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01/02/2009 | Jornal da Adesg (Adesguiano)

Pela ESG no Rio de Janeiro

Por Otavio Leite

A recente divulgação do projeto do Ministério da Defesa de transferir a mais que cinquentenária sede da Escola Superior de Guerra para Brasília - mantendo apenas a unidade do Rio de Janeiro como filial -, causou perplexidade entre docentes, alunos, ex-alunos e a mim, como cidadão e parlamentar fluminense na Câmara Federal e defensor intransigente da preservação dos espaços historicamente conquistados, que fazem do Rio um centro nacional de excelência acadêmica nas mais diversas áreas do conhecimento.

Sem exigir muito da memória, podemos lembrar que soma-se à ESG no estado muitas outras unidades científicas de grande importância, algumas abrigadas aqui desde a chegada de D.João VI ao Brasil.

A tese alegada pelos defensores da transferência de que é mais importante para a Escola estar perto do centro das decisões do país é frágil. Seja porque, hoje, as informações fluem com facilidade e velocidade impressionantes, seja também pelo fato de que desconectada fisicamente de Brasília, a ESG fortalece o espírito de autonomia e de invulnerabilidade às pressões que muitas vezes brotam por osmose.

O que podemos concluir de imediato da análise acima é que o Rio reúne as condições ideais e propícias para manter a célula mater da escola no bairro da Urca.

Todavia, essa impressão a olho nu não basta frente à importância do tema. É preciso verificar a viabilidade de sua permanência aqui; o que me levou a dar entrada na Câmara em um requerimento de informação, dirigido ao ministro da Defesa Nelson Jobim, para prestar esclarecimentos sobre o motivo e os custos para modificar a estrutura da instituição de ensino.

A resposta oficial que recebi comprova claramente que esta mudança de local, dentre inúmeros argumentos, envolveria gastos estimados em cerca de R$ 54 milhões. A alternativa seria a manutenção da ESG no Rio e instituir uma representação em Brasília, de caráter temporário ou de caráter permanente, o que envolveria “somente remanejamento de recursos humanos e de material no âmbito do Ministério da Defesa”. Isto não é razoável.

A ideia da mudança, que por si só vejo como um despropósito, ganha contornos estarrecedores

com o parecer do estudo: como concordar em tempo de recessão econômica com uma mudança

que representa mais de dez vezes o valor do orçamento anual da instituição?

De mais a mais, cabe ainda outra pergunta: por que o grande presidente Juscelino Kubitschek não determinou a ida da ESG para Brasília (o que teria sido factível a ele)? Certamente, porquanto sensível como era, ele não tergiversou: - a sede da ESG é no Rio de Janeiro!

Otavio Leite é deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro