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05/02/2010 | Jornal O Dia

PAC gasta R$ 403,8 bi em três anos

Mantega afirma que país vai crescer mais de 5% e gerar 1,6 milhão de empregos em 2010

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o país terá crescimento superior a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, durante a apresentação do balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Mantega avaliou que isso representa um “descolamento” da economia brasileira em relação a outros países.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, anunciou que, de 2007 a 2009, foram executados 63,3% dos investimentos do PAC, correspondentes a R$ 403,8 bilhões.

O orçamento previsto para esses três anos era de R$ 638 bilhões.

Em 2009, os recursos foram 24% maiores do que em 2008 e 32% superiores ao de 2007. Segundo Mantega, os principais objetivos do programa, estabelecidos em 2007, estão sendo cumpridos, como elevar o crescimento da economia a outro patamar.

Provável candidata do PT à Presidência, Dilma afirmou que o governo deixa um legado de investimentos em infraestrutura.

– Por que o presidente Lula insiste em fazer o PAC 2? Porque achamos que o governo, daqui pra frente, vai ser julgado não só pelo que fez, mas pelo que vai deixar de horizonte futuro para o próximo.

De acordo com Dilma, a segunda frente do programa concentrará investimentos em obras de drenagem, com o objetivo de amenizar os problemas decorrentes do excesso de chuva, como os que estão ocorrendo em alguns estados.

Do total investido pelo PAC de 2007 a 2009, R$ 126,3 bilhões vieram das estatais e R$ 88,8 bilhões do setor privado. A contrapartida de estados e municípios correspondeu a R$ 11,1 bilhões e do Orçamento, a R$ 35 bilhões.

Os financiamentos de pessoa física somaram R$ 137,5 bilhões, e do setor público, R$ 5,1 bilhões. O valor pago em 2009 cresceu 45% na comparação com 2008, e 125% em relação a 2007.

Dos R$ 19,1 bilhões em financiamentos previstos para a habitação no período, foram contratados R$ 16,5 bilhões e R$ 2,6 bilhões estão em contratação.

No setor de saneamento, dos R$ 39,3 bilhões previstos, R$ 32,2 bilhões foram executados e R$ 7,1 bilhões estão em processo de execução.

Mantega reiterou que o Brasil está crescendo de maneira equilibrada, sem pressões inflacionárias.

O ministro também reafirmou o compromisso com a meta de superávit primário de 3,3% PIB neste ano.

– Poucos países terão um crescimento forte e consistente e o Brasil está entre eles – disse Mantega, que citou projeções de outros países e blocos, como para a União Europeia, com estimativa de 1%, e o Japão, de 1,7%. Mantega lembrou que China e Índia vão crescer mais por terem políticas desenvolvimentistas iguais à do Brasil.

Segundo Mantega, o Brasil está em destaque no mundo por conta geração de empregos.

Após criar 995 mil postos em 2009, ele disse que o país deve abrir mais de 1,6 milhão de vagas formais em 2010. “Proporcionalmente, estaremos criando mais empregos que a China, mas não em valores absolutos. E sim como um percentual de nossa mão de obra.”

Oposição contesta dados oficiais do programa

BRASÍLIA O balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciado ontem pela Casa Civil levantou suspeitas na oposição, que não acredita na execução de 63% do que foi previsto pelo programa.

– Estes dados foram concebidos só para eles – dispara o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ). – Devem se basear no investimentos das estatais. E isso é feito de forma unilateral, é uma caixa-preta a qual o parlamento não tem acesso. Ela (Dilma Rousseff) deve estar usando também os números da iniciativa privada.

Para o tucano, o anúncio faz parte de um esforço eleitoral maior que, a medida que começar a campanha eleitoral, vai ficar claro para a população. Ainda segundo Leite, o governo “se apropria de uma capacidade de investimento que não é dele” desde quando anunciou que metade dos R$ 500 bilhões do PAC viriam da iniciativa privada.

– Em 2007, só 72% do orçamento da administração direta foi executado. Em 2008, foram 68% e em 2009 foram apenas 35%. Isso representa falta de gestão – afirma o parlamentar.

Para exemplificar a “ineficiência administrativa do governo Lula, o deputado cita como exemplo o atraso nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj): – O governo fez uma super festa para anunciar, mas até agora só 25% da aquaplanagem foi feita O governo acaba já e não haverá tempo para concluir.