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27/04/2015 | Portal G1

Petrobras quer colaborar com MP em acusações, dizem membros da CPI

Por Gabriel Barreira

Representantes da CPI da Petrobras que visitaram a sede da estatal nesta segunda-feira (27), no Rio de Janeiro, informaram que a petrolífera está disposta a atuar ao lado do Ministério Público Federal nas acusações contra investigados na Operação Lava Jato. Para que possa atuar como assistente de acusação, no entanto, a Petrobras precisa de autorização da Justiça.

O G1 entrou em contato com a estatal, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Deputados membros da CPI foram à sede da empresa nesta segunda para ouvir diretores da petroleira sobre futuras ações contra corrupção e sobre o balanço da empresa, divulgado na semana passada.

Segundo parlamentares que participaram do encontro, os advogados da estatal apostam que, passando de vítima a acusadora nas ações judiciais, a Petrobras aumentaria as chances de recuperar os prejuízos em suposto esquema de corrupção.

"É uma garantia de que as pessoas que desviaram recursos da Petrobras vão responder com seus patrimônios para devolver à empresa", disse o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB). Ele, no entanto, não explicou como deverá ser a participação da empresa na função de assistente de acusação.

Em documento protocolado na Justiça na última sexta-feira (24), a Petrobras afirma estar tentando "todos os esforços possíveis na busca pela reparação do seu prejuízo".

"Tendo-se em conta que a sentença penal condenatória transitada em julgado resguarda o interesse patrimonial da vítima ou lesada e torna-se título executivo judicial capaz de satisfazer os danos oriundos dos delitos, pugna-se pela habilitação da peticionária como assistente de acusação, no seu mais lídimo interesse patrimonial nas causas em andamento", diz documento protocolado pela defesa da estatal.

De acordo com o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), um dos integrantes da comissão, a intenção da Petrobras é atuar como assistente de acusação em todas a ações penais. “Há um aspecto positivo da reunião que foi a notícia de que a Petrobras, em todas as ações penais da Lava Jato, já está entrando como assistente de acusação. Institucionalmente, isso é relevante”, disse Otavio Leite.

Divergências sobre o balanço
Antes da reunião, Otavio Leite criticou o que chamou de "alquimias contábeis" que teriam ocorrido no balanço divulgado pela empresa. Ele citou uma fala da ex-presidente da empresa, Graça Foster, para a qual a dívida estimada seria de mais de R$ 80 bilhões. O valor, porém, de acordo com novos cálculos caiu para R$ 21 bilhões.

O parlamentar afirmou que ainda nesta segunda pedirá uma "auditoria da auditoria". "Queremos saber como funcionam os processos decisórios, que levaram a prejuízos brutais ao Brasil".

O petista Luiz Sérgio (RJ), por sua vez, disse que "não há dados para colocar em dúvida as empresas que auditaram o balanço" da estatal.

A comitiva foi composta ainda pelos deputados Antônio Imbassahy (PSDB-BA), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Bruno Covas (PSDB-SP), Altineu Cortes (PR-RJ) e Celso Pansera (PMDB-RJ).