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29/09/2004 | Jornal O Globo

Partidos se unem em ato contra secretário

Tucanos, petistas, pefelistas e representantes de outras siglas protestam na Alerj e pedem eleições limpas

Representantes de partidos políticos adversários esqueceram divergências para condenar ontem as ameaças feitas pelo presidente regional do PMDB e secretário de Segurança licenciado, Anthony Garotinho, e pela governadora do Rio, Rosinha Matheus, a candidatos a prefeito no estado. PT, PSDB, PFL, PSB, PDT, PPS e PTB participaram de um ato nas escadarias da Assembléia Legislativa do Rio Alerj) para pedir eleições limpas, rapidez nas decisões da Justiça Eleitoral e condenar a presença de Garotinho no comando da Polícia Militar.

O candidato do PT a prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, pediu tropas federais para assegurar a eleição no município.

— O secretário de Segurança é um elemento desestabilizador na eleição. O que se tenta fazer é espalhar a política do medo. É a ante-sala do terrorismo. Vários candidatos têm sofrido também com a distribuição de panfletos anônimos. Esta política é hitlerista — afirmou Lindberg.

O candidato denunciou a existência de uma campanha ilegal contra ele em Nova Iguaçu. Disse esperar a distribuição de panfletos e jornais às vésperas da eleição para divulgar uma suposta impugnação de sua candidatura. Lindberg informou que vai procurar o presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Marcus Faver, para se queixar da atuação da Justiça Eleitoral no município:

— Querem virar uma eleição na marra. Quero a imprensa presente. Estou sem a polícia e sem a Justiça Eleitoral. Por isso, quero as tropas federais não só no dia da eleição como nos dois dias que a antecedem.

Garotinho diz que ato foi uma reunião de derrotados

Após uma carreta com o prefeito de Nova Iguaçu, Mario Marques (PMDB), candidato à reeleição, Garotinho disse que o ato realizado pelos adversários reuniu derrotados nos municípios do interior. E afirmou que o PMDB elegerá 65 prefeitos:

— Esta é uma manifestação dos derrotados. Eles têm mesmo que chorar. Vamos ganhar em 80% dos municípios — previu o secretário.

A manifestação pôs adversários lado a lado. Reuniu deputados federais como Rodrigo Maia (PFL) e Chico Alencar (PT); estaduais como Paulo Pinheiro (PT), Carlos Minc (PT) e Otavio Leite (PSDB); além de prefeitos candidatos à reeleição, como Henry Charles (PTB), de São Gonçalo, e Godofredo Pinto (PT), de Niterói. Alguns levaram militantes pagos, em ônibus e kombis, que aproveitaram para fazer campanha com faixas e camisetas, como Charles e Zaqueu Teixeira, candidato do PT em Queimados. A atitude deles foi criticada:

— Acho que não entenderam o espírito da manifestação, que foi um ato republicano — disse Chico Alencar.

— Confundiram as coisas. O importante é a foto de todos — concordou Paulo Pinheiro.

Organizadores do evento ligados à campanha de Lindberg levaram equipamento de som, mas a Alerj não permitiu o uso de energia elétrica da Casa, segundo técnicos que tentaram instalar caixas e microfones.

O ex-governador Marcello Alencar (PSDB) lembrou o passado como correligionário (no PDT) e depois adversário de Garotinho:

— Ele é um cidadão que tem o talento do mal. Tem dado demonstrações disso em sua forma de fazer política. Mas o momento de hoje pode fazer tomar corpo a idéia de que Garotinho é nocivo à nossa sociedade.

O candidato tucano a prefeito de Campos, Paulo Feijó, que concorre com Geraldo Pudim (PMDB), candidato de Garotinho, também pediu ajuda à Polícia Federal e acusou o secretário de Segurança de usar o assistencialismo como instrumento político junto aos mais pobres.

O deputado Otavio Leite, vice na chapa do candidato do PFL a prefeito do Rio, Cesar Maia, informou que o partido vai apresentar um mandado de injunção ao Tribunal de Justiça do Estado para assegurar que os prefeitos eleitos não sejam discriminados. Segundo ele, Garotinho e Rosinha ferem o artigo 5º da Constituição estadual, que estabelece a obrigação do Estado de assegurar o pluralismo político.