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19/04/2004 | Jornal do Brasil Online

Pesquisa aponta para o segundo turno

Cesar Maia perde nove pontos percentuais na corrida pela Prefeitura do Rio. Marcelo Crivella cresce três e ensaia reação

Pela primeira vez este ano, uma pesquisa eleitoral aponta a real possibilidade de haver segundo turno nas eleições para prefeito do Rio. Pesquisa do Instituto Gerp, feita de 8 a 11 de abril e publicada com exclusividade pelo Jornal do Brasil, mostra que o prefeito Cesar Maia perdeu nove pontos percentuais nas intenções de voto, caindo de 48% para 39%.

A associação entre Waldomiro Diniz e Bispo Rodrigues, no escândalo da Loterj, não contaminou a candidatura de Marcelo Crivella, da Universal, que passou de 12% para 15%.

Dois problemas estariam afetando a candidatura do prefeito Cesar Maia: os índices até então irreais e inflados e a associação de seu nome com os violentos conflitos na Rocinha, que começaram na madrugada do dia 9. A constatação é de Gabriel Pazos, presidente do Instituto Gerp:

- O Cesar está chegando a um patamar normal de um candidato que vai se lançar à reeleição e é bem avaliado pela população. Os números das pesquisas anteriores eram irreais. Acho que ainda cairá mais. Além disso, o episódio na Rocinha afetou. Ele falou muito, ironizou a Rosinha.

O cientista político da PUC-Rio Cesar Romero Jacob vai na mesma linha, ao dizer que a violência na Rocinha desgastou todos os governantes. O fato de as quatro últimas eleições para prefeito terem sido decididas no segundo turno reforça a hipótese, a cada minuto mais concreta, de que o pleito deste ano não será resolvido no primeiro turno.

- Desde que se instituiu a reeleição, o índice de quem está no cargo é muito alto, a não ser que esteja fazendo um governo desastroso. Só a partir de julho é que se verifica o processo de competição - afirma Jacob, que acredita na associação de três fatores para determinar o estágio retratado pela pesquisa do Gerp/JB: indefinição de candidaturas, alianças incipientes e ausência das máquinas partidárias na campanha.

Marcelo Crivella jogou para escanteio o desconforto à sua candidatura criado com o affaire Waldomiro/Carlos Rodrigues, deputado federal e ex-bispo da Universal. Cresceu só três pontos percentuais na pesquisa, mas em um momento de importante significação política.

- Crivella não foi muito arranhado. O deputado Carlos Rodrigues saiu da mídia. Passaram a atacar pela visão federal. Acho que ele pode brigar para ir ao segundo turno - disse Pozas.

Jacob faz coro. Diz que ´´o bispo Macedo agiu rápido e tirou o foco da Universal´´ no caso Waldomiro. O cientista político adverte, porém, que o evangélico Crivella ´´tem um piso, que é também seu teto´´, ou seja, que suas possibilidades de crescimento são limitadas.

A situação mais constrangedora após a divulgação da pesquisa passou a ser a do petista Jorge Bittar. Desprezado por companheiros do partido e militantes mais à esquerda, sofre todo o impacto da crise federal. Se não bastasse, vê a também deputada federal Jandira Feghali, recém-lançada pelo PCdoB, a seu lado, com dois pontos percentuais. Na pesquisa anterior, o petista tinha 5%.

- A queda do Bittar se deu muito em função do desânimo em relação ao governo Lula, da descrença generalizada. Agora, a política é muito veloz, um discurso pode mudar tudo. Se a economia crescer rapidamente, por exemplo, o Bittar pode ser beneficiado - aposta Pazos.

As análises de Cesar Romero Jacob são mais duras e demonstram que a candidatura de Bittar pode naufragar e ser até mesmo trocada pelo PT:

- Se Jandira ultrapassar Bittar, o PT poderia tentar tirar Chico Alencar da cartola ou apoiar a própria candidata do PCdoB, que já conta com a simpatia da esquerda petista - avalia Jacob. Para ele, apenas Chico poderia unificar o PT.

O candidato do PMDB, Luiz Paulo Conde, deve agradecer aos céus e aos eleitores a estabilidade conseguida na pesquisa. Mesmo sendo vice-governador do Estado, não pagou a conta da barbárie na Rocinha. O polêmico discurso em que pedia a construção de um muro para isolar a favela também não teve repercussão negativa em seu índice, que permaneceu em 9%.

- Conde foi o único que teve exposição na TV nos últimos dias. O comentário sobre o muro já está refletido na pesquisa. Ele disse que se arrependia de usar a expressão ´´muro´´, mas deixou claro que era a favor de uma delimitação para que os barracos não avançassem na Mata Atlântica. Acho que ele neutralizou qualquer opinião contrária - acredita Pazos.

A deputada federal tucana Denise Frossard subiu um ponto, passando de 4% para 5%. Jandira Feghali, o espectro que ronda Bittar, se manteve em 2%.

Na segunda simulação, com Otavio Leite - que já desistiu oficialmente da candidatura - no lugar de Denise Frossard, Cesar Maia sobe de 39% para 42%, e Conde, de 9% para 10%. São os únicos beneficiados com a ausência da juíza do pleito.

O mais relevante não é a troca de nomes do PSDB, mas sim o quanto a retirada de uma candidatura tucana beneficiaria o prefeito. Conhecedor de leituras de pesquisas como poucos, isso explica a insistência de Cesar Maia em compor aliança com o PSDB ainda no primeiro turno.

Na pesquisa de intenção de voto espontânea - sem a apresentação dos nomes -, Cesar Maia caiu de 83% para 65%, uma diferença de 18 pontos percentuais. Crivella mantém os mesmos 11%, Bittar sobe de 5% para 6% e Denise Frossard, de 1% para 2%. Conde tem aumento considerável, passando de 1% para 8%.

Ao mesmo tempo em que teve o maior aumento no voto espontâneo, Conde é candidato com a maior rejeição: passou de 14% para 16%. Marcelo Crivella foi o único a baixar o índice: passou de 18% para 15%. Cesar Maia manteve os mesmos 12% da pesquisa anterior.

A pesquisa Gerp/JB foi realizada entre os dias 8 e 11 de abril, com 400 entrevistas no Município do Rio de Janeiro. A margem de erro é de 5%.

Um vice técnico na mira