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05/06/2011 | Jornal O Dia

Para tirar a paz de Duda

Por Rozane Monteiro

Rio - Há quem diga que a eleição de 2012 para a prefeitura do Rio já está resolvida: vai dar Eduardo Paes na cabeça e pronto. Faltou combinar com a oposição, que, apesar de enfraquecida num estado em que o prefeito é amigo do governador e os dois são amigos da presidenta, está se mexendo para, ao menos, dar trabalho ao prefeito-pop. Difícil vai ser encontrar forças para encarar uma aliança que poderá reunir 19 partidos.

Sejamos didáticos. O PMDB de Eduardo Paes deverá fechar aliança com os 15 partidos que apoiaram Sérgio Cabral (do mesmo partido), reeleito ano passado: PP, PT, PTB, PDT, PSL, PTN, PSC, PSDC, PRTB, PHS, PMN, PTC, PSB, PRP e PCdoB. Além desses, a legenda deverá fechar com o PPS (de oposição até há muito pouco tempo), o novíssimo PSD (fundado em São Paulo e coordenado pelo ex-deputado federal Indio da Costa no Estado do Rio) e o PV (do eclético deputado federal Alfredo Sirkis).

Quem sobrou? O PSDB, o PSOL, o PR e o DEM, claro. “Eles vão se unir para tentar derrotar o adversário comum, né?”, perguntaria alguém que não entende nada de política fluminense. Resposta: claro que não.

O PSDB, por exemplo, vai lançar candidato próprio ao cargo de prefeito, que deverá ser o deputado federal Otavio Leite — mas a vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira corre por fora, de olho na vaga. O PSOL também quer candidatura própria, e o deputado estadual Marcelo Freixo é quem deverá ser o escolhido para enfrentar a aliança-trator. Quanto ao DEM e ao PR, há a possibilidade de os dois formarem uma chapa com o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) e a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR). A questão é decidir quem seria o candidato a prefeito e quem ficaria com a vaga de vice.

Freixo: já que o povo quer, ele topa

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) faz questão de dizer que sua pré-candidatura — consenso no partido, segundo ele — nasceu de um apelo de setores da sociedade que querem um debate de ideias. Ele também afirma que hoje sua prioridade é a CPI das Armas, que preside na Alerj. Mas, como em agosto a CPI terá sido concluída, o tom já é de pré-candidato: “A ideia é formar um grande grupo para um debate amplo que vai definir o programa de governo.”

Jefferson Moura, ex-candidato a governador e presidente estadual do partido, admite que será difícil enfrentar a “máquina”, mas adianta que o partido vai procurar os insatisfeitos do PT — que rejeitam a aliança com Paes — e o PV — que anda se aproximando do prefeito.

Ainda longe do consenso

O ‘namoro’ entre o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) e a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR) está firme: os dois confirmam a intenção de estabelecer aliança. Mas não parecem estar de acordo quanto ao nome para o posto de vice.

“Acho que o PR deveria ter candidatura própria”, afirma Clarissa. “A proposta de o PR dar a vice foi do próprio Garotinho”, garante Rodrigo.

No PSDB, a paz parece ser só aparente. O candidato natural é o deputado federal Otavio Leite. Mas a vereadora Andrea Gouvêa Vieira quer briga. “Eu sou um nome diferente.” Leite prefere não polemizar: “Vou me empenhar para que o partido marche unido para a eleição.”