobre trilhos e menos intervalos entre as composições. Outro dia fiz o trajeto Santa Cruz-Central e constatei o tempo absurdo que o cidadão perde. É algo desumano.

Urbanismo

Apenas uma pequena parte do Caju, próxima à rodoviária, foi contemplada pelo projeto de revitalização da Zona Portuária. O que fazer para que o bairro não seja um ponto de degradação em meio a uma região valorizada? Maurício Nóbrega, arquiteto

Otavio Leite: No âmbito geral, sou a favor do Porto Maravilha, mas não concordo com a derrubada da Avenida Perimetral. Acho que investir 1,5 bilhão de reais para fazer um túnel e engarrafar as pessoas no subsolo, enquanto há outras tantas prioridades na cidade, é uma insensatez. Acredito também que é preciso incluir o Caju no projeto de alguma forma. Eu estimularia o desenvolvimento das habitações populares na área. Entre outras medidas, elevaria o gabarito na região.

Cidade

O que precisa ser feito para alavancar o projeto das UPPs Sociais nas favelas pacificadas? Ignácio Cano, sociólogo e membro do Laboratório de Análise da Violência (Uerj)

Otavio Leite: Não basta só o trabalho da UPP Social, é preciso incentivar as atividades econômicas e o microempreendedor na comunidade. O que liberta não é apenas a qualidade do espaço público, mas o emprego, a geração de renda. A prefeitura poderia ajudar efetivamente, por exemplo, comprando uniformes escolares, de garis e da Guarda Municipal que fossem produzidos nessas áreas pacificadas.

Saneamento

Temos problemas de saneamento básico em várias regiões, como o despejo de esgoto nas lagoas da Barra. O senhor é a favor da municipalização da Cedae? Se não, compromete-se a investir na área e a cobrar do governo estadual a solução desse velho problema? Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra

Leite: O que é possível ser feito na área de saneamento é estreitar a relação com a Cedae e estabelecer um plano diretor definitivo para salvar as lagoas da Barra e Jacarepaguá e as praias da cidade. Esse estudo determinaria os investimentos necessários até 2016 e a contribuição anual das esferas municipal, estadual e federal.