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19/12/2004 | Jornal O Dia

Para não levar nota zero

Cesar anuncia gratificação para professores ativos e inativos e projetos para a cidade em meio à crise de sua possível saída da prefeitura

Em meio às críticas por ter anunciado uma possível saída da prefeitura, mesmo antes de assumir seu segundo mandato, o prefeito Cesar Maia tenta convencer que não abandonou a cidade e tem realizações para o próximo ano. Uma delas é a gratificação progressiva sobre o vencimento-base para professores com mais de 10 anos de magistério na rede municipal. “A partir dos 10 anos de carreira, acaba a progressão no salário do professor. Manteremos a progressão com índice de 4%, mas não podemos incorporar agora, pois os triênios entrariam na conta, e o custo seria muito alto”, explica Cesar, que foi diplomado ontem durante cerimônia na Câmara dos Vereadores.

A medida, que o prefeito pretende implantar ainda no início do ano, beneficiará os 37 mil professores, além de aposentados e pensionistas. O pré-candidato à Presidência da República pelo PFL sabe que, antes de conquistar o Brasil, tem que adoçar o namoro em crise com a população carioca. Para isso, ele conta com o pacote de obras prontas para sair do papel, caso a Câmara autorize o uso da dívida ativa da prefeitura como garantia para a realização de convênios com a iniciativa privada. A votação acontece terça-feira.

Entre elas, estão as prometidas intervenções na área do transporte, como a linha 4 do metrô (Barra da Tijuca-Gávea) e a duplicação da auto-estrada Lagoa-Barra.

Cesar ameaça parar obras na cidade por causa do Pan

Com o trunfo de preparar a cidade para os jogos Pan-Americanos de 2007, o prefeito transfere para a Câmara dos Vereadores a responsabilidade de aprovar outros projetos encaminhados pela prefeitura, sob o risco de a cidade parar. Ele cita como exemplo a lei que permite a exploração comercial da área do Autódromo Nelson Piquet. Na área, a prefeitura pretende licitar projeto de complexo esportivo e prédios comerciais.

O investimento de R$ 500 milhões, caso as leis não sejam aprovadas, ficarão sob a responsabilidade municipal. “Se eu tiver que assumir totalmente as obras do Pan, as coisas ficarão difíceis”, ameaça, referindo-se à interrupção de projetos como Rio-Cidade. Para assoprar, ele garante o início da construção do Túnel da Grota Funda, e dos Rio-Cidades da Praia de Botafogo e Campo Grande.

Saúde será bandeira para integração metropolitana

Numa manobra planejada, Cesar pretende fazer de sua vidraça – os problemas na área da saúde – a razão para aumentar sua influência no estado. Após a posse dos novos prefeitos, ele levará adiante a idéia de um consórcio metropolitano, que gire em torno do Rio: “Todos fizeram promessas para melhoria da saúde. A forma rápida de responder é se organizando com o Rio. Construir um hospital leva tempo. É melhor participar de um consórcio aqui”.

Apesar de descartar a hipótese de se candidatar ao estado, um grande garoto-propaganda começará a funcionar em março. O Hospital de Acari, segundo Cesar, receberá pacientes de Nova Iguaçu e São João de Meriti. Garantindo que suas chances de sair da prefeitura hoje são de 10%, ele avisa que seu vice, o deputado estadual Otavio Leite (PSDB), está em fase de experimentação.