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10/11/2014 | PSDB na Câmara

Para deputados, teor da entrevista de Aécio a jornal carioca reafirma novo momento da oposição

Por Luciana Bezerra

Deputados tucanos destacaram a maturidade e lucidez do presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG), que, em entrevista à edição de domingo (9) do jornal “O Globo”, reafirmou o papel da oposição, apontou incoerências no discurso e na prática da presidente Dilma Rousseff e rechaçou qualquer tentativa de alinhamento do PSDB com movimentos da nova direita, que pedem, por exemplo, a volta dos militares ao poder. “Para direita não adianta me empurrar que eu não vou”, avisou o tucano.

 “Excelente a entrevista de Aécio. Falou sobre as ações da presidente que hoje desmentem a candidata. Celebrou o melhor resultado das eleições: o despertar do Brasil que quer mudanças, principal combustível da oposição vigilante e fiscalizadora que faremos”, enfatizou o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), em seu perfil no Facebook. “E reforçou que iremos às últimas consequências nas investigações dos escândalos da Petrobras, não importando quem seja atingido. Essa é a missão que nos foi confiada por 51 milhões de brasileiros”, acrescentou.

Na conversa com três jornalistas do veículo, o senador mineiro afirmou que, pela primeira vez, o “PT governará com uma oposição conectada com a sociedade”. “O sentimento pós-eleição foi quase como se tivéssemos ganhado”, disse o tucano, que reiterou a atuação vigilante e fiscalizadora da oposição. “Não vamos deixar que varram para debaixo do tapete, como querem fazer , esses gravíssimos escândalos que estão aí”.

 Para essa missão, serão criados dez grupos que acompanharão as ações do governo. Segundo ele, o conteúdo abastecerá correligionários, lideranças da sociedade, vereadores, governadores e parlamentares.

 De acordo com o deputado Duarte Nogueira (SP), as forças que sustentaram a candidatura do mineiro deixaram de ser só políticas e se tornaram um movimento. “O que resta evidente é que o Brasil crítico, mobilizado, consciente e convicto de suas crenças terá no que emergiu das urnas sua melhor representação”, disse.

 Manipulação - A respeito da conduta do PT e de Dilma durante e após a disputa eleitoral, Aécio afirmou que o marketing petista deseduca a população e apontou a manipulação vergonhosa de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), impedidos de divulgar dados desfavoráveis ao governo durante a campanha pela Presidência da República.

 Além disso, destacou a desordem da administração de Dilma, que, após o fechamento das urnas, aumentou os juros para frear a galopante inflação e revelou ao país o rombo nas contas públicas. “A candidata dizia que cumpriria o superávit fiscal, e agora se prepara para pedir a revisão da meta de 1,9%. Estamos assistindo ao maior estelionato eleitoral da História”, criticou. “A presidente não se acha no dever de sequer sinalizar como será a política econômica. E é curioso vermos a presidente correndo desesperada atrás de um banqueiro para a Fazenda”, completou.

Questionado sobre a conduta da nova direita, que pede a volta dos militares, Aécio reiterou o DNA tucano, profundamente ligado à democracia. “A agenda conservadora, antidemocrática e totalitária é a do PT.”

Para o deputado Otavio Leite (RJ), o senador mineiro soube incorporar o anseio de mudança da sociedade ao instituir uma oposição séria, firme, clara, contundente e honesta. “Sobretudo, gostei de vê-lo dizer que não adianta empurrá-lo para a direita. Ele é um social democrata e o PSDB é um partido social democrata. Acho que isso é a convalidação de toda uma prática política que ganhou muita ternura e compreensão no seio social e faz da gente uma bandeira para o Brasil”, afirmou o parlamentar nesta segunda-feira (10). “O Aécio é, portanto, a liderança. Ele saiu da dimensão de um grande homem público, ex-governador e competente para ser o líder. Isso é fundamental e histórico.”

Confira abaixo exemplos de declarações do presidente nacional do PSDB ao “O Globo”

“Pela primeira vez, o PT governará com uma oposição conectada com a sociedade. O sentimento pós-eleição foi quase como se tivéssemos ganhado. E os primeiros movimentos da presidente são de desperdiçar a oportunidade de renovar, de admitir equívocos, mudar rumos.”

“Chego na minha casa, coloco a cabeça no travesseiro e durmo com a consciência muito tranquila. Fiz uma campanha falando a verdade, não fugi dos temas áridos, sinalizei na direção da política econômica que achava correta. Não sei se a candidata eleita pode fazer o mesmo.”

“O Brasil acordou, foi às ruas. Minha candidatura passou a ser um movimento. Nosso e desafio é manter vivo esse sentimento de mudança, por ética.”

“Vamos constituir dez grupos, de dez áreas específicas, para acompanhar as ações do governo. Comparar compromissos de campanha com o que acontece em cada área. Queremos subsidiar nossos companheiros, lideranças da sociedade, vereadores, governadores, parlamentares.”